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Arquivo NippoBrasil - Edição 065 - 10 a 16 de agosto de 2000
 
Velhinho descobre fonte da juventude no Japão
 

Adaptação livre de Claudio Seto
(
Texto e desenhos: Claudio Seto)

Acaba de ser descoberta uma fonte da juventude no Japão. Conforme moradores da região de Miho (que no futuro vai tornar-se conhecida como província de Guifu) um ex-velhinho, agora um jovem formoso, embrenhou-se na mata para matar a saudade de seu tempo de lenhador na juventude e acabou descobrindo uma fonte de água milagrosa.

Essa reportagem conseguiu apurar em primeira mão que um casal de velhinhos, habitantes do vilarejo Miho, viviam se lamentando porque não quiseram ter filhos na juventude. Agora com a idade avançada, estavam arrependidos pois a vida da dupla passou a ser o que pode ser chamado de solidão à dois. Para consolar o irremediável, o casal mergulhava nas lembranças românticas e trazia à tona, saudosos momentos dos tempos dourados da mocidade.

Essa semana, o velho Yoshida-san, vamos chamá-lo assim, saiu para catar lenha no mato e, levado por nostálgicas lembranças, resolveu percorrer as antigas trilhas de seu passado, como bravo lenhador. À medida que caminhava foi notando que a paisagem estava se tornando diferente do que conhecia, até que em dado momento, já não sabia onde estava.

Cansado de tanto andar, parou junto a uma fonte de águas cristalinas e resolveu matar a sua sede. Com as mãos em formato de concha, bebeu lentamente aquela água gostosa, que desceu molhando a garganta seca. De repente sentiu que toda sua canseira havia passado e que seu corpo experimentava uma sensação de vigor há décadas perdida.

Yoshida-san olhou para sua imagem refletido na água e levou um susto. Sua farta barba branca havia desaparecido juntamente com as rugas. No lugar da pele flácida e envelhecida com o tempo, vibravam músculos cheio de energias. Um milagre! O velhinho havia recuperado toda sua mocidade! Estava novamente com aspecto de quem tem 18 a 20 anos!

Feliz da vida, com um sorriso que só os descobridores da fonte da juventude tem, voltou para casa. Lá chegando quase matou a velha Fumie, sua esposa, de susto. Ela não acreditava no que via. Aquele moço lindo por quem se apaixonara há cerca de 50 anos atrás, estava sorridente em carne e osso à sua frente.

O ex-velhinho tratou de tranqüilizá-la contando toda sua milagrosa história. A velha Fumie botava as mãos na cabeça e dizia eufórica: “Onde é que fica essa fonte? Dessa água eu beberei aos monte!”. Yoshida explicou o caminho detalhadamente e dormiu, porque o dia foi por demais em emoções.

A pobre velhinha chorava e ria ao mesmo tempo. Não conseguia dormir, pois estava ansiosa em saber que no dia seguinte, também ela se tornaria bela e formosa. Antes mesmo do sol raiar, Fumie saiu em busca da juventude perdida.

Ao despertar com o canto dos pássaros, Yoshida percebeu que sua mulher tinha saído em busca do rejuvenescimento, nas límpidas águas da milagrosa fonte e ficou em casa preparando um gostoso almoço para comemorar uma nova lua de mel. Porém, o tempo foi passando, passando, passando, a comida esfriando, esfriando, esfriando, e nada da velhinha voltar. Não agüentando mais a pressão da ansiedade, o remoçado ex-velhinho correu para a floresta.

Correndo a largos passos ele ia imaginando aquela cena romântica, que no futuro os leitores poderão assistir em comerciais de televisão, onde um casal de enamorados, ao por do sol na praia, em câmara lenta, se abraçam apaixonadamente. Mas, chegando à fonte milagrosa: Cadê a velhinha? Olhou para todos os lados e só viu vegetação. Nada de mulher; nem velha nem moça.

Aos gritos chamou pela companheira mas só o eco da floresta respondia: -Fumieeeeeeeee! Fumieeeeeeeee!

Desacorçoado ele se conformou:
- É... Fumie se fumiu”.

Desiludido na procura, Yoshida sentou-se a beira da fonte e ouviu misturado ao murmúrio da água, um choro de bebê. No primeiro momento pensou que tratava-se de sua imaginação, mas como o choro persistia resolveu verificar.

Entre capins que margeavam a fonte havia uma criancinha abandonada. “Uma menina com pouco meses de vida. Quem teria feito uma coisa desalmada dessa ?” Dizendo isso, Yoshida pegou o bebê nos braços.

A menina era tão novinha que ainda não sabia falar, mas havia um magnetismo nos olhos que revelava uma experiência de longa data. Tomado de profunda emoção, o moço entendeu tudo:

- Essa não! É você minha velhinha...foste muito afoita à fonte e bebeste água demais. A sede da eterna juventude fez você beber com exagero, agora és uma recém nascida.”

Yoshida deu um suspiro e caminhou de volta à casa. O amor romântico que o casal tanto sonhara não seria mais possível. Com a menina nos braços enquanto caminhava, o rejuvenescido lenhador, começou a sentir um amor paterno. Compreendeu que era hora de cuidar e proteger como pai, aquela que por tanto tempo foi sua companheira. Um presente Zen da natureza... uma filha que nunca quiseram ter.

 

Comentários:
- Benten é uma deusa de origem Taoísta, portanto essa lenda faz parte do sincretismo religioso do povo japonês, pois na tradição Shintô, “Deus das águas e do Mar” é a divindade Shiyozushi no Kami, sendo que na mitologia consta como pai de Toyotama Hime (Princesa Alma Luxuriante) e sogro de Yamano Sachihiko no Mikoto (Deus da Montanha e da Caça), bisavô de Jimmu Tennô, o primeiro Imperador do Japão.

Existem várias lendas em que Benten aparece sobre as águas do mar, sendo particularmente conhecida a passagem em que o famoso guerreiro Taira no Kiyonori (1118-1185), quando jovem, encontra-se com ela. Kiyonori estava no Mar Interior de Seto e deparou-se com um barco de enorme vela vermelha resplandecendo nas proximidades da ilha Miyajima. Ao subir à bordo o guerreiro conheceu três lindas mulheres que eram Benten e suas duas irmãs. Benten prometeu a Kiyonori muitas glórias se ele ampliasse o templo dedicado à ela em Miyajima. Guiado pela ambição Taira no Kiyonori ampliou o templo. Na seqüência, derrotando a clã Minamoto, tornou-se o homem mais poderoso do Japão e permaneceu como regente do poder imperial até sua morte em 1185.

 
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