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Arquivo NippoBrasil - Edição 075 - 19 a 25 de outubro de 2000
 
Urashima Tarô. A Lenda do Pescador

Adaptação livre de Claudio Seto
(
Texto e desenhos: Claudio Seto)

Tarô era um jovem pescador que amava a natureza. Levava uma vida tranqüila numa pequena ilha, que pelo fato de estar atrás de outra ilha em relação a antiga capital do Japão, Heian Kyo, era chamada de Urashima (a Ilha do Fundo). Na época os pescadores japoneses e pessoas comuns não tinham sobrenome, mas como a história de Tarô ficou famosa em todo Japão, passaram a chamá-lo de Urashima Tarô .

Certa ocasião Tarô caminhava pela praia e encontrou três meninos que na maior algazarra judiavam de uma pequena tartaruga. Um puxava o bicho pelo rabo enquanto outra cutucava com um pedaço de pau e um terceiro chutava o casco do pobre animal. Com a barriga virada para cima, o indefeso bichinho esperneava atormentado.

- Não maltratem esse ser tão inofensivo. Ele fez algum mal a vocês?
- O que você tem a ver com isso? Não se meta onde não é chamado – responderam os moleques – Essa tartaruga é nossa, fomos nós que a encontramos.

Assim, sem se importar com a reclamação do pescador, continuaram a judiar do bichinho.
Percebendo que as palavras eram inúteis e não suportando mais ver o animalzinho ser maltratado, o pescador sacou as únicas moedas que tinha no bolso e ofereceu aos meninos.
- Quero comprar essa tartaruga. É tudo que tenho – disse Tarô estendendo o dinheiro.
Os moleques entregaram a tartaruga sem pestanejar, apanharam o dinheiro e saíram correndo felizes da vida.

O pescador acariciou o casco do bichinho, colocou-o na areia e aconselhou:
- Agora está tudo bem, mas da próxima vez que vir a praia, cuidado para não se aproximar muito do povoado. Ao soltar na areia molhada, a tartaruga saiu apressada em direção das ondas e desapareceu mergulhando.

Sete dias depois, quando Tarô pescava como de costume em seu barco, ouviu uma voz que o chamava:
- Tarô-san, Tarô-san, Urashima no Tarô-san!
O pescador levou um susto ao ouvir vozes na solidão do alto mar e olhou para todos os lados para ver se havia mais algum barco de pesca nas proximidades. Como só havia em seu redor céu e mar, Tarô pensou que estava imaginado coisas e voltou a pescar calmamente.
Novamente ouviu a voz que o chamava:
-Tarô-san, Tarô-san, Urashima no Tarô-san!

Desta vez a voz estava mais próxima e nítida. O bom som dava conta que não se tratava de imaginação. Mas por incrível que possa parecer, vinha de uma enorme tartaruga que se aproximava do barco. Como não havia ninguém além dele e da tartaruga, o pescador perguntou:
- Só para ter certeza de que não estou ficando louco, foi você que me chamou?

- Sim. Não está me reconhecendo? Sou a tartaruga que você salvou daqueles meninos malvados. Quero lhe agradecer por tudo que fez por mim.
- Ora não é necessário agradecer, se você está bem fico feliz. Só quero saber como você cresceu tanto em apenas 7 dias, você está enorme !

- No lugar de onde venho o tempo não existe. Você é ou torna aquilo que sente. Aliás, contei para Toyotama Hime (Princesa Alma Luxuriante), filha de Shiyozuchi no Kami, o deus do mar, como você salvou a minha vida , e ela mandou convidá-lo para visitar o palácio de seu pai, pois quer lhe agradecer pessoalmente por ter salvado este súdito do Palácio do Dragão (Ryugu).
- Já ouvi falar desse palácio, dizem que é muito bonito, todos os pescadores tem a curiosidade de conhecê-lo um dia.

- Então suba nas minhas costas e vamos ao Palácio do Dragão.

Tarô montou no casco da tartaruga um tanto temeroso e deixou se levar entre as ondas do mar. Nadando suavemente a tartaruga chegou ao alto mar e começou a mergulhar para as profundezas. O mundo marítimo que descortinou diante dos olhos do pescador era maravilhoso. Peixinhos coloridos, e riquíssimas algas marinhas formavam uma bela e inusitada paisagem. Entre as pedras, exóticas flores e estrelas do mar davam um toque de mágica e beleza. Pouco depois, Tarô avistou um enorme clarão de luz. Ao aproximar mais um pouco, o pescador pode visualizar um enorme palácio, cercado de corais brilhantes e com lindos telhados pontiagudos. A entrada era enfeitada de pérolas cintilantes e as paredes cobertas de ágatas e pedras preciosas de todos os tipos.

 
Continua ...
 
Adaptação livre de Claudio Seto
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