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A bela mulher do desenho
 

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Há muitos e muitos anos, existiu um jovem lavrador chamado Heiroku, que tinha a fama de ser muito trabalhador. O moço já estava na idade de contrair matrimônio, porém, como era pobre, pretendia juntar algum dinheiro antes de desposar sua prometida noiva. Na verdade, ele nunca a tinha visto, pois, ainda quando criança, seus pais haviam firmado compromisso matrimonial com a filha de um amigo da família que morava na província vizinha.

Heiroku perdeu seu pai quando ainda era adolescente. Cuidou de sua velha mãe durante muito tempo, até que ela veio a falecer. Heiroku ficou então morando sozinho, e sua vida era um tanto monótona; de casa para a lavoura de arroz e do trabalho para casa.

Um vizinho então lembrou que ele tinha uma noiva prometida e resolveu procurá-la para realizar o casamento. Heiroku pediu ao vizinho que não fosse à procura da família dela, pois o acordo foi feito com seus pais há muito tempo, e eles já haviam falecido. Outro motivo era a falta de dinheiro; assim que conseguisse juntar algum, ele mesmo iria à procura de uma noiva.

O vizinho concordou com Heiroku, porém, vendo seu esforço no arrozal e sua solidão, resolveu procurar a moça para ajudar o bom rapaz.

Dias depois, o vizinho retornou com a noiva prometida e foi realizado o casamento numa cerimônia simples, com poucos convidados. A noiva era linda e foi considerada a mulher mais bonita da província. Heiroku ficou completamente apaixonado pela esposa, pois, além de bonita, ela era muito carinhosa. Ele não cansava de admirá-la e não conseguia sair de perto dela. Assim, na lavoura de arroz o mato foi crescendo, pois o lavrador não conseguia fazer outra coisa senão ficar admirando sua bela esposa.

A esposa, por sua vez, começou a ficar preocupada, pois, se o marido continuasse sem trabalhar, logo não teriam o que comer. Então, ela, que além de linda tinha dotes artísticos, desenhou seu auto-retrato num papel e entregou-o a Heiroku.

O rapaz ficou maravilhado com o retrato da esposa e concordou que poderia voltar à roça levando aquele desenho. Quando quisesse vê-la, bastava dar uma olhada no desenho para matar a saudade. Dito e feito. A cada cinco enxadadas, ele sacava o desenho do bolso e ficava apreciando. E, cada vez que olhava o desenho, ficava com a cabeça nas nuvens, imaginando os mais belos sonhos de amor.

Não demorou muito e, enquanto estava absorto em seu sonho, um vento traiçoeiro arrancou o desenho de suas mãos e o elevou às alturas. Vendo o desenho voar alto e distante, o lavrador correu desesperado, tentando perseguir o vento. Apesar do esforço, não conseguiu alcançá-lo, o retrato de sua esposa voou em direção à cidade e pousou dentro dos muros altos do castelo do governador da província.

O governador era um homem vaidoso. Considerava-se o homem mais bonito da região. Por isso, mandou um artista da capital pintar um retrato seu e vivia se auto-admirando. Foi em um desses momentos de auto-idolatria que um papel trazido pelo vento adentrou no salão nobre.

Ao olhar o desenho no papel, o governador ficou surpreso com a beleza da mulher ali retratada.
– Nossa, que mulher linda! Se ela existe, merece casar-se comigo. Seremos o casal mais bonito do Japão.

Assim, o senhor do castelo reuniu seus guerreiros e ordenou que vasculhassem toda a região à procura daquela mulher. Vestidos com elmos de batalha, os bravos samurais cavalgaram em todas as direções para cumprir a missão que o poderoso governador lhes atribuíra.
Os guerreiros entravam em aldeias e vasculhavam casa por casa à procura da bela mulher. Houve muitas choradeiras e confusão até chegarem à casa de Heiroku. Logo que os guerreiros entraram na casa do lavrador, depararam-se com uma linda mulher. Não havia dúvidas, não podia haver duas iguais. Aquela era a mulher do desenho. Tão linda quanto a retratada.

– Vamos levá-la ao castelo. O governador vai ficar muito feliz, pois ela é linda demais!
– Esperem, ela é minha mulher, vocês não podem levá-la para o castelo! – gritou Heiroku, desesperadamente.

– Cale-se, insolente! Como se atreve a levantar a voz a um nobre samurai?! – dizendo isso, o guerreiro deu um safanão em Heiroku, que voou de cara no chão.

Mesmo apanhando, Heiroku tentava teimosamente impedir que os guerreiros levassem sua esposa, gritando sem parar. Então, foi imobilizado e submetido a um rigoroso shibari (arte de amarrar prisioneiros). Mesmo amarrado, ele continuou gritando:
– Senhores samurais, podem levar pepinos, beringelas, nabos e tudo que existe na minha horta, mas, pelo amor de Deus, deixem minha mulher!

Cada vez que abria a boca, Heiroku levava um safanão dos guerreiros. Amarrado, sangrando na boca e com os olhos roxos, o moço estava em estado lamentável. Sua esposa, chorando, entregou-lhe um saquinho de pano e disse:

– Aqui, existem sementes de pêssego. Por favor, plante-as. Quando houver frutos, vá vendê-los no castelo. Nunca se esqueça disso.
Heiroku chorou de ódio quando viu sua mulher sendo levada para o castelo enjaulada pelos samurais.

Continua...

 
Adaptação livre de Claudio Seto

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