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Arquivo NippoBrasil - Edição 270 - 11 a 17 de agosto de 2004
 
• Era Heian (Parte 1)
Os grandes latifúndios
Para fugir da miséria, os camponeses procuraram refúgio nos shôen, terras originárias do aumento da população e da conseqüente falta de terreno para distribuição entre os habitantes
 

Arquivo NippoBrasil

Chama-se Era Heian o período que se inicia em 794, com a mudança da capital para a cidade de Heian (atual Quioto), até 1185, quando Yoritomo, chefe do clã Minamoto, instala-se em Kamakura (atual província de Kanagawa). Ao todo, foram praticamente 400 anos nos quais a nobreza reinou com requinte e glamour.


GUARDAS - Os arqueiros eram responsáveis pelo policiamento do Palácio Imperial

Política
No final da Era Nara (710~794), para tentar fugir da vida miserável, os camponeses procuraram refúgio nos latifúndios dos nobres, em grandes templos e em clãs regionais, ou abandonaram suas terras e optaram por uma vida sem rumo. Os latifúndios eram chamados de shôen e surgiram como resultado da flexibilização das leis que norteavam o sistema político de ritsuryô.

Os shôen originaram-se do aumento da população e da conseqüente falta de terreno para distribuição entre os habitantes. Para solucionar a falta de terras públicas produtivas, a corte abrandou as leis do ritsuryô e permitiu a privatização dos terrenos para exploração, expedindo a lei que isentava o pagamento de impostos sobre os terrenos recém-explorados. Assim, templos xintoístas e budistas, clãs regionais e nobres foram ampliando cada vez mais os seus shôen, tendo à disposição maior número de mão-de-obra e de utensílios agrícolas. Entre os pequenos proprietários, alguns optaram por doar suas terras para grandes senhores de shôen, a fim de se tornarem funcionários públicos e administradores dos latifúndios.

Com dificuldades, os camponeses venderam suas terras aos nobres, aos templos e aos grandes clãs, transformando-se em arrendatários. Assim, buscavam livrar-se do pesado imposto, que passou a ser responsabilidade do senhor do shôen, cabendo aos arrendatários o pagamento de um pequeno tributo fundiário anual ao senhor das terras. Isso diminuiu o arrecadamento de impostos e afetou o cofre público. A corte cobrava impostos sobre as terras, e não sobre a pessoa física. Entretanto, a falta de autoridade dos kokushi (espécie de governador) estimulou os senhores de terras a encontrarem formas de impedir a entrada daqueles em suas propriedades, agindo à revelia do governo ao não pagarem impostos e exercerem o direito de policiamento dentro dos shôen. Os senhores de terras ficavam em Quioto, enquanto seus administradores tomavam conta dos shôen. Recebendo treinamento voltado para o combate militar, esses administradores organizavam-se em grupos chefiados por herdeiros de famílias nobres, que, mais tarde, dariam origem à classe dos samurais.

Economia
Além da economia monetária, em fins dos séculos X e XI, a agricultura teve o impulso do desenvolvimento tecnológico. Os utensílios de ferro, anteriormente exclusivos de nobres e senhores de terras, foram popularizados, chegando aos camponeses. Bois e cavalos passaram a ser utilizados na agricultura e, como fertilizante, iniciou-se o emprego do adubo animal, além do capim e das cinzas. Tudo isso aumentou a produção das colheitas. As atividades madeireira e pesqueira também foram intensificadas nesse período.

A ascensão da família Fujiwara
Descendente de Nakatomi-no-Kamatari (posteriormente Fujiwara-no-Kamatari), que contribuiu para a consolidação da Reforma de Taika, a família Fujiwara ampliou o seu poder político respaldada pela fortuna proveniente de seu imenso shôen. Fujiwara-no-Michinaga (966~1027) conseguiu a façanha de casar suas cinco filhas com imperadores. Na qualidade de parente afim, ele tornou-se regente do neto (sesshô) e, após o crescimento do imperador, tornou-se plenipotenciário (kanpaku). Assim, foi introduzido o sistema de governo com participação indireta do imperador.

Extinção de kentô-shi (missão a Tang)


UDAJIN - Sugawara-no- Michizane, considerado até hoje deus dos estudos e da sabedoria

Com o enfraquecimento político da dinastia reinante na China, as missões a Tang foram suspensas. A chegada constante de navios carregados de mercadorias todos os anos ao Japão permitia a absorção de novos conhecimentos por meio dos mercadores. Assim, o fim das missões representava também economia de gastos e riscos. A extinção de kentô-shi partiu de Sugawara-no-Michizane (845~903), conhecido até hoje como o deus dos estudos e da sabedoria. Michizane foi um estudioso que chegou ao grau máximo da hierarquia, ou seja, udajin (primeiro-ministro). O comércio com a China voltaria a intensificar-se cinqüenta anos depois, já na dinastia Sung.

Sugawara-no-Michizane tornou-se vítima de uma conspiração da poderosa família Fujiwara e foi deportado para a comarca do norte da ilha de Kyushu, o forte de Dazai (atual província de Fukuoka), onde faleceu. Posteriormente, espalhou-se a crença de que sua alma, injustiçada em vida, trouxe doenças à capital, forçando a criação de muitos templos xintoístas, a fim de acalmar sua suposta fúria e deter a praga. Ainda hoje, muitos estudantes fazem romaria a esses templos para pedir a graça de Michizane e obter bons resultados nos estudos.

 

Enquanto isso, no mundo…

800 – Explosão do Monte Fuji (O Monte Fuji iniciou o seu processo de formação há dez mil anos, aproximadamente).

800 – Carlos Magno, rei dos francos, é coroado Imperador do Ocidente (Sacro Império Romano – 800 a 814)

813 – A ciência se desenvolve na Arábia. Principalmente os estudos dos números, da medicina, da astronomia e da filosofia.

830 – O conceito do zero e do sistema decimal passa a ser usado pelos filósofos árabes.

845 – Imperador Wu-Sung, da Dinastia Tang, proíbe o budismo em toda a China, perseguindo fiéis por meio de uma medida adotada para evitar a redução no recolhimento dos impostos, que estava causando um rombo no cofre público. Para não pagar impostos, o povo refugiou-se em templos budistas e muitos se tornaram monges. Essa medida foi adotada devido ao conflito com o taoísmo. Foram fechados 4.600 templos e 260 mil monges abandonaram suas funções.

862 – Cria-se o primeiro Estado Russo.

1054 – A Igreja Católica Romana e a Igreja Ortodoxa Grega se separam.

1099 – Os primeiros cruzados invadem Jerusalém. Para recuperar a Terra Santa, islamitas morrem em um grande massacre.

1179 – O papado reconhece o reino de Afonso I, de Portugal.

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