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Arquivo Edição 257 - 12 a 18 maio de 2004 - Especial - Portal NippoBrasil
 

Kasumi Yamashita:
“é importante recordar as histórias dos imigrantes”

“Uma viagem pessoal”. É assim que define a pesquisadora de Harvard ao estudar a imigração japonesa no Brasil


PROJETO - Mestrada pela East Asian Regional Studies, Kasumi está no Brasil desde outubro do ano passado

 

Arquivo Jornal Nippo-Brasil

A paixão pela história dos nikkeis pelo mundo fez a antropóloga norte-americana Kasumi Yamashita sair dos Estados Unidos por um ano e pesquisar os museus de imigração no Brasil. Bolsista da Fulbright, ela faz sua pesquisa de campo para o doutorado no Departamento de Antropologia na Universidade de Harvard, em Cambridge, no Estado de Massachusetts (EUA).

Kasumi chegou em outubro do ano passado para trabalhar em sua tese sobre a narração da migração japonesa e a representação da etnicidade e identidade nikkei dentro dos museus. Freqüenta o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil, em São Paulo, e planeja visitar outros museus em Tomé-Açu (Pará), Rolândia (Paraná), Registro e Bastos (ambos em São Paulo), entre outros. Depois da pesquisa no Brasil, pretende fazer um estudo comparativo nesse mesmo tema em outros países, como o Peru e o Japão.

Nascida em Nova Iorque, Kasumi é casada com o americano Ted Matk, professor de literatura japonesa moderna na Universidade de Washington, em Seattle. Após a graduação em Língua e Literatura Espanhola e Artes Plásticas na Universidade de Nova Iorque, ela seguiu para o Japão, onde trabalhou no Japan Exchange Program (JET Program).

Lá ensinou inglês por um ano e trabalhou em Yukuhashi, Fukuoka, durante dois. Organizou programas multiculturais para os residentes da cidade, desenvolveu intercâmbios para estudantes e professores entre os Estados Unidos e o Japão, foi tradutora e intérprete para os brasileiros, bolivianos e japoneses. “Naquela época, os dekasseguis estavam começando a chegar na cidade. Anteriormente não havia muitos estrangeiros em Yukuhashi”, conta.

A antropóloga voltou aos Estados Unidos para trabalhar na Organização da Nações Unidas (ONU) por três anos e depois entrou no mestrado na East Asian Regional Studies, em Harvard, onde se formou em 99. Retornou ao Japão por um ano para fazer pesquisa sobre as comunidades da América Latina no Japão.


CULTURA - Pesquisadora diz que é importante japoneses em outros
países conhecerem as histórias da imigração japonesa no Brasil


Conheça um pouco mais o trabalho de Kasumi Yamashita

“Os imigrantes que foram aos Estados Unidos eram homens solteiros, diferente do Brasil, onde vieram como famílias”


PASSADO - Pai de Kasumi morou no Brasil durante dois anos na década de 50

Essa já é a sua terceira vez no Brasil. Em sua visita inicial, o que veio pesquisar?
Vim ao Brasil pela primeira vez em 98 para participar de um curso sobre identidades étnicas e relações raciais no Rio de Janeiro e para assistir as celebrações dos 90 anos da imigração japonesa. Naquela época estava escrevendo minha dissertação de mestrado sobre a Shindo Renmei e a história e as experiências dos imigrantes japoneses e os nikkeis nas décadas de 30 e 40 no Brasil. Aprendi muito falando com historiadores e pesquisadores no Centro dos Estudos Nipo-Brasileiros, fazendo entrevistas e escutando histórias que os imigrantes me contaram. A história da Shindo Renmei e a comunidade nikkei durante a Segunda Guerra Mundial não eram tão discutidas como hoje, pois o livro de Fernando Morais Corações Sujos ainda não havia sido lançado.

Por que é importante estudar a imigração japonesa no Brasil?
Acredito que seja importante escrever sobre a história dos imigrantes no Brasil e a sociedade nikkei contemporânea tanto para a própria comunidade local quanto para o público no exterior. Como a história dos imigrantes algumas vezes fica fora da história nacional do país de origem, acho que seja importante recordar essas experiências e também as memórias cotidianas que talvez não apareçam nas grandes narrativas da história. Podemos aprender muito contando e comparando as experiências dos imigrantes e dos nikkeis em países distintos, em épocas diferentes e entre várias gerações.

O projeto é pessoal?
A minha pesquisa tem sido de uma certa maneira uma viagem pessoal. Foi interessante conhecer a trajetória da minha mãe que morava no Japão e decidiu viajar aos Estados Unidos para trabalhar na delegação japonesa na World’s Fair (Exposição Mundial), em Nova Iorque, em 1964. Meu pai também queria visitar lugares fora do Japão e desembarcou no Brasil em 1959. Ele ficou só em São Paulo por menos de dois anos, onde trabalhou como pintor. Fiquei impressionada quando procurei os documentos originais da imigração dele no Memorial do Imigrante, em São Paulo. Recentemente também encontrei com alguns de seus amigos, artistas nipo-brasileiros e outros, que viajaram no mesmo navio.

Como é o seu dia-a-dia?
Trabalho na minha tese. Examino livros e documentos, realizo entrevistas e também assisto um curso no programa de pós-graduação em Antropologia Social na Universidade de São Paulo (USP). Hoje, no Museu, estamos organizando uma festival de cinema nikkei. Pretendemos mostrar vários filmes e documentários sobre as vidas dos imigrantes japoneses e os nikkeis nas áreas de migração, agricultura, guerra, família e música no Brasil, Estados Unidos e Japão. Esperamos criar um espaço para dialogar sobre as nossas várias experiências, memórias e interesses.

Que diferença vê na imigração japonesa no Brasil e nos Estados Unidos?
São várias. Historicamente, a emigração japonesa aos Estados Unidos começou em 1868, e ao Brasil, uma geração depois, em 1908. Os imigrantes que foram aos Estados Unidos eram homens solteiros, diferente do Brasil, onde vieram como famílias. Mesmo assim, temos cerca de 850 mil japoneses americanos, concentrados no Havaí e nos Estados pela Costa Oeste, como Califórnia, Oregon e Washington. Já no Brasil, são 1,4 milhão de descendentes, principalmente em São Paulo e cidades vizinhas. Outra questão é o grande número de departamentos de estudos japoneses nas universidades norte-americanas.

É comum encontrar professores não-nikkeis nas áreas de humanas e ciências sociais em temas ligados ao Japão. Meu marido, por exemplo, que não é nikkei, ensina literatura japonesa moderna na Universidade de Washington. Já no Brasil percebo uma ausência de cursos oferecidos nesses departamentos, apesar da demanda pelos estudantes brasileiros. Participando das aulas do Seinen Bunkyo - onde quase 20 pessoas se reúnem a cada fim de semana para aprender sobre a história da imigração japonesa no Brasil para depois fazer monitoria no Museu - percebi que essa demanda existe. Outro dia, quando realizei uma palestra a um grupo de japonesas da Burajiru o Shiru Kai, comparando as experiências dos imigrantes japoneses e os nikkeis dos Estados Unidos e do Brasil, fiquei contente em perceber o interesse do grupo em discutir aspectos de suas próprias histórias e experiências. Cada pessoa tem sua própria história para contar.

 
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