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Arquivo NippoBrasil - Edição 102 - 3 a 9 de maio de 2001
 
Moti - Parte 2

(Fotos: Reprodução / Divulgação)

O divino sabor do moti

Em 713, no início do Período Nara (710-93), a corte imperial mandou que os oficiais provincianos fizessem descrições de suas respectivas regiões. Um desses registros é o Bungo fudo-ki, ou a descrição da região Bungo, que contém as primeiras pinturas do moti. No início de um texto de uma história bem conhecida sobre um homem rico, que por seu orgulho é lavado à ruína, observa-se a presença do moti. “Ele estava quase perdendo a flecha e percebeu que não havia um alvo conveniente. Então usou um moti como alvo. Quando a flecha o atingiu, entretanto, o moti transformou-se em um pássaro branco e voou para bem longe.”

Para servir como alvo apropriado à flecha, o moti devia ser redondo e plano e, através da cor do pássaro, pode-se deduzir facilmente que o bolinho de arroz era extremamente branco. Então o moti do século VIII, como o descrito no Bungo fudo-ki, já aparece como ele é nos dias de hoje.

Mais tarde, durante o Período Heian (794-1191), observa-se que o moti também era, na maioria dos casos, redondo. Com o tempo, essa iguaria japonesa passou a ser um privilégio do governo e havia até um ministro especial encarregado da produção.


Moti e o Ano-Novo

O Moti está bastante presente nas celebrações do ano-novo, muito comemorado pelos japoneses. O ano-novo japonês é muito mais do que um simples festival do Moti. A prática de comemorar o ano-novo começou na Corte Imperial durante do Período Heian e, ao longo dos anos, foi difundida para a população. Mas o que contribuiu para a popularização do moti?

Um das causas dessa popularidade é que os japoneses contam sua idade não pelo dia do aniversário, mas pelo dia 1º de janeiro. O ano-novo era símbolo da transição da vida e também das responsabilidades assumidas pela idade. Hoje, esses símbolos já perderam muito de sua força, e o feriado passou a ser visto como um tempo em que todas as formas de vida são revitalizadas. Talvez isso seja um motivo que fez o moti tão popular.

A quantidade de moti preparado no ano-novo varia de acordo com a região e com a família, mas em todo lugar é costume que o primeiro monte seja feito grosso e redondo. Esses bolinhos especiais são chamados kagami moti. Um par de kagami moti é oferecido à divindade dos grãos e cereais, acompanhado de uma prece que pede por segurança no ano que se inicia.

Um pequeno bolinho é colocado sobre um maior e juntos são colocados em uma mesinha chamada sambo. Eles são decorados com castanhas secas, fatias de caqui secos e uma pequena laranja de sabor amargo. Diz-se que o kagami moti oferecido dessa forma é símbolo do sol e da lua, ou de um homem e uma mulher.

O nome kagami moti data do Período Kamakura (1192-1333), e é uma inversão do termo do Período Heian, moti kagami. As pessoas do Período Heian acreditavam que os espelhos (kagami) tinham poderes mágicos, e, dessa maneira, colocavam o moti nos altares xintoístas.

Mas a crença no poder do espelho diminuiu, e as pessoas começaram a ver a massa redonda e grossa como mais comestível do que um talismã. Conseqüentemente, a ordem das palavras foi invertida, kagami (espelho) passou a ser adjetivo, e moti, o substantivo.

A sambo (mesinha), juntamente com o kagami moti, permanece no altar xintoísta até o dia 11 de janeiro, quando os bolinhos de arroz são divididos em pequenos pedaços e, por fim, consumidos. Os bolinhos devem ser “abertos” e não cortados. Normalmente são partidos com as mãos num ritual chamado kagami-biraki (literalmente abrir o espelho).

Kagami-biraki data do Período Heian e, originalmente, era feito no dia 20 de janeiro. Entretanto, quando o terceiro Tokugawa Shogun Iemitsu morreu em 20 de abril de 1651, o dia 20 de cada mês foi guardado para luto. Conseqüentemente, a data do kagami-biraki foi transferida para o dia 11 de janeiro.

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