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Arquivo NippoBrasil - Edição 071 - 21 a 27 de setembro de 2000
 
Inaba no Shiro Ussagui (O Coelho branco de Inaba)

Adaptação livre de Claudio Seto
(
Texto e desenhos: Claudio Seto)

Esta é uma lenda muito antiga, do tempo em que a civilização japonesa dava seus primeiros passos na história, e foi registrado no capítulo 21 de Kojiki, o mais antigo livro do Japão.
Na ilha Oki, situada na costa oeste do arquipélago japonês, morava um coelho branco que vivia sonhando em atravessar o pedaço de mar que separa a pequena ilha Oki da grande Honshu, a principal ilha do Japão.

O coelho passava dias e dias na praia imaginando como poderia chegar ao outro lado do mar, onde tudo parecia maior e mais verdejante. Um dia observando a enorme cabeça de um tubarão que sobressaía das ondas. ocorreu-lhe uma idéia. Então chamou o habitante do mar e puxou conversa tentando ganhar sua confiança.

Durante o bate papo, o coelho foi dirigindo a conversa para o lado que desejava até que, como pretendia, o tubarão perguntou:
- Coelhinho, você deve gostar muito de mar, pois já o vi olhando durante horas para nossas águas.
- Realmente, passos dias olhando para o mar, porque estou tentando contar quantos tubarões existem no mundo, pois dizem que existem mais coelhos que tubarões.

- Acho que não, disse o orgulhoso tubarão, nós somos em grande número, mais, muito mais que os coelhos. Acontece que como vivemos no fundo do mar, somos poucos vistos por vocês que vivem em terra firme.
- Desculpe-me senhor Tubarão, mas continuo achando que existem mais coelhos que tubarões, pois somos considerados os animais mais férteis da terra.

- Se houvesse um jeito de contar você veria que tenho razão, insistiu o tubarão.
- Tenho uma idéia e á a única maneira de tirar isso a limpo. O senhor junta todos os tubarões e coloca em fila daqui até a praia de Inaba. Daí eu vou pulando em suas costas e contando um por um. Chegando do outro lado, chamo meus companheiros e eles vão ficar enfileirados na beira do mar e vocês contam em quantos coelhos somos.
O tubarão concordou com a proposta do coelho e mergulhou para ir chamar todos de sua espécie. O coelho suspirou aliviado, pois finalmente havia uma possibilidade de realizar seu sonho – a grande travessia!

Decorrido várias horas, o mar começou a borbulhar como uma grande caldeira fervente. Do meio da agitação foram surgindo, um atrás do outro, milhares de tubarões que formaram uma enorme fila serpenteada até o outro lado do mar.
O coelho mostrou-se admirado com a grande quantidade, dizendo que jamais tinha imaginado que houvesse tantos tubarões no mar. Assim começou a contagem, pulando de dorso em dorso, e tentando disfarçar sua grande felicidade:
- Um, dois, três, quatro...

Quando chegou pulando próximo da praia de Inaba, o coelho não cabias em si de contentamento, pois estava prestes a realizar o grande sonho de sua vida. Dando gostosas gargalhadas de alegria e continuou pulando, porém esqueceu completamente da contagem, tal era sua euforia.
Os tubarões então perceberam que foram enganados e ficaram furiosos. O último tubarão então, abocanhou o rabo do coelho e resolveu dar-lhe uma lição. Como castigo arrancaram todos os lindos e brancos pelos do coelho e o deixaram na praia literalmente pelado.

Com os pêlos arrancados à força e a pele ardendo tanto, o coelho ficou chorando sem saber o que fazer.

Nisso um grupo de 4 jovens irmãos que passavam pela praia, vendo o coelho sem pelo, caíram na gargalhada pois acharam ridículo um coelho pelado. Então o mais gozador dos irmãos, disse:

-Pare de chorar coelho idiota, vou lhe ensinar como você vai recuperar seus pêlos perdidos.
- Esperançoso o coelho ouviu o conselho dos rapazes e conforme recomendaram foi se lavar nas águas do mar, para depois se secar no vento da montanha. Em seu desespero, mal sabia que os rapazes estavam lhe pregando uma peça. Molhando se com água salgada e ficando exposto ao vento sua pele começou a arder, mais e mais, até que seu corpo ficou completamente vermelho de ardor. Percebendo que foi enganado, ficou chorando de dor.

Nesse momento passava pela praia de Inaba o jovem Ookuni Nushi no Mikoto (O Grande Mestre da Terra) carregando um enorme saco nas costas. Ao ouvir o choro do coelho, a divindade perguntou: - Seu corpo está todo em chagas, que aconteceu com você meu bom coelhinho?

Ao ver Ookuni Nushi o coelho a princípio ficou temeroso, que pregassem outra peça e se recusou a responder , porém a voz calma e pausada da divindade terrestre, fez perceber que havia sinceridade nas palavras dele. então o coelho contou tudo que aconteceu.

Ookuni Nushi recomendou que ao coelho que lavasse seu corpo esfolado em um riacho de água pura e deitasse sobre uma forração feita com algodão de gamá (taboa), que logo seus pêlos voltariam a crescer. Depois disso a divindade terrestre seguiu viagem carregando o enorme saco que continha vestes e objetos de seus 4 irmãos mais velhos (os mesmos que pegaram peça no coelho) e seguiu viagem.

Fazendo o que Ookuni Nushi recomendou, em pouco tempo o coelho ficou curado e seus pêlos cresceram brancos como eram antes. Satisfeito com o resultado, o coelho disse profeticamente: “Esse jovem que hoje carrega o fardo de seus irmãos, um dia será reconhecido como a pessoa mais nobre deste país!”

 
Adaptação livre de Claudio Seto
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