Portal NippoBrasil - OnLine - 19 anos
Terça-feira, 17 de maio de 2022 - 23h53
  Empregos no Japão

  Busca
 

SEÇÕES
Comunidade
Opinião
Circuito
Notícias
Agenda
Dekassegui
Entrevistas
Especial
-
VARIEDADES
Aula de Japonês
Automóveis
Artesanato
Beleza
Bichos
Budô
Comidas do Japão
Cultura-Tradicional
Culinária
Haicai
História do Japão
Horóscopo
Lendas do Japão
Mangá
Pesca
Saúde
Turismo-Brasil
Turismo-Japão
-
ESPECIAIS
Imigração
Tratado Amizade
Bomba Hiroshima
Japan House
Festival do Japão
-
COLUNAS
Conversando RH
Mensagens
Shinyashiki
-
CLASSIFICADOS
Econômico
Empregos BR
Guia Profissionais
Imóveis
Oportunidades
Ponto de Encontro
-
INSTITUCIONAL
Redação
Quem somos
-
Arquivo NippoBrasil - Edição 094 - 8 a 14 de março de 2001
 
Haruyama e Akiyama

(Por Claudio Seto)

Prólogo
Um dia Fujiwara no Kinto, poeta e grande conselheiro de Estado, que compilou no ano 1001 sob decreto imperial, a antologia poética Shui Wakashu com 1.300 poemas da literatura clássica japonesa, debateu com o Ministro Uji a respeito de qual seria a mais bela flor da primavera e a mais bela de outono.

Dizia o ministro, “ Sakurá, a flor de cerejeira é a melhor entre as flores da primavera e Kiku, o crisântemo entre as do outono”. Kinto observou que: “Como pode a flor de cerejeira ser a melhor? Você deve ter se esquecido de Ume, a flor da ameixeira”.

O debate sobre qual das duas flores é superior se alongou e ganhou os corredores da corte imperial fazendo surgir duas facções de torcedores; uma à favor da flor de cerejeira e outra pela flor de ameixeira.

Mais tarde Kinto, percebendo que o ministro fazia defesa radical da cerejeira e para não ofendê-lo comentou: “Bem então, a cerejeira é a mais bonita das duas, mas quando você vê, pelo menos uma vez na vida, a flor vermelha da ameixeira no amanhecer da primavera, você jamais esquecerá daquela bela imagem”. Esse foi o gentil desfecho dado pelo poeta ao debate, porém na literatura japonesa a discussão sobre a natureza é um assunto sem fim. Desde a antigüidade e ainda hoje, os japoneses discutem qual a flor mais bonita, qual a estação do ano favorita.

Nos encontros poéticos realizados com freqüência durante o período Heian (794-1192), tornou-se hábito na corte, debater em versos a superioridade da primavera ou do outono. Esse hábito num determinado sentido, simboliza a profunda preocupação dos japoneses com o meio-ambiente. O poema da princesa Nukada, entre outros, em Manyôshu (ano 780) fala do assunto:

Mas quando nas encostas do outono
Vemos a folhagem,
Elogiamos as folhas amareladas,
Tomando-as em nossas mãos,
Suspiramos contemplando as verdes,
deixando-as nos galhos
E este é meu único pesar...
Para mim, as colinas de outono!

No Shuishu, um poeta anônimo assim se expressa a respeito:

Na primavera
pensamos apenas no florescer
das cerejeiras.
Já o outono é mais repleto
da melancolia das coisas.

Em Makura no Soshi (Livro de Travesseiro, escrita no ano 1000) a escritora Sei Shonagon inicia uma passagem onde discute as diferentes paisagens e interesses despertados pelas várias estações. Já Murasaki Shikibu (978-1016), na obra máxima da literatura japonesa, Guenji Momogatari (A História de Guenji), no capítulo “Gloria Matinal” fala da paisagem, que foi para a literatura da época, um novo tipo de beleza:
paisagem clara e serena da noite de inverno:

“As pessoas atribuem grande importância às flores de primavera e às folhas de outono, mas para mim nada há que se compare a uma noite como esta, onde a lua clara brilha sobre a neve, ela é a mais bela... e não há nela qualquer vestígio de cor. Não posso descrever o efeito que tem sobre mim, de alguma forma desvairado e sobrenatural. Não compreendo as pessoas que consideram uma noite de inverno ameaçadora.”

