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Arquivo NippoBrasil - Edição 200 - 2 a 8 de abril de 2003
 
Kobutori jiji
O velhinho que perdeu seu calombo

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Era uma vez um velhinho que tinha um enorme calombo pendurado na bochecha esquerda. Essa saliência que parecia um tumor pendente, sempre o incomodou durante muitos e muitos anos. Desde criança tinha o calombo e muitas vezes foi motivo de chacota dos meninos da aldeia. Comentavam no lugarejo que a princípio era um atama no kobu (galo na cabeça) provocado durante uma queda, onde o menino teria caído de cabeça do telhado da casa. E mais tarde, a medida que ele foi crescendo o kobu foi descendo até chegar a bochecha. Mas tudo isso eram especulações que o povo inventava, pois nem os médicos, nem os sacerdotes sabiam dizer, a origem daquela enorme pelota pendurada no rosto do ancião.

Durante toda sua vida o homem tentou mil simpatias que a vizinhança lhe sugeria, como esfregar pedra de rio na noite de finados, passar sumo de berinjela cortado em lua cheia, amarrar o calombo com fio de palha de arroz durante a tempestade, ou até lambuzar a cara com excremento de galinha. Mas nada disso adiantou. Por outro lado, os médicos não cortavam fora o calombo, com medo que isso lhe custasse à vida, conforme previra um monge.

Na verdade não havia como o velhinho se livrar do calombo. O único consolo do bom velhinho era que na aldeia existia outro velhinho com um calombo do mesmo tamanho na face direita. Porém para esse outro velhinho ninguém dava conselhos, pois tinha fama de ser avarento, mesquinho, mal humorado e por isso quase não tinha amigos.

Certo dia quando o bom velhinho recolhia lenha na montanha, foi surpreendido por uma repentina tempestade. Para se proteger, abrigou-se no tronco oco de uma enorme árvore.

Enquanto esperava a chuva passar, bem acomodado como estava, acabou pegando no sono. Dormiu por algum tempo e nem percebeu que a chuva tinha passado. No meio da noite foi despertado por uma algazarra de vozes. Deu uma espiada e levou um grande susto. Haviam sete oni vermelhos (demônios) bebendo e contando piadas sobre seres humanos.

O velhinho ficou todo encolhido no oco da árvore, até respirando com cuidado para que os demônios não percebessem sua presença. A certa altura dos acontecimentos, os demônios bastante embriagados, começaram a cantar e dançar em roda. Marcavam o ritmo com as palmas das mãos numa alegre algazarra. O velhinho, que adorava dançar e tinha fama de bom dançarino, começou a observar com curiosidade. Logo percebeu que os demônios eram desengonçados para dançar. Depois de dançarem bastante o chefe dos demônios comentou:

- Vocês dançam sempre do mesmo modo, já estou enjoado dessa repetição. Será possível que ninguém conhece outro tipo de dança?

O velhinho que tinha verdadeira paixão pela dança, não resistindo mais ficar quietinho em seu lugar, num impulso momentâneo, saiu de seu abrigo dançando e cantando, assim foi para o meio da roda.
Os demônios ficaram surpreendidos com a presença do intruso e se perguntavam:

- Que diabo é isso? De onde apareceu essa coisa?
- É um velhinho humano!
O velhinho percebeu então que corria grande perigo, porém já era tarde. Traído pelo amor à dança, estava prestes a “dançar”. Nisso o chefe dos demônios fez um comentário:

- Esse velhinho humano é bom de dança!
Percebendo que sua arte poderia lhe salvar a vida, o velhinho caprichou nos gestos e mostrou tudo que sabia com entusiasmo de um artista. No final os demônios o felicitaram pelo desempenho e oferecem uma tigela de sake (vinho de arroz).
- Quero que amanhã a noite venha dançar para nós. Meus subordinados precisam aprendeu sua dança maravilhosa. Prometa que virá. Disse o chefe dos demônios.

- Prometo que amanhã estarei aqui e vou apresentar outras danças muito divertidas. Respondeu o velhinho.
Nisso um dos demônios observou:
- Promessa de ser humano é o mesmo que nada, chefe. É melhor pegar uma garantia dele. Vamos ficar com o machado e ele não poderá cortar lenha se não vier dançar para nós.

- Machado ele compra outro e não vai adiantar nada. Tenho uma idéia melhor. Vamos ficar com esse adereço que ele tem na bochecha. Sem isso ele perde sua identidade e vai ficar como um ser humano qualquer.

Todos os demônios riram de modo sarcástico aprovando a grande idéia do chefe. Coitado do velhinho, ia perder o que tinha de mais precioso, se não voltasse para dançar na noite seguinte.

Assim num gesto mágico, sem sangue nem dor, o demônio arrancou o calombo do velhinho.
- Volte amanhã à noite e nós te devolveremos esse adereço.

Assim que amanheceu o velhinho chegou a aldeia. Todos ficaram surpresos ao verem que o calombo havia desaparecido sem deixar cicatriz. O velhinho ganacioso que também tinha calombo na face, ficou doido para saber como tinha conseguido tal façanha, que nem os médicos conseguiam.

O bom velhinho contou tudo que aconteceu, prevenindo-o que poderia ser perigoso encontrar com os demônios. Porém o velhinho avarento que também queria se livrar do calombo subiu a montanha. Encontrando o tronco oco, tratou de se acomodar nele a espera da noite.

Mais uma vez os demônios chegaram à clareira e começaram a beber e contar piadas de seres humanos. Nisso o velhinho avarento que estava escondido no tronco apareceu e começou a dançar. Como estava com um lenço cobrindo a cabeça os demônios não reconheceram que se tratava de outra pessoa. Porém logo os demônios perceberam que ele estava dançando muito mal e começaram a reclamar.

- Está péssimo. Parece que desaprendeu a dançar.
- Ei velhinho, por que não dança como ontem?

- Chega dessa dança medíocre. Acho que ontem você dançou quando já estávamos bêbados e pensamos que você dançava bem. Vá embora, desapareça daqui. Leve seu penhor. Assim dizendo o chefe dos demônios, pregou o calombo que tinha guardado na noite anterior na face esquerda do falso dançarino.

O velhinho avarento tentou explicar que aquele calombo não era dele, porém era tarde. Os demônios deram lhe um ponta-pé, expulsando-o.

Assim o velhinho que não tinha a arte da dança ficou com dois calombos para o resto da vida.

 
Adaptação livre de Claudio Seto

 

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