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Arquivo NippoBrasil - Edição 066 - 17 a 23 de agosto de 2000
 
O Touro e o Pano Branco

Adaptação livre de Claudio Seto
(
Texto e desenhos: Claudio Seto)

Na província de Nagano, no Japão, existe um monte conhecido pelo nome de Nunobiki, que significa pano estendido. Esse nome faz referência a uma faixa clara de pedra encrustada no escuro rochedo lateral. Conforme a crença popular, essa faixa, antes de se tornar parte do rochedo, era uma peça de pano branco que se petrificou para que o povo da localidade jamais esquecesse da história que deu origem ao nome do monte.

Nessa época a atual província de Nagano ainda se chamava Shimano no Kuni (País de Shimano) e o monte nem tinha nome. A história tem início no tempo em que no sopé da montanha vivia uma senhora trabalhadeira, porém, conhecida como a mulher mais avarenta da região. Para ela, só o dinheiro tinha valor. Relegava a segundo plano qualquer tipo de relacionamento que não lhe rendesse alguns dividendos.

Seu trabalho consistia em lavar roupas nas cristalinas águas do riacho que nascia nas encostas do monte. Por causa da pureza da água, eram muitas as encomendas que recebia de um palácio que ficava nas proximidades. Assim, a lavadeira nunca parava de trabalhar, sempre pensando em aumentar, cada vez mais, seu rico dinheirinho.

Perto da sua casa existia um renomado templo budista chamado Zenkoji, cuja fama atraía peregrinos das mais longínquas províncias do Japão. Todos se dirigiam ao templo para agradecer rezando pelas graças recebidas. Porém, a lavadeira que morava quase ao lado jamais tinha entrado no templo, com medo que os monges lhe pedissem contribuição financeira para ajudar na manutenção daquele local sagrado.

Além disso, ela tinha certeza que freqüentar o templo era uma grande perda de tempo, pois deixaria de lavar algumas peças de roupas e conseqüentemente diminuiria seu ganho.

Na primavera, quando as flores silvestres cobriam o monte, era realizada uma grande festa em louvor a natureza no templo Zenkoji. Todas as pessoas da aldeia para lá se deslocavam para reverenciar a chegada da mais bela estação do ano. Dirigindo-se para o templo, os aldeões passavam na frente da casa da lavadeira e a convidavam para juntos rezarem. Porém, ela recusava argumentando que não podia perder aquele belo dia de sol, pois as roupas secariam com maior rapidez e seu serviço renderia muito mais.

“Tempo é dinheiro não posso desperdiça-lo rezando”, dizia a lavadeira ao mesmo tempo em que estendia panos brancos no varal. Enquanto ela continuava trabalhando, passou por lá um touro e uma das peças enroscou no seu enorme chifre. Apavorada, a mulher gritou exigindo a devolução do pano. O berro foi tão estridente que assustou o animal que saiu em disparada. Atrás dele, metros e metros de pano sendo arrastado.

Na tentativa de recuperar a comprida peça de tecido, a lavadeira correu como nunca. Porém, o touro era mais rápido e ganhou a estrada rapidamente. A mulher que vinha correndo num tremendo esforço viu que o touro, logo depois, adentrou no terreno do templo e foi direto para dentro da casa de orações. A lavadeira chegou ofegante, pois havia feito enorme esforço no encalço do touro. Ao notar que o touro havia desaparecido perto do altar, caiu sentada de tanta exaustão. Sua respiração ficou difícil e o coração em inacreditável ritmo acelerado.

A lavadeira queria falar, mas a voz não saia. Ela percebeu então que estava morrendo. Antes de dar o último suspiro teve a lucidez de perceber que aquela situação não era apenas por correr atrás do touro. Seu corpo acumulava cansaço de vários anos de trabalho ininterrupto na ânsia de juntar dinheiro. Pensou consigo mesma de que adiantou guardar uma fortuna, se naquele momento de morte seu rico dinheirinho perdeu todo significado.

Conformada com a triste realidade, resolveu entregar a sua alma as mãos de Deus. Respirou fundo e fechou os olhos em santa serenidade. Pela primeira vez deu conta que estava dentro do templo. Começou a ouvir vozes entoando um mantra. Percebeu então que o som das vozes se assemelhava ao barulho das águas cristalinas do riacho onde ela lavava as roupas. Sem querer estava dando ouvido as vozes de outras pessoas. O som do mantra entrou pelos seus ouvidos e como um riacho percorreu dentro dela, lavando sua mente e chegando ao coração.

Ela então tomou consciência de que era hora de deixar um pouco as roupas de lado e lavar a sua ganância, o egoísmo e a mesquinhez. Ao invés de esfregar os panos como sempre fazia, esfregou uma mão na outra rezando agradecida aos céus, pela percepção recebida. Aos poucos sua respiração foi melhorando e finalmente sentiu-se bem como nunca. Mais tarde, ouvindo os ensinamentos do monge de Zenkoji, entendeu que o touro foi uma visão divina, como acontece com os “10 quadros do pastoreio”, cujas ilustrações servem para ajudar os iniciados no caminho da iluminação.

Depois desse dia ela tornou-se uma pessoa gentil e generosa. Com o trabalho que fazia ajudando a comunidade, ela passou a ser chamada de santa pelo povo da aldeia.

 
Adaptação livre de Claudio Seto
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