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Arquivo Edição 259 - 26 maio a 1 de junho de 2004 - Especial - Portal NippoBrasil
 

Mulheres conquistam as artes marciais

Elas conquistaram os tatames e agora dão socos, chutes, pontapés e até chaves de braço e colocam muitos marmanjos para correr


ENSINAMENTO - Kendô no Japão faz parte do currículo escolar e é coordenado pela Nippon Kendô Gata

 


CULTURA - Michiko Kishikawa dá aulas de kendô há 23 anos ao lado do marido


TRADIÇÃO - Yasue: 23 anos de naguinatá

Arquivo Jornal Nippo-Brasil

Quem disse que mulher é sexo frágil? Nos últimos tempos, esse conceito vem mudando. Depois de ganhar espaço no mercado de trabalho e a tão sonhada independência, agora chegou a vez de o sexo feminino conquistar uma outra área, antes só atribuída aos homens: as artes marciais. Sim, é isso mesmo.

As mulheres estão dominando os tatames e agora dão socos, chutes, pontapés e até chaves de braço e colocam muitos marmanjos para correr. Nesta edição, o Zashi traz a história de três mulheres que deixaram o preconceito de lado e hoje são praticantes de lutas marciais japonesas.

A mestre do naguinatá

“Faz bem para a saúde, elimina o estresse e mantém o espírito alegre”. É assim que Yasue Morita, 53 anos, define o naguinatá, arte que leva o nome de uma arma japonesa semelhante a uma foice e que, durante muito tempo, foi utilizada por monges budistas e mulheres de famílias samurais como uma forma de defesa.

Yasue entrou para o esporte há 23 anos, logo após conhecer a arte pela mãe de um amigo, que também praticava o naguinatá. A paixão foi tanta que, três anos depois, ela passou a dar aulas. “O naguinatá ensinou muitas coisas para mim, ele é minha vida”, conta.

O espírito esportivo está no sangue. Casada há 23 anos, Yasue é mãe de três filhos. Todos também praticaram o naguinatá durante, pelo menos, dois anos. O filho mais velho, hoje com 26 anos, mora no Japão, onde é sumotori (praticante de sumô).

Yasue já lutou na França, no Japão e nos Estados Unidos e garante que, durante todo esse tempo, nunca sofreu qualquer tipo de discriminação por ser mulher. “Hoje, a arte marcial está mais difundida.”

Rainha das espadas

Foi com o propósito de unir a família que Michiko Ishikawa, 65, entrou para o kendô, um método simplificado do kenjutsu. Juntos, ela, o marido e os dois filhos começaram a praticar o esporte, há 35 anos. “Minha família toda está no Japão. Então, prometemos fazer alguma coisa juntos até onde der”, revela.

Ela lembra que, na época, as pessoas não a viam com bons olhos, já que “era muito difícil ver uma mulher de 30 anos, mãe de dois filhos, lutando”. “Os homens achavam que podiam ganhar de mim”, conta.

Hoje, Michiko é a 6ª dan kyoshi, a graduação máxima do kenjutsu e coloca muito marmanjo para correr depois de pisar num tatame.

Há 23 anos, ela dá aulas com o marido e revela que a procura pela luta tem aumentado muito nos últimos tempos. “A procura é maior por mulheres e brasileiros”, diz. “Eles não vêm pelo esporte, mas porque querem aprender a cultura e a língua japonesa.”

Por este motivo, durante as aulas, Michiko não ensina somente a luta, mas também todas as tradições japonesas, inclusive a língua. E ,para quem quiser se arriscar, ela dá a dica: “É preciso agradecer, respeitar o adversário e ter paz na família. Nós ensinamos que os alunos não podem pensar só no kendo. É preciso também estudar e trabalhar.”

Faixa preta de karatê

Aos 78 anos de idade, Tereza Toshie Sezaki orgulha-se de ser faixa preta de karatê. Ela entrou para o esporte há 18 anos, depois de ler uma matéria numa revista sobre a história do mestre japonês Masutatsu Oyama, fundador de um dos estilos mais renomados da luta, o kyokushin.

Não deu outra. Logo depois, lá estava ela se matriculando numa academia da cidade de Mogi das Cruzes, interior de São Paulo, onde reside. “Na época, eu tinha vergonha, porque só tinha moça. Eu era a única de cabelo branco”, brinca.

Tereza conta que foi incentivada pelo filho, que já praticava o esporte, a iniciar-se na luta. Também foi com a ajuda dele que ela escreveu uma carta para seu mestre. Meses depois, durante uma etapa do campeonato mundial, Masutatsu Oyama veio ao Brasil e, numa multidão de 13 mil pessoas, chamou o nome de Tereza. “Pensei que era mentira, mas fiquei muito feliz por tê-lo conhecido.”

Oito anos depois, ela sofreu um acidente de carro. Das 10 pessoas envolvidas, só ela e mais uma senhora sobreviveram. Tereza, no entanto, ficou paraplégica. Passou três meses longe do esporte, ouvindo dos médicos que estaria condenada à imobilidade para sempre. “Eu pensava: ‘o médico está errado. Eu mesma vou me curar”, conta. E, com muito esforço e “espírito forte” – como ela mesma diz –, quatro anos depois lá estava ela, conquistando o título de faixa preta do karatê.

Na época em que sofreu o acidente de carro, Oyama veio a falecer. Em 98, Tereza pôde realizar seu grande sonho: ganhou uma passagem para o Japão em um dos campeonatos de karatê que participou e foi beijar o túmulo de seu mestre e agradecer pelo incentivo.

É a ele e ao karatê que ela agradece o fato de “não ter tempo para fazer fofocas nem ficar doente.” “O karatê faz bem para a mente”, diz a senhora, que já quebrou blocos de cimento, tábuas, tijolos e telhas.


História das lutas japonesas

• Naguinatá
O naguinatá surgiu há milhares de anos no Japão. Para se ter uma idéia, antes mesmo do século XII, já se praticava a arte. O naguinatá era um instrumento de defesa muito utilizado por monges budistas e mulheres de famílias samurais. Ele foi introduzido no Brasil há pouco mais de 15 anos e, atualmente, o naguinatá-dô (arte do manejo do naguinatá) é praticado principalmente pelas mulheres.

• Kendô
O kendô originou-se entre os séculos VII e VIII. Porém, foi somente no século XVI que começaram a surgir estilos e escolas do esporte, recebendo, inclusive, influências de ensinamentos budistas. No Japão, este esporte faz parte do currículo escolar das crianças e é coordenado pela Nippon Kendô Gata, entidade que unificou os 200 estilos de luta.

• Karatê
O karatê originou-se na China e, em japonês, quer dizer “mãos vazias”. Diz a lenda que o karatê era uma luta praticada secretamente por pessoas comuns que estavam proibidas de portar armas e, por isso, defendiam-se de mãos vazias, fazendo uso destas, cotovelo, joelho e pés. Hoje considerado esporte internacional, está dividido em quatro estilos, tendo algo em torno de 23 milhões de praticantes no mundo todo. No Brasil, além dos estilos reconhecidos pela Federação – Shotokan, Wadoryu, Shorinryu, Gojuryu e Itosuryu – pratica-se o Kyokushin. As diferenças são baseadas nos locais de origem.

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