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O incêndio de furisode
 

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Em meados do século XVII, havia em Edo (atual Tóquio) uma linda garota de nome Osame, que era filha de um rico comerciante chamado Hikoyemon. Esse comerciante era distribuidor de um saquê famoso da marca Hyakushô-machi, e seu depósito ficava no distrito de Azabu.

Certa ocasião, Osame foi a um festival num templo e ficou apaixonada por um belo e elegante samurai. Infelizmente para ela, o jovem desapareceu na multidão antes que os empregados de seu pai pudessem descobrir de quem se tratava e de onde teria vindo.

Foi amor à primeira vista. Os dias passaram-se, mas a imagem do jovem guerreiro ficou impregnada na memória da garota. Desde o rosto jovial até as cores e detalhes de seu traje, tudo lhe pareceu extremamente maravilhoso. Então a garota mandou confeccionar para ela um quimono de mangas longas com as mesmas cores do traje do rapaz. Ela tinha esperança de chamar a atenção dele quando o encontrasse, numa ocasião futura. Quando o quimono ficou pronto, ela o deixou armado sobre um cabide e ficava imaginando o seu príncipe encantando acariciando o traje. Às vezes, passava horas e horas pedindo a Buda que proporcionasse um encontro com seu sonhado amor e freqüentemente repetia a invocação da seita do budismo Nichiren: Namu myo ho rengue-kyo. Mas, apesar de procurar por todos os cantos da cidade vestindo seu furisode (quimono de mangas longas), nunca mais viu o rapaz.

Desgostosa e sentindo-se extremamente solitária, adoeceu, foi definhando e morreu tempos depois. Durante o velório, ela trajava o furisode, mas, depois de cremada, conforme costume da época, a veste de mangas longas foi doada ao templo budista Honmyoji, do distrito de Hongo. Era uma maneira de os fiéis ajudarem na manutenção do templo, pois o monge podia vender o traje a um bom preço, já que se tratava de uma roupa de seda pura.

De fato, o furisode foi comprado na semana seguinte por uma mocinha com mais ou menos a mesma idade de Osame. A nova proprietária do furisode usou-o apenas um dia, ficou doente e começou a agir estranhamente, gritando que estava tendo visões de um jovem bonito e que iria morrer por amor a ele. Dias depois, realmente veio a falecer.

O quimono de mangas longas pela segunda vez foi doado ao templo. E, uma vez mais, o monge vendeu-o a uma mocinha, que o usou apenas uma vez. Ela disse estar tendo visões de um belo rapaz e morreu também. A vestimenta foi doada pela terceira vez ao templo. O monge começou a suspeitar de que havia algo de estranho naquele furisode.

Então, uma garota com mais ou menos da mesma idade das outras insistiu na compra do quimono. O monge acabou vendendo-o. A tragédia repetiu-se, e o furisode foi doado pela quarta vez ao templo.

Então, o monge não teve mais dúvidas. Aquele furisode estava tomado por uma força maligna. Chamou seus auxiliares e mandou fazer uma fogueira para queimar o quimono. Assim que fizeram a fogueira, a veste foi jogada nas chamas. O monge rezava com grande fervor para espantar a força do mal:

– Namu myo ho rengue-kyo! Namu myo ho rengue-kyo!

De repente, uma labareda subiu da fogueira e pegou fogo na madeira do telhado do templo. Nesse momento, um vendaval soprou sobre a cidade, e o fogo espalhou-se por várias casas, de rua em rua, de distrito em distrito, e quase toda cidade foi consumida pelas chamas. Existe outra versão desta mesma história que conta que, quando o monge botou fogo no furisode, a veste em chamas saiu correndo pelas ruas e espalhou o fogo pela cidade.

 
Comentário

Esta é a versão popular do grande incêndio da capital japonesa ocorrida no dia 18 de janeiro de 1657, que matou 10 mil pessoas. O incêndio ficou conhecido como Furisode Kaji e foi registrado num antigo livro chamado Kubin Daijin.

 
Adaptação livre de Claudio Seto

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