Portal NippoBrasil - OnLine - 19 anos
Sábado, 27 de novembro de 2021 - 5h22
  Empregos no Japão

  Busca
 

SEÇÕES
Comunidade
Opinião
Circuito
Notícias
Agenda
Dekassegui
Entrevistas
Especial
-
VARIEDADES
Aula de Japonês
Automóveis
Artesanato
Beleza
Bichos
Budô
Comidas do Japão
Cultura-Tradicional
Culinária
Haicai
História do Japão
Horóscopo
Lendas do Japão
Mangá
Pesca
Saúde
Turismo-Brasil
Turismo-Japão
-
ESPORTES
Copa 2014
-
ESPECIAIS
Imigração
Tratado Amizade
Bomba Hiroshima
Japan House
Festival do Japão
-
COLUNAS
Conversando RH
Mensagens
Shinyashiki
-
CLASSIFICADOS
Econômico
Empregos BR
Guia Profissionais
Imóveis
Oportunidades
Ponto de Encontro
-
INSTITUCIONAL
Redação
Quem somos
-
 
O cúmulo da cortesia

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Nintoku Tenno que reinou entre os anos 313 a 399 foi um dos maiores imperadores da época proto-histórica do Japão. Conta a tradição que antes dele subir ao trono, houve uma homérica competição de modéstia e cortesia entre ele, príncipe Ohosazaki, e seu meio irmão, o Príncipe Herdeiro que residia no castelo de Uji. Foram necessários três longos anos, para os príncipes decidirem quem não seria o imperador. Isso porque, apesar do trono estar vazio, cada qual se achava menos apto de tornar-se o grande mandatário do País que o outro.

Naqueles dias, numa aldeia próxima de Naniwa, um pescador apanhou um peixe excepcionalmente grande e resolveu fazer uma cortesia ao imperador. Colocou esse peixe em um cesto e alguns menores em outro, cada cesto na extremidade de um pau, para balancear o peso. Assim, com os cestos equilibrados no ombro e seguido por mais meia dúzia de pescadores, dirigiu-se orgulhoso ao palácio em Naniwa para fazer sua oferenda.

Na portaria do palácio de Naniwa disseram ao pescador que levasse o peixe ao palácio de Uji, pois ali morava o imperador. Os pescadores percorreram em fila indiana, entre um palácio e outro e foram recebidos com grande cortesia no palácio de Uji.

Quando souberam do que se tratava, o príncipe de Uji pessoalmente lhes disse:

- Se querem presentear o imperador com esse magnífico peixe, por favor, levem para meu irmão no palácio de Naniwa. Ele é o Imperador.

Os pescadores novamente puseram o pé na estrada e foram para Naniwa. Sabendo que seu irmão recomendara pessoalmente que os peixes fossem entregues a ele, o príncipe Ohosazaki, disse com toda modéstia e cortesia:

- Eu, Imperador? Imagine uma coisa desta, sou indigno para tão grande honraria. Meu irmão sim, ele é o Imperador. Portanto, por favor, senhores pescadores, levem o peixe para ele com meus votos de grande estima e consideração.

Como o príncipe de Naniwa acrescentou ao peixe seus votos de estima, os pescadores se viram obrigados a levar o presente e o recado ao príncipe de Uji. Assim percorreram mais uma vez, a estrada que cortava vilas e arrozais.

Chegando no palácio de Uji, novamente foram mandados a Naniwa. E assim como bolinha de tênis, iam e vinham de palácio à palácio. Enquanto isso os peixes foram apodrecendo e a comitiva de pescadores puxa-sacos, deixava rastro de mau cheiro por onde passavam.

O Nihongi, o segundo livro mais antigo do Japão, conta que essa interminável competição às avessas, estava se eternizando e não chegaria a parte alguma. Então, o príncipe herdeiro disse antes de cometer suicídio: “Cheguei a conclusão que não é possível mudar a decisão de meu irmão. Enquanto eu estiver vivo ele achará que o trono é meu. Não devo mais causar problemas ao Império”.

É o cúmulo da cortesia. O príncipe herdeiro se mata para dar lugar ao seu irmão.

Quando o príncipe Ohosazaki (futuro imperador Nintoku) recebeu a notícia que seu meio irmão Príncipe Herdeiro morreu, ficou chocado. Foi para o palácio de Uji a cavalo. Diante do defunto bateu em seu peito, gritou e gemeu, expressando grande desespero.

Em seguida desatando o nó de seu cabelo e sentando-se sobre o cadáver, chamou pelo meio irmão três vezes, sacudindo-o pela gola.

