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Arquivo NippoBrasil - Edição 300 - 16 a 22 de março de 2005
 
• Era Azuchi-Momoyama – Parte 4
As mulheres que viveram na era das guerras
Algumas mulheres viveram seguindo sua própria vontade, sobrepuseram-se ao seu destino e fizeram a diferença na história

Arquivo NippoBrasil

Com o objetivo de ajudar seus maridos, suas famílias, ou mesmo trabalhando em prol de suas próprias ambições, muitas mulheres agiram nos bastidores do cenário sangrento das intensas guerras, época na qual apenas os mais fortes sobreviviam. Aqui, serão destacadas algumas das mulheres que viveram seguindo a própria vontade, não se subjugando ao destino, mas sobrepondo-se a ele.

A posição social da mulher está intrinsecamente ligada ao tipo de casamento e aos direitos aos bens da família. Nos tempos em que os noivos iam visitar a casa das noivas para manter relações matrimoniais, as mulheres também tinham direitos aos bens da família. Mas os conflitos militares e a instabilidade social passaram a envolver as famílias ligadas por laços de casamento, mudando a forma de matrimônio. O casamento tornou-se um importante meio de arrebanhar aliados. A mulher começou a morar na casa do marido, pois seria uma forma de mantê-la como refém, garantindo a aliança militar.

Oichi-no-kata (1547~1583)

Filha de Oda Nobuhide e irmã de Oda Nobunaga, Oichi nasceu como uma das 6 filhas e 11 filhos de Nobuhide. Oda, um pequeno clã da atual província de Aichi, dominou a região valendo-se do poder de Saitô Dôsan, sogro de Nobunaga.

Oichi-no-kata, uma bela mulher de traços delicados, casou-se aos 20 anos com Asai Nagamasa, senhor do castelo de Otani, atual província de Shiga. Tratava-se de um casamento de conveniência, em que se esperava dela a manutenção de informações sobre todos os atos de seu marido. Em 1570, Oichi avisou o irmão Nobunaga sobre a traição de seu marido. Em vez de mandar uma carta a respeito de tal ato traiçoeiro, ela enviou um saquinho de feijão azuki com duas pontas amarradas. Ao recebê-lo, Nobunaga logo decifrou o alerta de que seria cercado e atacado em duas frentes. Antes que isso acontecesse, ele atacou o cunhado e o destruiu. Oichi-no-kata e suas três filhas foram salvas e passaram a viver com Nobunaga.

Em 1582, com a morte de Nobunaga, Oichi-no-kata casou-se com Shibata Katsuie, vassalo da família Oda. Em 1583, Katsuie foi derrotado por Toyotomi Hideyoshi. As três filhas foram salvas, mas Oichi optou pelo suicídio junto com o marido, no castelo de Kita-no-shô, atual província de Fukui.

Yodogimi (1567~1615)

Filha primogênita de Oichi-no-kata, Yodogimi perdeu o pai, Asai Nagamasa, aos 4 anos e passou a viver na casa da família Oda. Aos 14 anos, ela perdeu a mãe e o padrasto, quando Toyotomi Hideyoshi atacou Shibata Katsuie. Ela e suas duas irmãs menores foram novamente salvas e começaram a viver sob a proteção de Hideyoshi. Suas irmãs casaram-se antes dela, respectivamente com Tokugawa Hidetada (1579~1632), segundo xogun da Era Edo, e Kyôgoku Takatsugi (1563~1609), senhor feudal, antigo aliado de seu pai, Asai Nagamasa.

As três filhas de Oichi-no-kata herdaram a beleza da mãe, especialmente Yodogimi, dona de uma beleza vivaz e ímpar, foco da atenção de Hideyoshi, que acabou fazendo dela a sua concubina predileta. Na época, ela contava com 20 anos e Hideyoshi 53 anos. O primeiro filho do casal morreu doente com 1 ano de idade, mas, em 1593, ela presenteou o poderoso senhor Hideyoshi com outro filho, Hideyori.

