Portal NippoBrasil - OnLine - 19 anos
Domingo, 03 de julho de 2022 - 5h57
  Empregos no Japão

  Busca
 

SEÇÕES
Comunidade
Opinião
Circuito
Notícias
Agenda
Dekassegui
Entrevistas
Especial
-
VARIEDADES
Aula de Japonês
Automóveis
Artesanato
Beleza
Bichos
Budô
Comidas do Japão
Cultura-Tradicional
Culinária
Haicai
História do Japão
Horóscopo
Lendas do Japão
Mangá
Pesca
Saúde
Turismo-Brasil
Turismo-Japão
-
ESPECIAIS
Imigração
Tratado Amizade
Bomba Hiroshima
Japan House
Festival do Japão
-
COLUNAS
Conversando RH
Mensagens
Shinyashiki
-
CLASSIFICADOS
Econômico
Empregos BR
Guia Profissionais
Imóveis
Oportunidades
Ponto de Encontro
-
INSTITUCIONAL
Redação
Quem somos
-
Arquivo NippoBrasil - Edição 166 - 31 de julho 6 de agosto de 2002
 
Bunbuku Chagama: A chaleira encantada - Parte 2

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

- Dias atrás, quando estive aqui e o senhor me pediu para conseguir uma chaleira, voltei pensando em como seria difícil conseguir uma de Segunda mão, já que as chaleiras de ferro duram a vida inteira e poucas pessoas se desfazem delas. Quando cheguei na aldeia, deparei com um bando de meninos que ameaçavam que iriam judiar de uma menina assustada.

-Meninos, parem com isso- gritei. Os meninos então foram embora. Mas a menina também tinha desaparecido. Enquanto procurava por ela, encontrei uma chaleira exatamente como eu tinha imaginado em conseguir para o senhor.
-Onde entra o texugo encantado nessa história, Jimbei ?

-Sabe Osho-san, levei a chaleira para casa e resolvi testar sua resistência antes de trazer para vender ao senhor. Assim que coloquei no fogo, com grande surpresa descobri que a chaleira na verdade era um texugo encantado.
-É uma grande coincidência, pois você procurava uma chaleira e encontrou uma encantada.

-Não foi bem assim Osho-san. A menina que salvei dos meninos malvados, era na verdade o texugo encantado. Ele estava transformado em menina para pregar peça na escola e foi descoberto pelos meninos. Perseguido, cruzou meu caminho. Deve ter lido meu pensamento e transformou-se numa chaleira para se esconder dos meninos e para que eu o levasse para casa para protegê-lo.

-Mas sabendo que era um texugo encantado, por que vendeu para mim?
-Peço mil perdões Osho-san, o senhor é um santo homem, e eu não consegui dormir depois que lhe vendi a chaleira ontem. Por isso vim correndo para me desculpar com o senhor.

-Está perdoado, devolva-me o dinheiro e leve sua chaleira encantada de volta.
-Aí que está a razão da minha mentira. Já gastei o dinheiro.
-Mas como Jimbei, você é muito mais irresponsável do que imaginei.

-Na verdade Osho-san, a idéia de lhe vender a chaleira nem foi minha. Foi do próprio texugo que queria me beneficiar de alguma forma, por ter salvo dos meninos malvado. E sabendo que eu tinha uma conta para pagar ontem e se não o fizesse correria risco de vida, o texugo sugeriu que lhe vendesse a chaleira. Assim ele ficaria morando nesse pacífico mosteiro e estaria bem para todos. Concordei pensando que o senhor apenas iria deixar a chaleira apenas como objeto de apreciação. Assim durante o dia, o texugo ficaria na estante e a noite, quando todos dormissem, poderia passear a vontade.

-Se eu não tivesse botado a chaleira no fogo, a farsa duraria por muito tempo.
-Não Osho-san, eu fiquei muito arrependido de tê-lo enganado. Agora não tenho o dinheiro para lhe devolver e tenho um texugo todo chamuscado. Não sei o que fazer para merecer o seu perdão.

-Jimbei, sei que você é um bom homem, quando tiver dinheiro me traga ou consiga uma chaleira de verdade para mim.
Assim Jimbei, o sucateiro, voltou para sua casa levando a chaleira encantada. Lá chegando o texugo voltou para sua forma animal e começou a lamentar:
-Ai está ardendo, estou todo queimado.

