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O Kozo e a Yamanbá (parte 1)

Adaptação livre de Claudio Seto
(Texto e desenhos: Claudio Seto)

 

Há muito, muito tempo, havia no Japão um templo aos pés de uma montanha. Nesse templo, moravam um monge e um kozo (menino aprendiz de monge). Certa ocasião, o monge disse ao seu auxiliar que fosse à floresta para apanhar flores, pois o dia seguinte seria o Shunbun no Hi (Dia do Equinócio da Primavera) e era preciso deixar o altar muito bonito, pois os fiéis viriam rezar. Muitas oferendas seriam trazidas por eles, principalmente ohagi, que é uma pelota de arroz branco coberta com pasta de feijão azuki, pois os espíritos dos antepassados das famílias japonesas juntam-se em volta das oferendas alimentícias.

– Sim, senhor – disse Kozo, enquanto se preparava para sair em busca das flores.

– Vou lhe dar três omamori (talismã protetor) especiais, pois existem na floresta monstros ferozes, como a Yamanbá (bruxa) e o Tengu (gênio da montanha). Se qualquer coisa perigosa acontecer, atire o talismã no chão e peça um encanto dizendo uma palavra que você deseja para o momento. Se você quiser um oceano, diga exatamente: “venha oceano” e haverá um oceano.

– Sim – disse o menino.

Pegando os talismãs encantados, ele saiu do templo. Na montanha, as flores da primavera surgiam por toda a parte. Eram flores grandes e vermelhas que chamavam muito a atenção. Kozo examinou-as seletivamente, procurando saber qual delas colher, pois todas eram lindas. Como estava difícil dizer qual era a mais bonita, tentou fazer uma escolha por tamanho. Procurou pela maior delas, mas que também fosse bonita. O menino finalmente chegou a uma moita de flores onde todas eram grandes, acima até de sua altura.

– Vou ficar com esta – pensou Kozo – Não, aquela é maior ainda! Oh! A outra lá atrás é maior e mais bonita! – assim, o menino foi se embrenhando na floresta, completamente embriagado pela beleza das flores. Quando se deu conta da situação, a noite já vinha chegando.

– Oh! Está escurecendo, preciso voltar correndo, senão não vou enxergar o caminho.

Kozo deu meia volta e começou a andar com pressa, mas logo percebeu que não havia passado por ali quando veio. Tentou ir para um lado e para outro, mas entendeu que já não conseguia saber o rumo do templo. Começou a ficar apavorado, caminhando sem direção e apressadamente. Nessa altura dos acontecimentos, o sol já havia desaparecido e a floresta era completa escuridão.

O menino pensou em gritar pedindo socorro, mas lembrou-se que seus gritos podiam atrair as feras e resolveu que andaria até encontrar algum lugar conhecido. Depois de caminhar um bocado, viu uma luz brilhar entre as árvores no alto da montanha.

– Que bom, deve ter alguém morando lá! – disse, aliviado, o menino e resolveu ir pedir ajuda. Foi em direção à luz até que pôde distinguir uma janela de cabana. Era de onde vinha a claridade. Kozo agradeceu ao Buda em pensamento e aproximou-se do casebre.

– Boa noite. Sou o Kozo. Perdi o caminho de volta ao templo e peço que me deixe passar a noite aqui.

Uma estranha voz se fez ouvir e a porta foi aberta. Era uma velha Yamanbá de aspecto horroroso quem atendeu a porta. Assim que viu o menino, a Yamanbá esfregou as mãos uma na outra e disse:

– Oh! Um belo menino entre, entre. Então está perdido nesta densa floresta? É um terrível problema.

Kozo sabia que estava encrencado, mas não havia nada a fazer, senão tentar ser agradável com a Yamanbá e não despertar sua fúria.

Dentro da casa, ele tomou uma sopa do caldeirão da Yamanbá e pensou:

– Vou dar no pé quando ela dormir.

Porém, na hora de dormir, a velha Yamanbá deitou-se ao lado de Kozo, aparentemente para vigiá-lo. Então, o garoto fingiu que estava dormindo, roncando bem alto durante alguns minutos. Depois, tentou ver os olhos da Yamanbá, que lhe pareceram fechados. Para certificar-se, disse baixinho:

– Yamanbá-san, Yamanbá-san...

– O que é? – perguntou a bruxa com voz repreensiva.

– Eu preciso ir a casinha. Acho que sua sopa de ervas foi muito forte para mim – disse Kozo, para justificar o fato de tê-la chamado.

Alegando que era para não se perder na escuridão, a Yamanbá amarrou uma corda na cintura de Kozo e indicou a direção da casinha, que ficava fora da casa, e ficou deitada segurando a outra extremidade da corda.

Chegando na casinha, imediatamente Kozo desatou o nó e amarrou a corda numa viga. Em seguida, curvou-se e suplicou com todo o fervor:

– Senhor deus da casinha! Senhor deus da casinha! Por favor, eu lhe peço, se a Yamanbá me chamar, diga apenas: “um minuto que já vou...” (bost! bost!) Eu imploro, por favor...

Assim, Kozo saiu de fininho, engatinhando apressadamente entre os arbustos.

Continua...

 
Adaptação livre de Claudio Seto

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