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A lenda do Nobre Galo
Esta é uma lenda da seita Zenchi – Zenchi-kyô – que conta como o galo se tornou um “nobre animal-signo” e passou a fazer parte do Horóscopo Zenchi, ou “Horóscopo Japonês”
 

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Na mitológica “Idade dos Deuses”, que precedeu a Idade do Cobre e a Idade do Ferro na história japonesa, o Galo era um animal egoísta, destruidor e muito agressivo, pois, além das esporas afiadas, ele tinha um perigoso par de chifres. Naquele tempo, Zenchi-no-Mikoto, o Deus da Graça Divina, estava para nomear os animais que se tornariam nobres e substituiriam os deuses na regência da Terra. Muitos animais já haviam sido escolhidos, quando o Galo resolveu que também gostaria de ser um dos “nobres animais-signo”. Conta a lenda que o motivo principal pelo qual o galo se candidatou para essa função foi para perseguir o Dragão, que havia ficado com seu par de chifres emprestado. A pedido da Mukade (lacraia, espécie de centopéia) o Galo emprestou os chifres para o Dragão para que este se apresentasse de modo pomposo diante do deus Zenchi-no-Mikoto, mas ele gostou tanto dos chifres, que lembravam uma coroa, que ficou com eles. Inconformado, o Galo resolveu comer todas as lacraias do mundo e criticar o Dragão até que este lhe devolvesse os chifres.

Dentre todos os animais que tinham se candidatado a fazer parte da “Confraria dos Nobres Animais-Signo”, o único que tinha asas como o Galo era o Cavalo Alado. Então, o Galo resolveu procurá-lo para pedir conselhos sobre como ele poderia ser classificado na categoria dos nobres. Qual não foi a surpresa do Galo ao encontrar o Cavalo sem suas maravilhosas asas. O Cavalo explicou que nenhum animal que voa poderia participar da competição que escolheria os doze nobres animais e que era preciso fazer alguma coisa em benefício da humanidade para ser escolhido.

O Galo ficou sem saber o que fazer, pois era vaidoso demais para se desfazer de suas asas brilhantes e coloridas. Então, resolveu não mais usar as asas, para todos pensarem que, apesar de ele ter asas, não sabia voar. Porém, o Galo não sabia o que poderia fazer pelo bem da humanidade, e o tempo foi passando.

Nessa época, Amaterasu Oomikami, a Augusta Deusa Sol, revoltada com as atrocidades de seu irmão Susanoo-no-Mikoto, o rebelde Deus Tempestade, escondeu-se em Amano Iwato, a Gruta Celeste (também conhecida como buraco negro do universo), e fechou a entrada da gruta com uma rocha. A Terra mergulhou na eterna noite. Como não havia mais sol sobre a terra, todos diziam que o mundo ia acabar. Conformado, o Galo resolveu ficar dormindo no poleiro, já que tudo estava perdido.

Apavorados com o acontecimento, os deuses procuraram acender fogueiras para amenizar as trevas. A cada batida do coração, o pânico foi se intensificando, pois sabiam que, sem a luz da Augusta Deusa Sol, doenças e epidemias tomariam conta do universo.

Os deuses reuniram-se então diante da rocha que fechava a Gruta Celeste para procurar uma solução. Organizaram uma grandiosa festa, armando um prestigioso cenário em que o grande espelho chamado Yata Kagami desempenhava o papel principal. Os deuses amarraram tiras brancas de papel nas pontas de um galho e nos ramos da sagrada árvore Sakaki, de 500 ramos, que eles haviam retirado do Monte Celestial Kagu.

As divindades cantaram e dançaram ruidosamente, e o Galo continuava empoleirado, indiferente a tudo. Ao mesmo tempo, Ame-no-Uzume-no-Mikoto, a Deusa da Dança e do Bom Humor, subiu em uma dorna e começou a requebrar-se em gestos provocantes. Dançando sempre até o êxtase, Ame-no-Uzume descobriu o peito e baixou a cinta da veste, mostrando o sexo. Houve grande algazarra na Alta Planície Celeste, e os oito milhões de deuses puseram-se a rir.

Intrigada com a algazarra, a Augusta Deusa Sol, resolveu dar uma espiada, abrindo uma fresta na rocha que tapava a gruta. Ao mover um pouco a rocha, um feixe de luz solar atingiu a cabeça do sonolento Galo. O impacto foi tão inesperado, que o vaidoso Galo, ao ser surpreendido dormindo, ficou tão ruborizado que sua crista parda ficou vermelha para sempre. Com o susto, o Galo começou a gritar: “koke-kokkoo!”, e os deuses entenderam que ele estava dizendo “Olha o sol, olha o sol!”.

Amaterasu botou a cabeça para fora da caverna e perguntou:

– Mas por que Ame-no-Uzume canta e dança, e toda a miríade de divindades ri?
Ame-no-Uzume, conforme o plano respondeu:
– Nós rejubilamos e dançamos felizes porque temos uma divindade superior a você.

Curiosa para ver quem tomara seu lugar, Amaterasu abriu mais um pouco a rocha e deu um passo para fora, a fim de ver melhor. Nesse momento, a divindade Zenchi-no-Mikoto pôs o espelho e um colar diante do rosto de Amaterasu. O espelho Yata Kagami refletiu um rosto maravilhoso. A Augusta Deusa Sol ficou maravilhada ao ver uma imagem tão luminosa refletida à sua frente. Nesse momento, Tajikara-o-no-Mikoto, o Deus da Força Física, abriu o rochedo e a luz voltou a iluminar o universo.

Amaterasu bem que tentou se retirar novamente à gruta, porém os deuses já haviam estendido uma corda com o nó sagrado (Shimenawa) e gritaram:

– Não passe além!
Assim, a luz e a vida voltaram ao céu e à terra.

Quando a harmonia voltou a reinar no universo, Zenchi-no-Mikoto nomeou o Galo como um dos animais-signo que teria a missão de reger o destino da humanidade a cada doze anos. Assim, por ser o primeiro a anunciar o surgimento do sol e com a promessa de acordar diariamente os trabalhadores, o Galo recebeu o honroso título de Nobre Galo.

Porém, como também o Nobre Cachorro havia sido nomeado naquela ocasião, os dois tiveram que disputar uma corrida para definir a colocação de cada um na Roda do Destino dos Signos, logo depois do Nobre Macaco. Durante boa parte do percurso, na subida ao Sagrado Monte Fuji, os dois estiveram lado a lado em animado bate-papo. Mas, quando se aproximaram da meta, o Galo ciscou terra nos olhos do Cachorro e, abrindo as asas, saiu voando, chegando antes do cachorro e garantindo para si o décimo signo. Desde então, o Cachorro não perdoou o Galo por ter ciscado terra e seus olhos e ter usado as asas, que estavam proibidas pela regra da corrida.

 
Adaptação livre de Claudio Seto

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