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Arquivo NippoBrasil - Edição 292 - 19 a 25 de janeiro de 2005
 
• Era Muromachi (parte 4)
Tempos de piratas, comércio e expansão
Período é marcado pela violência dos wakô, os temíveis piratas japoneses, e pela intensificação das relações comerciais com países vizinhos

Os wakô invadiam terras vizinhas, queimavam casas e matavam os resistentes

Arquivo NippoBrasil

Em fins do século XIV, época em que o xogunato de Muromachi consolidou o seu poder, o Leste Asiático sofria intensas transformações. E uma das causas, embora indireta, dessas transformações ocorreu por conta da atuação dos temíveis grupos de piratas japoneses denominados pelos chineses e coreanos de wakô.

Wakô, os piratas japoneses

Os wakô viviam na região norte da Ilha de Kyushu e nas redondezas da Baía de Seto. Com frotas que variavam de 3 a 500 navios, invadiam terras vizinhas e queimavam casas, matando todos aqueles que tentavam resistir. Outra prática constante era a pilhagem de bens e o seqüestro de homens, mulheres e crianças.

Os ataques freqüentes dos piratas contribuíram para a decadência do reino de Kôrai (Coréia). Em 1392, Yi Song-Gye (1335~1408) conseguiu expulsar os wakô das terras coreanas, derrubar o reino de Kôrai e fundar a dinastia Yi (1392~1910). O comércio entre Japão e Coréia iniciou-se quando Yi enviou uma carta para Ashikaga Yoshimitsu (1358~1408), solicitando o combate aos wakô e o comércio entre as duas nações, no que foi prontamente atendido pelo xogunato japonês.

A queda da dinastia Yuan na China, em 1369, também impulsionou o rigor no combate aos wakô. A dinastia Ming, sucessora de Yuan, proibiu o comércio privado e permitiu o comércio internacional apenas com os países que tinham acordo com o reinado Ming.

Os wakô readquiriram força com o enfraquecimento do xogunato de Muromachi. Suas pilhagens continuaram até a unificação do Japão por Toyotomi Hideyoshi.

Comércio com China e Coréia

A atividade comercial entre Japão e Coréia foi muito rica. Entre os produtos vendidos pelo arquipélago, estavam cobre, enxofre e artigos dos mares do sul, como pimenta, medicamentos e plantas perfumadas, trazidos pelos navios mercantes de Ryukyu (atual Okinawa). As compras consistiam em tecidos, principalmente o algodão, que os nipônicos não produziam. Nessa época, os japoneses usavam roupas feitas de tecido de cânhamo. Como o tecido de algodão era mais eficiente no inverno que o de cânhamo, ele se tornou um item muito apreciado no Japão, com importações em grande quantidade e forte influência nos hábitos do povo do sol nascente.

No início, as transações comerciais eram feitas em Hakata, cidade ao norte da Ilha de Kyushu. Entretanto, durante a Era Muromachi, duas cidades cresceram rapidamente: a própria Hakata e Sakai, situada na Baía de Osaka.

O dazaifu, repartição do governo central para cuidar de assuntos diplomáticos com a China e a Coréia, bem como para defender o Japão dos ataques inimigos, estava instalado na cidade de Hakata desde tempos antigos. No entanto, com o passar do tempo, a cidade prosperou com o comércio de importação e exportação, o que a tornou alvo de disputa entre os daimiôs, os senhores feudais da época.

Já Sakai não passava de um pequeno povoado, que servia de estalagem para os romeiros a caminho de Kumano. Entretanto, a Revolta de Onin, ocorrida no início da Era Muromachi, foi um estímulo ao crescimento da cidade, pois, nessa ocasião, muitos nobres buscaram refúgio no local, que passou a receber também as sacas de arroz cobradas como tributo, fazendo de Sakai uma importante cidade portuária.

O comércio era feito com as moedas de cobre importadas da China. No entanto, por escavações arqueológicas, descobriu-se que muitas moedas que circularam nessa época eram falsas e foram produzidas em Sakai. O fato de essas moedas falsas, fabricadas em grande escala, terem circulado sem problemas, mostra o poder dos comerciantes, capaz de calarem até mesmo as leis, que previam rigorosa punição para tal infração.

Tanto Hakata como Sakai prosperaram, a ponto de conseguirem manter certa autonomia e paz, indiferentemente às guerras travadas entre os senhores feudais. Com seu poder econômico, ambas fizeram florescer manifestações culturais como a cerimônia do chá, os poemas japoneses – Waka e Renga –, o teatro Nô, entre outras.

O reino de Ryukyu

O arquipélago de Ryukyu foi habitado desde tempos remotos. No antigo livro de história do Japão, consta que o país havia recebido visitas de representantes das ilhas do sul por volta dos séculos VII e VIII. No Zuisho, o livro de história da China de 636, também há a citação de Ryukyu como sendo um país fora do domínio chinês.

Por volta do século XII, o surgimento dos clãs regionais, denominados aji, afeta a relativa paz em que viviam os ilhéus. Lutando entre si, os aji construíam fortes chamados gusuku.

A ilha principal de Ryukyu ficou sob o domínio de três grandes clãs – Sanboku, Sannan e Chûzan –, cujos líderes se declararam reis no século XIV. Essa era de três reis continuou até o xogum de Chûzan, Shô Hashi, unificar o país e instituir o Reino de Ryukyu, no início do século XV. O clã Shô conseguiu fazer com que o país prosperasse por meio do comércio com nações vizinhas, subordinando-se à dinastia Ming (1368~1644). A rota de comércio do Reino de Ryukyu expandiu-se das ilhas do Sudeste Asiático até além do Estreito de Málaca, com o comércio de diversas mercadorias como marfim, especiarias e cavalos.

Com a perda de poder da dinastia Ming, em meados do século XVI, comerciantes chineses e japoneses passaram a desenvolver comércio diretamente com o Sudeste Asiático. Para o reinado Ming, tornou-se difícil controlar o tráfego dos navios pelos mares e desenvolver o comércio exterior. Assim, o Reino de Ryukyu também começou a declinar.

O povo de Ezo

Ao norte do Japão, habitava um povo que não se submeteu ao poder da corte de Yamato, denominado ezo ou emishi. Entre os séculos XIV e XV, esse povo atravessou o Estreito de Tsugaru e habitou o sul de Hokkaido. Eles eram chamados de wajin pelos ainos, os nativos da ilha. À medida que os wajin adquiriam poder, surgiam conflitos com os ainos. Em 1457, aconteceu uma rebelião dos ainos contra os wajin, comandada por Koshamain ( ? ~ 1457). O episódio foi contido pela tropa japonesa, e seu líder foi morto numa emboscada.

Pode-se dizer, assim, que a Era Muromachi coincidiu com a época em que o mundo despertou para a expansão externa.

 
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