Os japoneses antigamente costumavam dizer “olhai as cerejeiras” ou “olhai os aceres”, palavras que traziam consigo um sentido de apreciação refinada e sensível das belezas da natureza. As flores da cerejeiras (sakurá) na primavera, e as folhas avermelhadas do ácer (momiji) no outono, são referências tão enraizadas na vida dos nipônicos que ninguém consegue ignorar a festa que a natureza oferece anualmente. Há quem diga que a tradição de debater qual é a melhor, primavera ou outono, é influência da história mitológica de dois irmãos: Haruyama no Kasumi no Mikoto (Príncipe da Névoa da Montanha da Primavera) e Akiyama no Shitabi no Mikoto (Príncipe da Montanha Rubra de Outono), descritas no capítulo 7 de Kojiki. Esses deuses personificam, respectivamente, as brumas de primavera e as folhas de outono. E suas brigas procuram justificar muitos fenômenos geográficos no norte do Japão.

Continua...

História do Japão
Arquivo Nippo - Edição 324
Era Meiji (Parte 5) - Gakumon no susume Era Meiji (Convite ao saber)
Arquivo Nippo - Edição 322
Era Meiji (Parte 4) - Trabalho e sociedade
Arquivo Nippo - Edição 320
Era Meiji (Parte 3) - Coréia: muralha de proteção
Arquivo Nippo - Edição 318
Era Meiji (Parte 2) - O despertar da modernidade
Arquivo Nippo - Edição 316
Era Meiji (Parte 1) - O imperador assume o poder
Arquivo Nippo - Edição 314
Era Edo (Parte 7) - Os revolucionários e a queda do xogunato Tokugawa
Arquivo Nippo - Edição 312
Era Edo (Parte 6) - Popularizacao de algumas formas de arte
Arquivo Nippo - Edição 310
Era Edo (Parte 5) - As três fases culturais
Arquivo Nippo - Edição 308
Era Edo (Parte 4) - Os grandes impérios do
Ocidente invadem o Oriente
Arquivo Nippo - Edição 306
Era Edo (Parte 3) - Fome, revoltas e novas políticas
Arquivo Nippo - Edição 304
Era Edo (Parte 2) - Proibição do cristianismo e fechamento dos portos
Arquivo Nippo - Edição 302
Era Edo (Parte 1) - O início do isolamento japonês
Arquivo Nippo - Edição 300
Era Azuchi-Momoyama (Parte 4) - As mulheres que viveram na era das guerras
Arquivo Nippo - Edição 298
Era Azuchi-Momoyama (Parte 3) - Batalha de Sekigahara
Arquivo Nippo - Edição 296
Era Azuchi-Momoyama (Parte 2) - Nanban Bôeki
Arquivo Nippo - Edição 294
Era Azuchi-Momoyama (Parte 1) - O início da unificação japonesa
Arquivo Nippo - Edição 292
Era Muromachi (parte 4) - Tempos de piratas, comércio e expansão
Arquivo Nippo - Edição 290
Era Muromachi (parte 3) - Cultura Kitayama e Higashiyama
Arquivo Nippo - Edição 288
Era Muromachi (parte 2) - A era dos países em guerra
Arquivo Nippo - Edição 286
Era Muromachi (parte 1) - Era de duas cortes e “Restauração Kenmu”
Arquivo Nippo - Edição 284
Era Kamakura (parte 4) - Novo budismo em Kamakura
Arquivo Nippo - Edição 282
Era Kamakura (parte 3) - Habitações da cidade medieval de Kamakura
Arquivo Nippo - Edição 280
Era Kamakura (parte 2) - Yoshitsune, Benkei e Shizuka-gozen
Arquivo Nippo - Edição 278
Era Kamakura (parte 1) - Consolidação da política dos samurais
Arquivo Nippo - Edição 276
Era Heian - Parte 4
Era Heian e o budismo
Arquivo Nippo - Edição 274
Era Heian - Parte 3
Hiragana e a literatura
Arquivo Nippo - Edição 272
Era Heian - Parte 2
O surgimento dos samurais
Arquivo Nippo - Edição 270
Era Heian - Parte 1
Os grandes latifúndios


A empresa responsável pela publicação da mídia eletrônica www.nippo.com.br não é detentora de nenhuma agência de turismo e/ou de contratação de decasségui, escolas de línguas/informática, fábricas ou produtos diversos com nomes similares e/ou de outros segmentos.

O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade exclusiva do anunciante. Antes de fechar qualquer negócio ou compra, verifique antes a sua idoneidade. Veja algumas dicas aqui.

© Copyright 1992 - 2022 - NippoBrasil - Todos os direitos reservados