- Meu irmão príncipe! Meu irmão príncipe! Meu irmão príncipe!
De repente o príncipe herdeiro voltou a vida e levantou-se. Então o príncipe Ohosazaki indagou:

- Ah! Que desgraça! Quanta tristeza! Por que fostes embora por sua própria vontade? O que pensará de mim no outro mundo o espírito do Imperador, nosso pai?

- Este é o meu destino. Ninguém poderia me deter. Se eu chegar a morada de meu pai, direi sem nada omitir, que meu irmão mais velho é um sábio e que muitas vezes tentou me ceder o trono - respondeu o Príncipe Herdeiro.

- Fico sem palavras diante de tanta cortesia.

- Cortesia fizestes Vossa Alteza, vindo de tão longe para me ver. Quero que aceite o símbolo de minha eterna gratidão.
Dizendo isso, o príncipe herdeiro ofereceu a sua irmã mais nova, nascida da mesma mãe, a princesa Yata.

- Creio que ela não é digna de se tornar sua imperatriz, mas honre-a tendo entre as damas da corte.
Depois, o Príncipe Herdeiro voltou à esquife e morreu de novo.

 
Adaptação livre de Claudio Seto

Arquivo NippoBrasil - Edição 318 - 6 a 12 de julho de 2005
Lendas do Japão
Arquivo Nippo - Edição 320
O Tengu Azul e o Tengu Vermelho
Arquivo Nippo - Edição 318
O cúmulo da cortesia
Arquivo Nippo - Edição 316
O desejo de visitar o Grande Santuário de Ise e morrer
Arquivo Nippo - Edição 314
Hachizuke, o deus Inari
Arquivo Nippo - Edição 312
Kin no kamikazari
Arquivo Nippo - Edição 310
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Parte 2
Arquivo Nippo - Edição 308
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 306
O incêndio de furisode
Arquivo Nippo - Edição 304
Um lírio de 33 flores
Arquivo Nippo - Edição 302
Ôoka Tadasuke e o caso do cheiro roubado
Arquivo Nippo - Edição 300
Zashiki Warashi
Arquivo Nippo - Edição 298
A Tartaruga e a Garça (Kame-san to Tsuru-san)
Arquivo Nippo - Edição 296
O Kozo e a Yamanbá
(parte final)
Arquivo Nippo - Edição 294
O Kozo e a Yamanbá
(parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 292
A história de Shiro (Parte final)
Arquivo Nippo - Edição 290
A história de Shiro (Parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 288
A bela mulher do desenho
(Parte Final)
Arquivo Nippo - Edição 286
A bela mulher do desenho
(Parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 284
A lenda do Nobre Galo
Arquivo Nippo - Edição 282
O rei das trutas iwana
Arquivo Nippo - Edição 280
O gato assombrado de Nabeshima
Arquivo Nippo - Edição 278
Tanokyu e a serpente gigante
Arquivo Nippo - Edição 276
Anchin e Kiyohime
Arquivo Nippo - Edição 274
O legendário Hidesato
Arquivo Nippo - Edição 272
A princesa Peônia
- Parte Final
Arquivo Nippo - Edição 270
A princesa Peônia
- Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 268
A tennin e o pescador
Arquivo Nippo - Edição 266
Kitsune Tokoya
Arquivo Nippo - Edição 264
A Gata Encantada
Arquivo Nippo - Edição 262
Kinuhime, a deusa da seda
Arquivo Nippo - Edição 260
Os ratos sumotoris
Arquivo Nippo - Edição 258
A origem da estrela-do-mar
Arquivo Nippo - Edição 256
O leque mágico
Arquivo Nippo - Edição 254
Guengoro e o tambor encantado
Arquivo Nippo - Edição 252
O nascimento de Zenshi no Mikoto
Arquivo Nippo - Edição 250
Toguênkyo - Parte Final
Arquivo Nippo - Edição 248
Toguênkyo - Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 246
Warashibe Choja - Parte 2
Arquivo Nippo - Edição 244
Warashibe Choja - Parte 1


A empresa responsável pela publicação da mídia eletrônica www.nippo.com.br não é detentora de nenhuma agência de turismo e/ou de contratação de decasségui, escolas de línguas/informática, fábricas ou produtos diversos com nomes similares e/ou de outros segmentos.

O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade exclusiva do anunciante. Antes de fechar qualquer negócio ou compra, verifique antes a sua idoneidade. Veja algumas dicas aqui.

© Copyright 1992 - 2021 - NippoBrasil - Todos os direitos reservados