Portal NippoBrasil - OnLine - 19 anos
Sexta-feira, 25 de setembro de 2020 - 21h18
  Empregos no Japão

  Busca
 

SEÇÕES
Comunidade
Opinião
Circuito
Notícias
Agenda
Dekassegui
Entrevistas
Especial
-
VARIEDADES
Aula de Japonês
Automóveis
Artesanato
Beleza
Bichos
Budô
Comidas do Japão
Cultura-Tradicional
Culinária
Haicai
História do Japão
Horóscopo
Lendas do Japão
Mangá
Pesca
Saúde
Turismo-Brasil
Turismo-Japão
-
ESPORTES
Copa 2014
-
ESPECIAIS
Imigração
Tratado Amizade
Bomba Hiroshima
Japan House
Festival do Japão
-
COLUNAS
Conversando RH
Mensagens
Shinyashiki
-
CLASSIFICADOS
Econômico
Empregos BR
Guia Profissionais
Imóveis
Oportunidades
Ponto de Encontro
-
INSTITUCIONAL
Redação
Quem somos
-
 
Tanokyu e a serpente gigante
 
 

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Há muitos e muitos anos, havia, na capital do Japão, um ator de teatro chamado Tanokyu. Certa ocasião, foi procurado por um vendedor viajante, que trouxe a notícia de que sua mãe estava com grave doença. Tanokyu teve então que largar tudo e voltar para casa, que ficava numa aldeia distante. Caminhou por vários dias até chegar numa casa de chá no sopé de uma montanha. Nesse momento, como já começava a anoitecer, o velho proprietário da casa deu um conselho ao jovem ator.

– Não cruze a montanha à noite, pois existe uma enorme serpente encantada que vive devorando as pessoas que por lá passam.

Embora ciente do perigo, Tanokyu, resolveu cruzar a montanha, pois estava muito preocupado com a saúde de sua mãe. No íntimo, ele sempre se culpava por ter deixado sua mãe sozinha e ter ido para a capital atrás de seu sonho de artista. Agora, estava preocupadíssimo, pois lhe informaram que a doença dela poderia ser fatal. Ele sabia que se sua mãe viesse a falecer sozinha, na casinha da roça, ele jamais se perdoaria. Se ele tivesse dinheiro para levá-la à capital, tudo seria diferente.

Enquanto refletia sobre sua vida e a da sua mãe, com passos apressados foi atravessando o pequeno caminho que cortava a montanha. No meio da escuridão, percebeu que algo se movia. O ator parou tremendo de medo. O vulto veio em sua direção até que, pela luz do luar filtrada entre as árvores, pôde ver que se tratava de um homem muito grande. Um yamabushi, asceta mago da montanha, praticante da seita Shuguendô.

– Quem é você? – perguntou o yamabushi.
– Ta...Ta...Tanokyu – respondeu o ator, tremendo de medo.

– Tanuki?! – perguntou o homem grande. Ele havia confundido Tanokyu com Tanuki (texugo).
O tamanho avantajado do religioso era assustador. Tanokyu nem tentou corrigir a confusão, pois, passando por um texugo encantado, talvez estivesse mais seguro. Afinal, aquele brutamonte poderia ser um bandido disfarçado de religioso.

– Nossa! Sua transformação em forma humana está perfeita! – disse o yamabushi – vocês, tanukis, são famosos por praticar ilusionismo e enganar os humanos. Gostaria que você desse uma demonstração de seu poder de transformação na minha frente.

Tanokyu pensou que estava perdido, mas lembrou que, como ator, em cena fazia papel feminino e, assim, tirou umas roupas de seus embrulhos e, num piscar de olhos, transformou-se numa jovem mulher.

O grandalhão gostou do truque e aplaudiu. Em seguida, disse a Tanokyu, que ele, por sua vez, mostraria a sua forma original tirando o disfarce de yamabushi. Assim, despindo seus trajes, surgiu uma enorme serpente. Tanokyu quase desmaiou de susto. Vendo Tanukyu tremendo de medo, a serpente disse:
– Não precisa ficar receoso, eu não como texugos, só seres humanos.

Passado o susto inicial, Tanokyu começou a fumar para relaxar um pouco. Precisava mostrar-se calmo diante da grande serpente. Porém, quem começou a tremer desta vez foi a serpente.
– Pare de fumar, não suporto o cheiro da fumaça de fumo. Me sinto mal, tenho verdadeiro pavor de cigarro. Porém, jure que não vai contar este meu segredo para os humanos da aldeia. Se você me trair, vou te castigar devidamente.

