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Arquivo NippoBrasil - Edição 056 - 8 a 14 de junho de 2000
 
O monge dorminhoco e o macaco roncador - Parte 2

Adaptação livre de Claudio Seto
(Ilustração: Claudio Seto)

Um monge que vivia dormindo e um macaco que sempre estava com fome, com seu estômago a roncar, certo dia bolaram um plano para poderem ganhar algum prestígio para impressionar um milionário, cuja filha havia falecido.

Durante o enterro, o macaco fez com que o omikoshi (santuário onde transportavam pessoas falecidas) começasse a flutuar

O milionário apavorado começou a gritar:
-Façam alguma coisa. Minha filha tem que ser enterrada dignamente e não ficar flutuando em pleno trajeto como koinobori (flâmula em forma de peixe ao vento).

O omikoshi subiu até uma certa altura e ficou parado no ar. Chegaram o pessoal do teatro, fizeram uma pirâmide humana, mas não conseguiram alcançar. O milionário nervoso ralhou com o Monge de Alta Classe, que havia sido chamado para rezar a missa em lugar do Monge Dorminhoco:
- Foi você que pediu aos céus para que o omikoshi subisse. Agora quero que o traga de volta.
- Eu falei brincando, não tenho esse poder.

-Quero minha filha de volta, faça alguma coisa. Você é ou não é um monge palaciano?
O monge começou a rezar com todo fervor, chacoalhando seu terço na tentativa de exorcizar as forças ocultas que mantinha o caixão suspenso. Como a reza estava demorando demais para surtir efeitos, o milionários fez uma polpuda oferta:
- Senhor Monge faça o caixão descer imediatamente que doarei um pote de ouro para seu templo na capital.

Estimulado pela bondosa oferenda à sua casa de reza, o Monge da Alta Classe gastou todo seu repertório de orações sagradas, mas nada do caixão vir a baixo. Esgotada a esperança e a paciência que o milionário botou no monge da capital, ordenou aos seus serviçais:
- Tragam aquele monge pobretão e dorminhoco. Nessa altura dos acontecimentos temos que apelar até para os meios mais miseráveis.

O MILAGRE

O Monge Dorminhoco chegou sonolento e só despertou quando constatou que o omikoshi estava realmente flutuando. “Que macaquice”, pensou consigo mesmo. E já que o circo estava armado, resolveu dar continuidade ao espetáculo, dizendo:
- Isso requer uma reza especial e ultra secreta!
- Ohhhh! Exclamaram os mais céticos.

O milionário ao ouvir aquelas palavras acalentadoras, ajoelhou aos pés do monge dorminhoco e pediu com veemência:
- Oh, senhor Monge! Já tentamos de tudo e não conseguimos. Fazei com que o caixão abaixe e eu arcarei com todas as despesas de seu templo para o resto da minha vida. Mais que isso, vou mandar reformar aquele templo que está caindo aos pedaços e nunca mais vai faltar arroz no templo.

- Moti! Exclamou sem querer o monge lembrando do macaco.
- Moti?! Indagaram todos os presentes sem entender o que o monge queria dizer.
- Moti... Respondeu o monge meio constrangido.
- Ah sim moti! disse o milionário. - Bem sacado, o moti dá muita sorte. Mandarei todos os dias ao templo. Aliás, vamos comer esse moti que estamos levando para colocar no túmulo.
- Primeiro o macaco, disse o monge.
Assim todos os presentes comeram o moti que seriam oferendado aos deuses, no túmulo da defunta.

De barriga cheia o monge, como havia combinado com o macaco, começou a rezar: Namu Saru-Tora yaya, moti suki yaya, yakimoti yaya, kanemoti yaya, motekuru yaya”.
E como por encanto quebrado, o omikoshi começou a se mover, descendo suavemente até pousar delicadamente no chão.
O povo ficou eufórico: - Milagre a reza do Monge Dorminhoco é mais forte que a do Monge de Alta Classe!

O milionário ficou muito agradecido e o féretro continuou em santa paz, com todos rezando: Namu Saru-Tora yaya, moti suki yaya, yakimoti yaya, kanemoti yaya, motekuru yaya” (literalmente: Ave Macaco-Tigre ei-ei, gosta de bolinho de arroz ei-ei, bolinho assado ei-ei, milionário ei-ei, vai trazer ei-ei).

Após o enterro o Monge Dorminhoco voltou ao templo satisfeito porque a brincadeira do macaco não causou conseqüências mais graves. Cansado de um dia tão agitado e retornando a sua vida tranqüila, voltou a dormir.

Porém na manhã seguinte a calma de seu templo foi abalada por um batalhão de marceneiros que iniciaram a reforma do prédio. Também chegaram muitos alimentos até abarrotar a despensa. Com a reforma, o templo tornou-se o mais bonito da província. A fama de poderosa reza do monge dorminhoco correu por toda região e filas de peregrinos começaram a chegar para receber as benzas do velho religioso. Até o Monge de Alta Classe mudou-se para o templo e tornou-se discípulo de Dorminhoco.

O Monge Dorminhoco ficou sem tempo sequer para cochilar. Ficava o dia todo atendendo visitas e pessoas necessitadas que vinham das províncias mais distantes e tinha que rezar o dia inteiro. Então recebeu o nome budista de Monge Desperto. A fama acabou com aquela vida sossegada que gostava e levava na flauta. Sempre que tinha chance lamentava para seu amigo macaco:

- Se eu soubesse que “despertar” era essa dureza, não teria me tornado monge Zen.
Quanto ao macaco, continuou tirando tranqüilamente suas sonecas diária e a barriga nunca mais roncou.

 
Adaptação livre de Claudio Seto
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