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Arquivo NippoBrasil - Edição 088 - 25 a 31 de janeiro de 2001
 
Jingû Kogo. A imperatriz guerreira

(Por Claudio Seto)

O Kojiki, a mais antiga compilação de registros históricos do Japão, está dividido em três livros. O primeiro trata da era dos deuses, o segundo e o terceiro da era dos seres humanos. No entanto, muitas das narrativas de personagens que pertencem à chamada “Idade dos Seres Humanos”, como Jimmu Tennô o primeiro imperador do Japão, a imperatriz Jingû, ou o príncipe Yamato Takeru no Mikoto, claramente contêm muitos elementos considerados hoje míticos.

Jingu Kogo, que ficou conhecida na história do Japão como a “Imperatriz Guerreira”, era mulher de Chûai Tennô, 140 imperador do Japão no final do primeiro século antes de Cristo. O imperador Chûai, apesar de filho do legendário guerreiro Príncipe Yamato Takeru no Mikoto, tinha uma constituição física debilitada e era muito cauteloso quanto as decisões políticas do Império japonês. Vivia enfermo, por isso sua mulher, a imperatriz Jingû foi nomeada regente do trono.

No ano 200 a.C. o imperador Chûai faleceu e Jingû passou a ser a única mandatária do Japão. Então, neste mesmo ano, resolveu conquistar a Coréia com o seu exército. A imperatriz Jingû comandou pessoalmente a frota de navios japoneses, numa época em que pouco conheciam sobre navegação e a travessia do mar até o continente Chinês era quase uma viagem sem volta. O sucesso obtido por Jingu, fez nascer a crença de que ela tinha em seu poder a Jóia da maré maixa e a Jóia da maré alta, duas bolas de cristais místicas, com o poder de controlar as marés, que são citadas em várias histórias mitológicas. Historiadores japoneses contam que essas jóias permitiram a Jingû controlar as manobras de sua frota de navios e os exércitos de peixes acompanharam ela até a Coréia.

Com sucessivas batalhas, a guerra teve duração de 3 anos e a Imperatriz Jingu, apesar de grávida combateu à frente de seu exército. Está registrado na mais antiga compilação da história japonesa, o Kojiki, que os reis dos Três Reinados da Coréia prometeram à imperatriz Jingû de “pagar tributos de lealdade e enviar tributos até o sol não mais nascer no Leste, mas vir do Oeste; até o curso do rio escorrer no sentido oposto e o rio Seisho subir e se transformar em um rio de estrelas no céu”.

Ao contrário de Jesus que nasceu de uma virgem, o filho de Chûai e Jingû permaneceu na barriga da mãe durante 3 anos, até que ela completasse a dominação da Coréia e retornasse ao Japão. Mais tarde, o bebê tornou-se o imperador Ojin. Um dos ministros da época era Soga no Takeuchi conselheiro do imperador Ojin, o qual, não era coreano mas tinha apoio de um grande contingente da Coréia, e os Soga continuaram controlando a economia por meio de sistema imposto, sustentando a introdução de artesanato e artes coreana.

Oitocentos anos depois de sua morte, Ojin Tennô foi canonizado com o nome de Hachiman, o Deus da Guerra, pelo fato de ter passado tanto tempo e tantas batalhas no ventre de Jingû.

Certamente há uma conexão entre a mitologia e os fatos históricos do Japão e da Coréia. Em 285 d.C. um dos Três Reis da Coréia introduziu os caracteres chineses no Japão. A linguagem da escrita chegou a esta forma básica e veio para ficar.

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