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Zuiten

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Introdução:
No folclore japonês existem muitas histórias de animais dotados de poderes mágicos. Alguns adquirem a forma de mulher e casam com seus benfeitores e outros adoram pregar peças e se divertir, tentando enganar os seres humanos. Os mais famosos nesse aspecto são o Tanuki (texugo) e Kitsune (raposa) cujo poder ilusionista deram margem a várias histórias interessantes.


Há muitos e muitos anos atrás, havia um mosteiro na montanha cujos moradores viviam sendo enganados por uma raposa travessa. Nesse mosteiro havia um aprendiz de monge muito distraido chamado Zuiten. Certa ocasião quando estava sozinho na cabana da torre do sino, ouviu uma voz chamando pelo seu nome: - Zuiten! Zuiten!

Julgando que o monge estava chamando por ele, saiu correndo para o bosque mas não havia ninguém por lá. Pouco depois, mais uma vez ouviu o chamado: Zuiten! Zuiten!

-Ah! Deve ser alguém da aldeia que veio rezar! Pensou o garoto, e novamente foi até a frente da cabana. Abriu a porta e certificou que não havia ninguém no local.

O fato se repetiu várias vezes e o garoto foi ficando intrigado e resolveu ficar escondido perto da porta, observando por uma fresta.

Então viu uma raposa que saindo de um arbusto, veio até a porta dos fundos, escovou a calda na porta produzindo o som “zui”. Em seguida, girava a cabeça rapidamente e golpeava contra a porta produzindo o som “ten”.

Então Zuiten ficou escondido junto a porta do fundo. A raposa chegou e escovou a porta com seu rabo, produzindo o som “zui”. Quando ela girou a cabeças para dar uma pancada com a cabeça, o menino abriu a porta e a raposa foi com tudo ao chão da cabana. Então o garoto fechou rapidamente a porta prendendo a raposa.

-Peguei você, sua danada! -gritou o garoto perseguindo a raposa com uma vassoura nas mãos. Ela saiu correndo da cozinha e foi para o salão principal do mosteiro. No salão havia uma estátua de Buda chamado Honzon-sama que o povo venerava.

Para poder se livrar de seu perseguidor, a raposa num passe de mágica transformou-se em uma imagem idêntica ao existente no local.

Zuiten vendo que havia duas imagens iguais de Honzon- sama, logo percebeu que a raposa estava fazendo um truque ilusório para engana-lo. O menino olhava para uma imagem e para a outra mas não conseguia descobrir qual era a verdadeira.

Então Zuiten disse propositalmente em voz alta:

-Oh! Está na hora de oração diária. Hozon-sama gosta tanto de ouvir a leitura da Sutra Sagrada, que todas as vezes que eu leio rezando ele bota a língua para fora como um garoto travesso.

Então Zuiten começou a rezar fazenda a leitura do sutra enquanto ritmava batendo um peixe de madeira. Nisso a raposa que estava transformada na imagem de Buda, botou a língua de fora.

Vendo a língua afinada da raposa, Zuiten disse:
- Ah! Está na hora de servir um delicioso jantar para Honzon-sama na sala de chá. Venha por favor.

Zuiten entrou na sala de chá e a raposa disfarçada seguiu atrás dele. Então o garoto disse: - Ah! Estava me esquecendo, antes do jantar tenho que dar um banho em Honzon-sama.

Seguiu para o banheiro e abriu a tampa do ofurô e ajudou “Honzon-sama” entrar na enorme tina de madeira. Em seguida colocou a tampa do ofurô firmemente e segurando com força gritou.

- Pensou que me engana sua raposa danada. Agora vou botar fogo na banheira e ferver a água até você ficar cozida. Porém se você jurar que jamais fará travessuras com meu nome, eu a perdôo por esta vez.

Apavora com a idéia de virar raposa cozida, ela começou a gritar juras e implorar perdão. Assim Zuiten deixou a raposa ir embora para a floresta. E ela nunca mais voltou para pregar peças no mosteiro.

 
Adaptação livre de Claudio Seto

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