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Arquivo NippoBrasil - Edição 082 - 7 a 13 de dezembro de 2000
 
Ubirajara Tarô. O outro pescador - Parte 2

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

O RETORNO
Ubirajara logo notou que muitas coisas haviam mudado por lá. Onde existiam pequenos casebres de pescadores estavam cheios de prédios de apartamentos. As ruas beira mar haviam se transformado em largas avenidas ajardinadas, asfaltadas e iluminadas. As pessoas que encontravam pelo caminho eram todas diferentes das que ele conhecia.

- Incrível, como pode ter mudado tanto em tão pouco tempo se pelos meus cálculos devo ter ficado no Palácio do Dragão no máximo três meses? A mudança era tão grande que ele não conseguia encontrar seu barraco.

- Informação por favor. o senhor sabe onde fica a casa do pescador Ubirajara Tarô ?
- Eu nasci aqui e não conheço ninguém com esse nome. Respondeu o transeunte.

- Impossível, a julgar por aquele morro lá no fundo da cidade, devia ser por aqui. Insistiu Ubirajara.
- É... pensando bem, acho que quando eu era criança, ouvi dizer que existiu um pescador com esse nome. Os velhos comentavam que um dia, ele saiu para pescar e nunca mais voltou. Comentavam até que Iemanjá, a Rainha do Mar o levou junto das oferendas da sua festa. Mas isso é uma história tão antiga que já nem sei direito, disse o homem meio na dúvida.
- E a casa dele, como ficou?

- Ora, como ele morreu no mar, construíram um shopping center no terreno dele, que fica logo ali.
Ubirajara Tarô compreendeu então, que ao invés de três meses já haviam passado dezenas de anos. Caminhou em direção onde morava para ver a situação. Ao chegar no shopping foi reconhecido por três senhores elegantes, com cara de empresários.

- Meu Deus - disse um deles - como você se parece com um pescador que morava aqui!
- Pois sou eu mesmo, Ubirajara Tarô.

- Impossível, se Tarô estivesse vivo teria mais de 100 anos e você ainda é um moço.
- E como você percebeu que sou parecido com ele?- Perguntou o pescador.

- Há muitos e muitos anos atrás, quando nossos pais ainda eram garotos, eles encontraram uma tartaruga - disse um dos empresários.
- Eles cuidavam da tartaruguinha com muito carinho e amor!, completou o outro empresário.

- Nisso apareceu o pescador Ubirajara Tarô e vendo aquela tartaruga tão bem tratada, ficou com vontade de tê-la como animalzinho de estimação e comprou de nossos pais, pagando muito mais do que ela valia - Contou o terceiro empresário, lembrando que: Ubirajara levou um azar danado, porque assim que pagou, a tartaruguinha escapou de suas mãos e fugiu para o mar.

- Mas nossos pais tiveram sorte, porque aplicaram o dinheiro dele em fundos de rendimentos e a grana foi aumentando. Quando cresceram eles já tinham dinheiro suficiente para iniciar negócio próprio. Como Ubirajara Tarô tinha desaparecido, montaram uma casa de comércio no terreno dele, que foi crescendo até transformar-se neste shopping.- Esclareceram os empresáraios.

- Achamos você parecido com o Ubirajara Tarô porque temos a foto dele, que foi encontrada, quando nossos pais demoliram a casa dele para constuir esse belo prédio, comentaram.
- Acontece que sou Ubirajara Tarô e posso provar fazendo exame de impressão digital. - disse o pescador.

- Olha meu jovem, o que você está dizendo é complemente absurdo, pois se você fosse o Ubirajara, teria mais de 100 anos, pois quando nossos pais o conheceram , eles ainda eram garotos. e o pescador tinha mais ou menos a sua idade - Comentou um dos empresários.
- Mesmo que fosse, o que é totalmente impossível, não teria mais direito ao terreno, pois agora é nosso por uso capião, lembrou o outro.

- Antes de pedir que se retire de nossa propriedade, por acaso você não quer fazer uma compra, aqui no shopping? Temos loja que vendem peixinhos coloridos e tartarugas -disse em tom de gozação

- Quero comprar todas as tartarugas para soltar - disse Ubirajara.
- Mas você tem dinheiro para pagar ?
- Sim, em moedas de ouro vejam.

Ao ver as moedas, os olhos dos empresários brilharam de ganância. Então Tarô contou toda história para eles. Os três concluíram que de onde veio aquelas moedas douradas, deve existir muito mais, pois Tarô contou que, até as paredes do palácio eram de ouro.

Pensando na possibilidade de encontrar e dinamitar o palácio, para trazer toda aquela fortuna para eles, os empresários propuseram ao pescador trocar o shopping center por aquela caixinha, pois supunham que lá dentro estava o mapa para se chegar ao Palácio do Dragão, ou um controle remoto para trazer o robô-tartaruga de volta.

Como Tarô ainda conservava a juventude, pensando em aproveitar o dinheiro que tinha, aceitou a proposta. Assim que passaram as escrituras, os empresários receberam a caixa de Tarô, e abriram babando de ganância.

Qual não foi a surpresa ao constatar que dentro da caixa só havia uma fumaça branca, que cobriu os três empresários. Nesse momento ocorreu uma transformação. Os três foram ficando com os cabelos os brancos e a cara cheia de rugas. Em questão de segundos pareciam que tinham mais de 100 anos.

De longe Ubirajara Tarô observou como ele teria ficado se tivesse aberto aquela caixinha. Aliás, os três ficaram exatamente com a aparência da idade real de Ubirajara.
O jovem pescador, agora dono de um shopping center e várias moedas de ouro, deu um sorriso maroto e completou:

- Ainda bem que eu conheço a lenda de Urashima Tarô que minha avó japonesa sempre contava. Caso contrário, eu teria aberto aquela caixinha com bafo de dragão e não teria dado um jeitinho brasileiro para ter este final feliz.

 

COMENTÁRIOS
Ubirajara Tarô, como o próprio nome sugere é adaptado de Urashima Tarô, lenda que está entre as cinco lendas mais conhecidas do Japão. Antigüíssima, a lenda de Urashima foi publicada milhares de vezes, desde o Nihon Shoki (Crônica do Japão – ano720) no capítulo do imperador Yuryaku e também no Manyoshu (coletânea de poemas – ano 780), volume 9 , poema 1.740, onde aparece como lenda de Naniwa, atual Osaka. Já em Tango Fudoki, é citada como originária da região de Tango, hoje Kiyoto.

Ubirajara Taro. O outro pescador, assim como A lenda de Tanabata, a princesa tecelã (publicado neste jornal em 6 de julho de 2000) e tantas outras lendas miscigenadas escritas por Claudio Seto, faz parte da série Lendas Nipo-Brasileiras. Essa série que é uma verdadeira salada cultural, contém uma famosa lenda que começa assim: “Era uma vez, há muito e muito tempo atrás, uma caravela que vinha do outro lado do mundo, ao desviar de uma calmaria nas costas do continente africano veio parar numa terra desconhecida, que num primeiro momento, foi chamada de Ilha de Vera Cruz, depois Terra de Santa Cruz e mais tarde Brasil. O nome dessa nau, era Kasato Maru....” . As Lendas Nipo-Brasileiras como as Poesias Nikkeis, do mesmo autor, que mistura a cultura e a sutileza dos dois países é um caminho novo e rico a ser percorrido, porém, de antemão podemos dizer que, melhor saboreia essa cultura miscigenada, o leitor que conhece os dois lados da mesma moeda.

 
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