Hideyoshi dedicou todo o seu amor a esse filho único, mas faleceu quando Hideyori tinha apenas 6 anos de idade, pedindo aos seus principais vassalos para cuidarem e protegerem o seu filho amado. Entretanto, Tokugawa Ieyasu não cumpriu a palavra dada a Hideyoshi, atacando Hideyori e derrotando-o na batalha de Sekigahara, provocando a morte de Yodogimi e de seu filho na Batalha de Verão de Osaka.

Yodogimi podia ter escolhido a rendição e talvez viver modestamente com seu filho em algum feudo distante, mas ela preferiu a morte a viver sob a proteção do homem que havia usurpado o poder que deveria pertencer ao seu filho. Ela, que passou por várias vicissitudes da vida, sabia que Hideyori, uma ameaça constante ao clã Tokugawa, jamais seria poupado.

Kita-no-mandokoro (1541~1624)

Kita-no-mandokoro, esposa de Toyotomi Hideyoshi, nasceu como filha de um humilde samurai que servia o clã Oda. Casou-se com Hideyoshi em agosto de 1561, época em que ele não passava de um humilde servo de Oda Nobunaga, chamava-se Kinoshita Tôkichirô; e ela, Nene. Ela sempre esteve presente na vida do marido, apesar de ele ter tido diversas concubinas. Após a morte do esposo, Kita aliou-se a Tokugawa Ieyasu, fundador do xogunato Tokugawa, que perdurou por 15 gerações, até 1867.

Quando Hideyoshi recebeu o título de plenipotenciário, ou seja, kanpaku, grau máximo da nobreza, ela, Nene, também recebeu o título máximo da nobreza, chamando-se Kita-no-mandokoro.

Após a morte de seu marido, ela tornou-se monja, seguindo o costume da época. Mais tarde, ela recebeu de Tokugawa Ieyasu um templo em Quioto, o Kôdai-ji, onde viveu até os 83 anos.

Hosokawa Tamako – Garasha Fujin (1563~1600)

Filha de Akechi Mitsuhide, que levou à morte o seu senhor, Oda Nobunaga, Tamako era bela e também muito culta. Casou-se aos 16 anos com Hosokawa Tadaoki (1563~1645), também com 16 anos. O pai de Tadaoki, Hosokawa Yûsai (1534~1632) era um conhecido erudito versado na arte de compor poemas waka.

Após quatro anos de vida de casada, com um filho e uma filha, ela vivia dias felizes ao lado do seu dedicado marido, quando o seu pai se rebelou contra Oda Nogunaga e foi levado a se matar praticando o seppuku ou harakiri, dez dias após a rebelião. Nessa ocasião, os principais vassalos da família Hosokawa aconselharam Tadaoki a separar-se da esposa, ou fazer com que ela praticasse o suicídio, a fim de proteger o clã da desgraça maior. Porém, Tadaoki não deu ouvidos aos seus súditos e protegeu-a, fazendo com que ela vivesse em reclusão num local afastado, dentro do seu feudo, na península de Tango, Quioto. Após dois anos de reclusão, com a interferência de Toyotomi Hideyoshi, ela deixou a erma península de Tango e foi viver em Osaka.

Tamako passou a se interessar pelo cristianismo, talvez por influência de sua serva, a cristã Maria Kiyohara. Logo após a proibição da prática do cristianismo, em 1587, Tamako tornou-se católica, recebendo o nome de batismo, Garasha (talvez do latim gratia).

Durante a batalha de Sekigahara, Ishida Mitsunari tentou obrigá-la a viver no castelo de Osaka como refém, mas ela se recusou, suicidando-se. Logo depois disso, alguns servos fiéis a ela atearam fogo na casa e também se suicidaram. Essa sua atitude extremada intimidou Mitsunari e levantou o moral da tropa de Tokugawa.

Dizem que há algumas citações sobre a família Akechi na carta do padre português Luis Frois, conservada em Roma.

 
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