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Arquivo NippoBrasil - Edição 099 - 12 a 18 de abril de 2001
 
O Fantasma de Osono

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

Osono era a filha de um comerciante provinciano e rico. O pai dela queria que ela tivesse uma educação refinada e mandou-a para Kyoto - que na época era capital do Japão – para aprender as artes praticadas na corte como poesia, danças clássicas e cerimônia do chá.

Anos depois, ela retornou para sua terra natal e se casou com o filho de um amigo de sua família, que também era comerciante.

O casal teve um menino, mas a vida conjugal durou pouco, pois Osono morreu no quarto ano de casada. Pouco tempo depois de sua morte, seu filho disse ter visto a mãe no quarto dela. Isso causou um grande desconforto na família, pois naquela época não existia luz elétrica, e a fraca iluminação conseguida, com lamparinas à óleo, só aumentava o clima sobrenatural. Embora à princípio tivessem dito que era coisa da imaginação de criança, o assunto tomou vulto quando outras pessoas da família depararam com o fantasma de Osono, sempre olhando para uma cômoda cheia de gavetas, onde estavam guardadas as roupas dela.

Os familiares começaram a discutir, tentando entender por que razão o fantasma de Osono aparecia junto à cômoda e concluíram que, por ter morrido tão jovem, seu espírito ainda tinha apego pelos belos quimonos de seda.

Acataram então a sugestão da mãe, que aconselhava a levar as roupas de Osano a um santuário e realizar um culto. Em seguida, deixariam as vestes guardadas num recinto sagrado. Assim o fantasma dela entenderia que suas roupas não seriam vendidas para outras pessoas, e seu espírito descansaria em paz.

A cerimônia religiosa foi realizada com grande pompa, porque, a pedido do rico comerciante, conhecidos monges da região vieram celebrar o culto para apaziguar o espírito de Osono. As roupas dela foram depositadas embaixo do altar. E todos se sentiram aliviados, pois com a presença do fantasma em casa, embora silenciosa, ninguém consegui dormir.

Porém, o clima de sossego não durou por mais que um dia. O fantasma voltou a aparecer na noite seguinte, e a aparição torno-se constante.

Então o monge de um templo zen budista, veio para a casa do comerciante, novamente sob sugestão da mãe de Osono. O religioso passou a noite no quarto, e às altas horas da noite, o fantasma apareceu do nada e ficou contemplando fixamente a cômoda. Para mostrar à Osono que suas roupas já não estavam mais lá, o monge abriu a primeira gaveta e mostrou que estava vazia.

O fantasma de Osono continuou a olhar tristemente a mobília. O monge foi abrindo as gavetas uma por uma até a última mas o fantasma continuou olhando fixamente para a cômoda, sem demonstrar nenhuma surpresa.

O monge perguntou o que ela desejara e se estava precisando de ajuda, porém a aparição sem nada responder continuou olhando para a peça de guardar roupas. Então o monge teve uma intuição e levantou os papéis de forro das gavetas, e na última gaveta achou uma carta que alí estava escondida. A carta era endereçada à Osono, trazendo escrito seu nome de solteira.

A aparição acenou com a cabeça e se curvou em gesto de agradecimento quando o monge disse que ele levaria à missiva ao templo e lá queimaria. Portanto ninguém ia ler o conteúdo.

Era uma carta de amor. Osono tinha recebido durante o período em que esteve em Quioto estudando artes. O conteúdo da carta nunca foi revelado a ninguém, e a família também não ficou sabendo quem a havia enviado.

A história mostra um fantasma diferente. Um espírito angustiado que não conseguia descansar em paz por causa de um segredo.

Desde que a carta foi queimada, o fantasma de Osono nunca mais apareceu.

 
Adaptação livre de Claudio Seto
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