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Arquivo NippoBrasil - Edição 053 - 18 a 24 de maio de 2000
 
Momotarô - Parte 1
Mais fantástico que a ovelha Dolly. Criança nasce de um pêssego no Japão.
 

Adaptação livre de Claudio Seto
(Ilustração: Claudio Seto)

Há muitos, muitos, muitos e muitos anos antes das pessoas pensarem em inseminação artificial, bebê de proveta e clonagem de ovelha, no Japão, um casal de velhinhos ao tentar fatiar um enorme pêssego para saborear até o caroço, surpreendido constatou que no lugar da semente, havia uma criança humana de sexo masculino, forte e sadia. Embora o objetivo inicial desse fenômeno não fosse exatamente o que se prega agora, atualmente os clones desse lendário garotinho são usados na tevê japonesa, em comerciais de iogurtes, fortificantes e vitaminas.

Tudo começou quando o velhinho foi à floresta cortar lenhas e a velhinha lavar roupas no riacho. De repente um som estranho que fazia “donburakô, donburakô, donburakô” chamou a atenção da anciã. Ao levantar a cabeça, ela viu um objeto-estranho-não-identificado flutuando correnteza a baixo. Como a tal coisa estava longe da margem, a velhinha começou a cantarolar uma canção-simpatia usada no Japão para atrair vaga-lumes: Ati no mizu wa karai yô / koti no mizu wa amai yô... (A água de lá é salgada, a água de cá é doce...). Logo ela percebeu que se tratava de um enorme pêssego.

Para provar que fruta também gosta de música, o pessegão veio rolando, rolando, rolando em direção da velhinha - donburakô, donburakô, donburakô (isso é uma onomatopéia nipônica, não confundir com Don Buraco, essa é uma outra história). A anciã mais que depressa o apanhou o pêssego. Como era muito grande precisou carregá-lo com enorme esforço para casa.

Tão logo o velhinho retornou da floresta, os dois resolveram saborear a enorme fruta. O achado iria garantir o rango (goran de trás pra frente) de uma semana. Quando o velhinho pegou a faca para cortar o pêssego, a fruta dividiu-se em duas partes e, de dentro dela um garotão pelado, abriu os braços para a fama da carreira lendária que estava para começar. Era um lindo e saudável menino, tipo bebê Jonhson de olhos puxadinhos.

A velhinha e o velhinho ficaram pasmos com aquela angelical presença e sentiram-se extremamente felizes, pois não tinham filhos, e consideraram o baixinho uma dádiva dos kami (deuses).

O menino recebeu o nome de Momotarô, porque Momo significa pêssego e Taro é um nome popular entre meninos japoneses. A criança foi tratada com muito carinho pelos bons velhinhos e crescia à olhos vistos. Cada tigela de kibi (milhete - uma espécie de milho de grão miúdo) que comia, tornava maior na mesma proporção. Sendo um comilão assumido e como tudo que comia era revertido em crescimento, logo tornou-se um robusto menino, cuja força não encontrava páreo na vizinhança.

Naquela época, contavam que surgiu numa das ilhas de Setonaikai (Mar de Seto) seres demoníacos que os japoneses chamavam de oni. Esses indivíduos saqueavam as aldeias próximas e raptavam as donzelas, causando temor e sofrimento ao povo da região. Como os oni eram grandes, fortes e impiedosos, além da aparências medonhas, com peles vermelhas e outras cores mais, os aldeões ficavam apavorados só de pensarem que de uma hora para outra, eles invadiriam suas casas. Os moradores locais, não tinham coragem de combatê-los com medo de levar uma boa chifrada, pois os tais demônios eram dotados de belos par de cornos nas cabeças louras e cacheadas.

Certo dia, Momotarô ajoelhou-se polidamente à frente dos anciões e inclinou a cabeça em profundo respeito e pediu: “Quero ir a Onigashima (Ilha dos oni) para acabar de vez com os demônios que tanto atemorizavam o povo. Por favor, deixem-me ir”. Os velhinhos ficaram preocupados com medo que acontecesse algo ao filho, porém, como este tinha idéia fixa e insistia tanto que acabaram concordando, afinal “o ideal de salvar o povo era algo nobre e irrecusável”.

A velhinha preparou uma porção de bolinhos de milhete (kibidangô), e colocou na bolsa de Momotarô, para ele levar de lanche na épica viagem. Momotarô em traje impecável partiu animado sob muitas recomendações dos preocupados velhinhos...

 
Adaptação livre de Claudio Seto
 
Não perca na próxima edição a grande batalha de Momotarô e os Oni
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