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Arquivo NippoBrasil - Edição 119 - 30 de agosto a 12 de setembro de 2001
 
O Fantasma e o mizuame - Parte 1
 

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Este é um caso sobrenatural considerado verdadeiro por muita gente. Aconteceu na província de Osaka, no início do século 20, e ficou conhecido em todo o Japão.

Existia um pequeno armazém de secos e molhados no subúrbio de Osaka. Esse estabelecimento comercial era conhecido como “Último Gole” porque ficava na saída da vila e, dali para frente, havia apenas uma estrada rural, quase não existiam casas. O nome Último Gole era referente aos tragos de saquê que os lavradores tomavam quando vinham fazer compras na cidade, e aquele era o último estabelecimento para beber antes de pegarem o caminho da roça.

Certa noite, quando o proprietário ia fechar seu estabelecimento, apareceu uma mulher e estendeu uma pequena tigela apontando o barril de mizuame, que era uma espécie de mel fervido em água. Naquela época não existiam refrigerantes, e o mizuame fazia a alegria das crianças. Também era usado para alimentar os bebês por mulheres que tinham pouco leite no peito.

O comerciante, que conhecia todos os moradores da vila, reparou que a mulher era desconhecida. Encheu a tigela de mizuame, entregou-a à mulher e recebeu o dinheiro. A mulher, que ainda era jovem e bonita, porém pálida, sem dizer uma palavra foi-se embora.

No dia seguinte, quando o comerciante foi contar o dinheiro das vendas do dia anterior, ao abrir a gaveta notou que alguém tinha colocado uma folha de momiji (árvore da família das aceráceas) junto ao dinheiro.
- Deve ser brincadeira do meu filho. Assim pensando, jogou a folha fora.

No outro dia, novamente havia uma folha na sua gaveta de dinheiro. Então ralhou com o filho dizendo que parasse com aquela brincadeira, pois dinheiro era assunto para adultos. O filho jurou que não tinha sido ele, mas mesmo assim levou a bronca do pai.

Mais um dia e mais uma folha tornou a aparecer. O comerciante furioso resolveu recolher o dinheiro da venda. Assim que fechou o estabelecimento à noite, colocou o montante numa caixa e botou embaixo do travesseiro para que ninguém fizesse brincadeiras.

Na manhã seguinte, nova surpresa. Havia uma folha de momiji na caixinha. O comerciante achou que sua mulher tinha colocado a folha enquanto ele dormia, pois havia trancado a porta do quarto e ela era a única que esteve lá com ele. A mulher negou categoricamente a autoria da brincadeira e alegou que ele estava sendo enganado por um tanuki (texugo) ou kitsune (raposa).

Antigamente, os japoneses acreditavam que texugos e raposas eram animais encantados e tinham poderes mágicos. Com esse poder, viviam pregando peças nas pessoas ora transformando objetos ou eles mesmos se transformando em seres humanos.

O comerciante começou a pensar e chegou a uma conclusão.
- Acho que aquela mulher pálida que aparece todas as noites pouco antes de eu fechar a loja é na verdade uma raposa encantada, fazendo-se passar por uma mulher. Maldita raposa, está me enganando, me dá uma folha de árvore e eu enxergo como se fosse dinheiro. Deve estar se divertindo lambendo todo meu mizuame e me chamando de trouxa.

O homem resolveu seguir a raposa até sua toca e botar fogo para lhe dar uma lição. Enquanto esperava a noite chegar, recebeu a visita de um amigo que morava na cidade vizinha. Contou a história e o amigo se dispôs a ajudá-lo na esfrega à raposa espertalhona.

A noite chegou com muito vento e as árvores davam assobios desagradáveis. Como na época ainda não existia energia elétrica, a fraca lamparina de óleo vivia apagando com o vento. Fósforos nem isqueiros ainda não haviam sido inventados, por isso tinham que manter a brasa acesa no irori (braseiro) e assoprar com pedaço de papel para poder acender a lamparina. Porém, toda hora ela apagava com o vento macabro.

Certa altura da noite, assim que o comerciante conseguiu acender a lamparina amenizando a escuridão, deu de cara com a mulher pálida, que veio comprar o melado. Apesar do susto, o comerciante fingiu que estava tudo bem e a atendeu normalmente, para poder ir atrás logo em seguida.

Continua...

“Assim que a mulher saiu andando pela rua,
o comerciante chamou seu amigo: - Vamos atrás dessa raposa.”
 
Adaptação livre de Claudio Seto
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