Enquanto passava ervas medicinais nas queimaduras do texugo, Jimbei o aconselhava a voltar para a floresta e parar de enganar os seres humanos com sua ilusão transformista. O texugo dizia que não poderia voltar para a mata, sem antes pagar sua dívida de gratidão para com Jimbei, que o salvara dos meninos e tratara suas queimaduras.

Jimbei estava preocupado em como poderia pagar o monge do mosteiro, quando o texugo lhe sugeriu:

-Que tal você abrir um teatro com espetáculos circenses. Poderia ganhar muito dinheiro cobrando entrada nas apresentações.
-E que espetáculos seriam estes?
-A dança da chaleira equilibrista em corda bamba! E outras atrações.
-É parece uma boa idéia, não custa nada tentar.

Após alguns dias de treinamento, o teatro improvisado foi inaugurado com a presença de grande público infantil. Devido o sucesso do espetáculo, viajaram para se apresentar em várias cidades. E assim, Jimbei ganhou muito dinheiro.

Um dia resolveram parar porque já estavam cansados de trabalhar. Jimbei levou a chaleira ao templo e contou toda história de sua trajetória a Osho-san, doando ao templo metade do dinheiro que havia ganho com os espetáculos.

Ainda hoje, passados vários séculos, a chaleira encantada está guardada no templo Morin-ji, como tesouro artístico do templo ao lado de pinturas e esculturas.

Fim

 
Adaptação livre de Claudio Seto
Lendas do Japão
Arquivo Nippo - Edição 330
Uri sennin
Arquivo Nippo - Edição 328
A moça e o pinheiro
Arquivo Nippo - Edição 326
Takarabashi, a ponte do tesouro
Arquivo Nippo - Edição 324
O guardião do tesouro
Arquivo Nippo - Edição 322
O Buda de madeira
Arquivo Nippo - Edição 320
O Tengu Azul e o Tengu Vermelho
Arquivo Nippo - Edição 318
O cúmulo da cortesia
Arquivo Nippo - Edição 316
O desejo de visitar o Grande Santuário de Ise e morrer
Arquivo Nippo - Edição 314
Hachizuke, o deus Inari
Arquivo Nippo - Edição 312
Kin no kamikazari
Arquivo Nippo - Edição 310
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Parte 2
Arquivo Nippo - Edição 308
Shizuka-gozen e Sato Tadanobu - Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 306
O incêndio de furisode
Arquivo Nippo - Edição 304
Um lírio de 33 flores
Arquivo Nippo - Edição 302
Ôoka Tadasuke e o caso do cheiro roubado
Arquivo Nippo - Edição 300
Zashiki Warashi
Arquivo Nippo - Edição 298
A Tartaruga e a Garça (Kame-san to Tsuru-san)
Arquivo Nippo - Edição 296
O Kozo e a Yamanbá
(parte final)
Arquivo Nippo - Edição 294
O Kozo e a Yamanbá
(parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 292
A história de Shiro (Parte final)
Arquivo Nippo - Edição 290
A história de Shiro (Parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 288
A bela mulher do desenho
(Parte Final)
Arquivo Nippo - Edição 286
A bela mulher do desenho
(Parte 1)
Arquivo Nippo - Edição 284
A lenda do Nobre Galo
Arquivo Nippo - Edição 282
O rei das trutas iwana
Arquivo Nippo - Edição 280
O gato assombrado de Nabeshima
Arquivo Nippo - Edição 278
Tanokyu e a serpente gigante
Arquivo Nippo - Edição 276
Anchin e Kiyohime
Arquivo Nippo - Edição 274
O legendário Hidesato
Arquivo Nippo - Edição 272
A princesa Peônia
- Parte Final
Arquivo Nippo - Edição 270
A princesa Peônia
- Parte 1
Arquivo Nippo - Edição 268
A tennin e o pescador
Arquivo Nippo - Edição 266
Kitsune Tokoya
Arquivo Nippo - Edição 264
A Gata Encantada
Arquivo Nippo - Edição 262
Kinuhime, a deusa da seda
Arquivo Nippo - Edição 260
Os ratos sumotoris


A empresa responsável pela publicação da mídia eletrônica www.nippo.com.br não é detentora de nenhuma agência de turismo e/ou de contratação de decasségui, escolas de línguas/informática, fábricas ou produtos diversos com nomes similares e/ou de outros segmentos.

O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade exclusiva do anunciante. Antes de fechar qualquer negócio ou compra, verifique antes a sua idoneidade. Veja algumas dicas aqui.

© Copyright 1992 - 2022 - NippoBrasil - Todos os direitos reservados