Após pensar um pouco, o ator disse:
– Já que você confidenciou seu segredo, vou contar o meu. Tenho verdadeiro pavor de dinheiro. Não posso ver dinheiro que me sinto mal e fico doente.

Assim dizendo, continuou a caminhada e atravessou a montanha. Na manhã seguinte, já estava na aldeia onde morava sua mãe. Tanokyu reuniu o povo da aldeia e contou o segredo da apavorante serpente que devorava o povo daquele vilarejo. As pessoas aprenderam que podiam atravessar a montanha sem receio, desde que estivessem fumando. Desse dia em diante, a serpente nunca mais atacou ninguém no caminho que cortava a montanha.

A grande serpente, então zangada, resolveu vingar-se de Tanokyu. Numa noite, chegou sorrateiramente perto da casa da mãe dele e despejou um monte de dinheiro para apavorar o ator.

Tanokyu tornou-se o homem mais rico da aldeia. Com o dinheiro, contratou os melhores médicos da região, e sua mãe ficou completamente curada. Neste mesmo ano, mudou-se com sua mãe para capital e tornou-se um ator de sucesso. Conta a lenda urbana de Edo (antiga Tóquio) que toda vez que Tanokyu se apresentava, havia, na primeira fila da platéia, um velhinha que não se cansava de aplaudir o filho.

 
Adaptação livre de Claudio Seto

Arquivo NippoBrasil - Edição 278 - 6 a 12 de outubro de 2004
Lendas do Japão
Arquivo Nippo - Edição 290
A história de Shiro (Parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 288
A bela mulher do desenho
(Parte Final)
Arquivo Nippo - Edição 286
A bela mulher do desenho
(Parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 284
A lenda do Nobre Galo
Arquivo Nippo - Edição 282
O rei das trutas iwana
Arquivo Nippo - Edição 280
O gato assombrado de Nabeshima
Arquivo Nippo - Edição 278
Tanokyu e a serpente gigante
Arquivo Nippo - Edição 276
Anchin e Kiyohime
Arquivo Nippo - Edição 274
O legendário Hidesato
Arquivo Nippo - Edição 272
A princesa Peônia
- Parte Final
Arquivo Nippo - Edição 270
A princesa Peônia
- Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 268
A tennin e o pescador
Arquivo Nippo - Edição 266
Kitsune Tokoya
Arquivo Nippo - Edição 264
A Gata Encantada
Arquivo Nippo - Edição 262
Kinuhime, a deusa da seda
Arquivo Nippo - Edição 260
Os ratos sumotoris
Arquivo Nippo - Edição 258
A origem da estrela-do-mar
Arquivo Nippo - Edição 256
O leque mágico
Arquivo Nippo - Edição 254
Guengoro e o tambor encantado
Arquivo Nippo - Edição 252
O nascimento de Zenshi no Mikoto
Arquivo Nippo - Edição 250
Toguênkyo - Parte Final
Arquivo Nippo - Edição 248
Toguênkyo - Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 246
Warashibe Choja - Parte 2
Arquivo Nippo - Edição 244
Warashibe Choja - Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 242
O nome da gata
Arquivo Nippo - Edição 240
O Perfeito Macaco-Rei
Arquivo Nippo - Edição 238
Cesto cheio de água
Arquivo Nippo - Edição 236
O Macaco e a Água Viva - Parte Final
Arquivo Nippo - Edição 234
O Macaco e a Água Viva - Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 232
O Mestre da Sabedoria
Arquivo Nippo - Edição 230
Zuiten
Arquivo Nippo - Edição 228
O Dia Seguinte
Arquivo Nippo - Edição 226
A Estátua e os Macacos
Arquivo Nippo - Edição 224
O fruto da cor de ouro
Arquivo Nippo - Edição 222
Espelho de Matsuyama - Parte 2
Arquivo Nippo - Edição 220
Espelho de Matsuyama - Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 218
Shinguen e o Egoísmo
Arquivo Nippo - Edição 216
Ki o niguiru meiso
(Meditar com o bonsai)
Arquivo Nippo - Edição 214
O bambu e a correnteza


A empresa responsável pela publicação da mídia eletrônica www.nippo.com.br não é detentora de nenhuma agência de turismo e/ou de contratação de decasségui, escolas de línguas/informática, fábricas ou produtos diversos com nomes similares e/ou de outros segmentos.

O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade exclusiva do anunciante. Antes de fechar qualquer negócio ou compra, verifique antes a sua idoneidade. Veja algumas dicas aqui.

© Copyright 1992 - 2020 - NippoBrasil - Todos os direitos reservados