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A bela mulher do desenho (parte final)

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

No capítulo anterior, Heiroku, um modesto porém esforçado lavrador, casou-se com uma bela moça, após a morte de seus pais. Entretanto, por não conseguir se separar da esposa, pela qual era extremamente apaixonado, carregava no bolso um desenho da mulher, feito por ela própria, o qual olhava sempre que sentia saudade durante seu trabalho na roça. Um dia, o desenho saiu voando e chegou ao castelo do governador da província que, impressionado com a beleza da moça do desenho, mandou que seus guerreiros a procurassem e a trouxessem para o palácio. Heiroku ficou arrasado quando os samurais levaram sua amada esposa.

Sozinho, sem seu grande amor, a vida perdeu todo o sentido para Heiroku. Ele ia diariamente à roça, mas ficava mais lamentando que trabalhando. Plantou as sementes de pêssegos, como pediu sua mulher. O pedido foram as últimas palavras que ouvira dela.

Três anos se passaram, e os pessegueiros começaram a dar frutos. Heiroku encheu a cesta de pêssegos e levou-os para vender na cidade, que ficava ao redor do castelo.
– Olhem os pêssegos, comprem os pêssegos que nasceram das sementes do amor.

Naquela mesma hora, no salão nobre do castelo, estava havendo um concerto musical. Uma dama da corte dedilhava com maestria as cordas de um koto (harpa japonesa). Apesar de a música ser encantadora, o governador estava chateado, porque a bela mulher que ele mandou trazer à força, não havia dado um sorriso sequer nestes três anos de permanência.
A voz de Heiroku sobrevoou os muros do castelo e chegou ao salão nobre. Ao ouvir a voz do vendedor de pêssegos, a bela mulher sorriu. Notando o sorriso dela, o governador exclamou:
– Milagre! Ela sorriu! Sorriu pela primeira vez! Sorrindo, ela é mais bela ainda!

Imediatamente, o governador ordenou que trouxessem o vendedor de pêssegos para dentro do castelo.

– Jovem, acho que você conseguiu fazer um milagre. Quero que repita o que estava gritando para confirmar o milagre.
Heiroku ficou emocionado ao ver a sua amada, porém teve que controlar seu impulso para não se trair. Fingindo que não conhecia a esposa, ele gritou:

– Olhem os pêssegos, comprem os pêssegos que nasceram das sementes do amor.
A bela mulher sorriu alegremente, seu semblante irradiava felicidade. O governador ficou muito impressionado, queria que ela sorrisse para ele e ordenou ao vendedor de pêssegos:
– Vamos trocar de roupa, quero a cesta também.

Heiroku tirou sua pobre e surrada roupa e deu-a para o governador. Este vestiu-a imediatamente e, apanhando a cesta de pêssegos, começou a andar gritando:

– Olhem os pêssegos, comprem os pêssegos que nasceram das sementes do amor.
Entusiasmado porque a bela mulher sorria sem parar, o governador saiu andando a gritar satisfeito. Em seguida, resolveu dar uma volta na cidade. Atravessou o portão do castelo, e o guarda não percebeu de quem se tratava. Assim, ganhou as ruas gritando e divertindo-se com a situação em que se metera.

Depois de andar algumas horas, resolveu voltar ao seu castelo. Como a entrada estava fechada, gritou ao guarda que abrisse o portão.
– Porteiro, abra imediatamente esse portão, estou de volta.

O porteiro, vendo por cima do muro aquele pobre e maltrapilho vendedor de pêssegos querendo lhe dar ordens, ficou furioso.
– Que atrevimento é esse?! Um vendedor de pêssegos querendo dar ordens a um samurai? Suma daqui, senão lhe corto o pescoço.

– Eu sou o governador, seu idiota. Será que além de burro você é cego?
– Saiba que o governador está finalmente de amores com sua bela esposa. Em frente da sua alcova existe, neste momento, uma placa dizendo que não quer ser perturbado por um bom tempo. Mas vou lhe ensinar a nunca mais chamar um samurai de idiota, burro e cego.

Assim dizendo, o guarda do portão saiu e deu uma grande surra no “vendedor de pêssegos”. Em seguida, entre tapas, socos e pontapés, ele ordenou que o maltrapilho nunca mais voltasse, senão perderia a vida no fio de sua espada.

Heiroku, ao vestir os ricos trajes de seda pura do governador, ficou realmente parecido com o senhor do castelo. O tempo foi passando e ele assumiu o lugar do governador.

Por sua vez, o governador, vestido como um maltrapilho, não conseguia convencer ninguém de quem realmente era. Então, sem poder voltar ao castelo, passou a viver de lembranças, olhando para um velho papel, onde havia um desenho de uma bela mulher.

Fim...

 
Adaptação livre de Claudio Seto

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