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Arquivo NippoBrasil - Edição 073 - 5 a 11 de outubro de 2000
 
Kakurê Mino, o manto da invisibilidade

Adaptação livre de Claudio Seto
(
Texto e desenhos: Claudio Seto)

A Tarefa diária do garoto Hikoiti era catar gravetos na mata e acender o fogo, para esquentar a água do furô (banheira de imersão). Certo dia, após juntar galhos secos, o garoto sentou-se embaixo de um pé de castanha para saborear seu bentô (lanche), que consistia basicamente de oniguiri (pelota de arroz), tsukemono (verdura em conserva) e chá. Naquela época, garrafa de louça ou de vidro era artigo de luxo no Japão e por isso as pessoas comuns colocavam o chá ou outras bebidas para viagem em canudos de bambu.

Ao dar a primeira mordida em seu lanche, Hikoiti foi atingido na cabeça por uma castanha. O garoto virou a cabeça para ver de onde aquela semente estava caindo, mas não conseguiu localizar nada. Quando voltou-se para continuar seu lanche, levou um tremendo susto porque o mesmo estava flutuando e aos poucos foi desaparecendo, como quem é devorado pelo ar. Diante do espetáculo inusitado, o garoto fugiu apavorado do local.

Mais tarde em sua casa, enquanto acendia fogo na banheira, assoprando a brasa com um hifuki (canudo de bambu que tem um pequeno furo na ponta), lembrou que certa vez ouviu dizer que o Tengu (gênio da montanha) tem um Kakurê Mino, o manto da invisibilidade.

-Ah! Só pode ser isso, fui tapeado pelo Tengu que roubou meu lanche. Pensou Hikoiti.
Garoto travesso, logo pensou em apoderar-se do manto em desforra ao seu lanche. Levando seu hifuki (canudo de bambu de assoprar o fogo), voltou para baixo do pé de castanha, local onde largara os gravetos recolhidos.

Logo depois, Hikoiti colocou o canudo de bambu diante dos olhos, como quem espia por uma luneta e ficou fazendo uma encenação teatral em voz alta:
-Oh! que maravilha. Posso ver Miyako, a capital do Japão! como é bela a cidade de Quioto!
Atraído pela curiosidade, o Tengu que se mantinha invisível foi se aproximando.
-Vejo tudo ! Posso ver o que as pessoas estão fazendo na capital, que maravilha! Dizia o garoto eufórico.
- Posso dar uma espiadinha nesse tubo mágico? Perguntou o Tengu tirando o manto de palha e tornando-se visível.

- Não é possível. Esse objeto é um tesouro familiar e não posso deixar em mãos estranhas.
- Mas, só quero dar uma olhadinha. Insistiu o Tengu.
- Agora não, respondeu Hikoiti. Uma bela donzela está tomando banho de ofurô (o mesmo que furô - banheira de imersão) ..oh! como é bonita ! Deve ser uma princesa ! Nunca vi alguém tão linda! Dizia Hikoiti olhando pelo tubo de bambu.
A encenação do garoto triplicou a curiosidade do Tengu:
- Por favor garoto, peço gentilmente que me permita uma espiadinha... senão vou tomar esse tubo mágico na marra.

- Permitir o uso simplesmente não posso, pois o senhor pode fugir com meu valioso canudo mágico. Porém se você dispor de algum objeto igualmente mágico para deixar como garantia, posso pensar no assunto. Propôs Hikoiti.

- Bem... tenho essa capa da invisibilidade, será que serve?
- É, acho que está bem. Mas lembre-se senhor só uma espiadinha.
O Tengu entregou o manto de garantia e Hikoiti emprestou a “luneta”.
Enquanto em vão o Gênio da Floresta tentava ver a maravilhosa capital japonesa, o garoto vestiu o manto e tornou-se invisível.
- Não estou vendo nada. Hei, cadê você garoto? O Tengu, que era tido como um sábio por muitos samurais, percebeu que havia sido enganado por um garotinho qualquer.

De posse do manto e invisível como estava, Hikoiti chegou correndo à aldeia e começou a aprontar suas travessuras. Passou rasteira nos garotos que encontrou pelo caminho, provocando uma briga entre eles, pois cada um achava que foi o outro.

Quando passou pela estalagem na beira da estrada, coincidiu que o comerciante estava servindo um viajante, chá com espetinho de kibidangô (bolinho de milhete). O garoto pegou então a xícara de chá com uma mão e com a outra o espeto de bolinhos e começou a comer gulosamente. Vendo a xícara e os bolinhos flutuando, todos da estalagem pensaram que era obra de algum fantasma.

Depois de assombrar toda aldeia, Hikoiti voltou para casa e guardou cuidadosamente o manto da invisibilidade na gaveta da cômoda.
Na manhã seguinte, enquanto Hikoiti dormia, sua mãe que recolhia roupas sujas para lavar, encontrou o manto na gaveta:
-Credo que capa imunda, onde será que o garoto achou essa velharia. Esse garoto não toma jeito, trás todas as porcarias que encontra na rua para dentro de casa. Vou queimar essa sujeira senão é capaz de transmitir alguma doença.

Dizendo isso, a mãe de Hikoiti levou o manto de capim para o quintal e ateou fogo.
Sentindo um cheiro de fumaça diferente, Hikoiti acordou assustado e chegou a tempo de pegar o manto em chamas e levar correndo para perto do poço. Mas, enquanto o balde descia, o manto foi consumido totalmente pelo fogo.

Desconsolado, o menino lamentava o ocorrido, mexendo nas cinzas pois era só o que restou do manto. De repente teve uma grande surpresa ao perceber que suas mãos se tornaram invisíveis. Ocorreu-lhe então que se passasse as cinzas pelo corpo tornaria completamente invisível. Tirou a roupa e banhou-se de cinzas, esfregando-as em todas as partes do corpo.
Novamente invisível, Hikoiti recuperou o bom humor e dirigiu-se para a aldeia. No meio do caminho, o deslocamento do ar chamou a atenção de um cachorro que desconfiado resolveu seguir algo que se movia mas não era visível.

Hikoiti entrou em um restaurante e comeu o sobá (talharim) que a garçonete estava servindo a um freguês numa tigela. Algumas pessoas que estavam no local saíram gritando pela rua que o fantasma do dia anterior havia voltado. A aldeia entrou em polvorosa. Mas, enquanto degustava o talharim um fato inesperado ocorreu. O caldo do macarrão tirou as cinzas ao redor da boca de Hikoiti deixando-a visível. Nisso o cachorro avançou latindo em sua direção e o garoto saiu correndo pela rua.

- Peguem essa boca voadora - dizia o pessoal que estava no restaurante, enquanto perseguia a boca fujona.
Na fuga, o garoto tropeçou e caiu dentro do riacho que cortava a aldeia. A água tirou todas cinzas do corpo de Hikoiti e ele tornou completamente visível.

Descoberta a malandragem, Hikoiti foi condenado a trabalhar na horta comunitária, para pagar com as colheitas os danos que havia causado na aldeia.

Adaptação livre de Claudio Seto
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