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Arquivo NippoBrasil - Edição 125 - 11 a 24 de outubro de 2001
 
O jogo de mímicas

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Há muitos e muitos anos, viviam no Monte En dois monges da Seita Zenchi, sendo um mestre e o outro aprendiz. O discípulo, ainda jovem, era considerado um tolo pelos moradores da região e tinha apenas um olho. O mestre, conhecido como Shamon, era mago, tinha barba e cabelos brancos e idade bastante avançada, além de um conhecimento incomparável em todo o Japão. A fama de sua sabedoria ultrapassou as fronteiras da província e muitos intelectuais de Heian-kyô, da então capital do Japão, começaram a procurar pelo mestre para testar seu conhecimento, propondo debates.

Certa ocasião, um eminente conselheiro do imperador chegou acompanhado de muitos servos e guerreiros, trazendo relíquias e moedas de ouro. Esse nobre senhor, chamado Ikeda Chunagon, era considerado o maior sábio da corte imperial do período Heian (794 a 1192). Ao chegar, propôs um debate ao mestre Zenchi, pois sua crescente fama estava ameaçando a hegemonia do conselheiro.

- Trago muitas preciosidades para apostar. Se o senhor vencer o debate, esse tesouro será deste mosteiro. Mas, se perder, será exilado numa ilha distante, e esse mosteiro será fechado para sempre.

Aconteceu que, nesse dia, o mestre estava muito cansado, e, para ganhar tempo, disse ao conselheiro que primeiro ele tinha que debater com seu discípulo. Caso vencesse, aí sim, o mestre teria prazer em confrontá-lo no dia seguinte.

O conselheiro imperial sentiu-se meio ofendido, porém para demonstrar sabedoria e humildade, aceitou fazer primeiro um debate com o discípulo caolho.
- O debate deve ser em silêncio. É a regra deste mosteiro, disse o mestre Shamon para assegurar que seu discípulo idiota não dissesse muitas asneiras.

- Ah! Entendo, é uma espécie de “niramiko com o Daruma-san”?! , observou o conselheiro. Nessa época, num mosteiro Zenchi de Heian-kyô, haviam criado um jogo onde duas pessoas, ficavam frente a frente, enchiam as bochechas de ar imitando o boneco de Daruma (Bodhidarma – primeiro patriarca Zen) e se encaravam, ficando absolutamente sérias ou fazendo caretas sem abrir a boca. Aquele que fizesse o outro rir ganhava o jogo, que começava com a cantiga “Daruma-san, Daruma-san, niramiko shimashô” (Bodhidarma, Bodhidarma, vamos nos encarar).

Na manhã seguinte, o conselheiro foi até o aposento do mestre Shamon e disse:
- Estou partindo envergonhado. Eu não estou em condições de debater com o senhor, pois nem seu discípulo fui capaz de vencer. O mestre da Seita Zenchi ficou intrigado e perguntou:
- Mas, afinal, como foi o debate?

- Ficamos parados durante muitas horas, nenhum movimento para não ser traído pelos gestos. Quando a noite se foi e os primeiros raios de sol apontaram no horizonte, levantei um dedo simbolizando Amaterassu Omikami no Mikoto – a Augusta Deusa Sol. Em resposta, seu discípulo levantou dois dedos simbolizando a Deusa Sol e sua sabedoria. Então, ergui três dedos para representar a Deusa Sol, sua sabedoria e seus seguidores. Para minha surpresa, seu inteligente discípulo sacudiu o punho fechado, à minha frente, e revelou-me que todos os três vêm de uma única realização. Diante de tal argumento, baixei a cabeça humildemente e reconheci minha derrota.

Depois que a comitiva palaciana foi embora, o monge idiota acordou e muito aborrecido foi reclamar com o mestre.

- Aquele conselheiro é muito grosseiro e covarde para ser um nobre. Ficou quieto durante horas e, quando comecei a sentir sono, me insultou levantando um dedo para dizer que só tenho um olho e sou dorminhoco. Como ele é um importante figurão da corte imperial, eu evitei lhe responder com grosseria e levantei dois dedos parabenizando-o por ele ter dois olhos. O mal-educado levantou três dedos, para mostrar que nós dois juntos tínhamos três olhos. Então, fiquei irritado e com os punhos fechados ameacei arrebentar-lhe a cara com um soco. Daí, ele ficou com medo, se retirou e eu fui dormir.

 
Adaptação livre de Claudio Seto
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