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Arquivo NippoBrasil - Edição 087 - 11 a 17 de janeiro de 2001
 
As pedras de Ryoanji

(Por Claudio Seto)

O jardim do templo Ryoanji de Kyoto é tido como um dos melhores exemplos do jardim zen, kare-sansui (paisagem seca, com pedras e sem água) do Japão. Ryoanji foi construído como templo particular de Hosokawa Katsumoto, um poderoso senhor feudal que tinha grande influência na corte do shogun (generalíssimo) Ashikaga Yoshimasa, por volta de 1450.

Esse jardim é uma obra prima da simplicidade Zen, sendo constituído de uma extensão de areia branca texturizada com um rastelo, tendo quinze pedras dispostas assimetricamente, algumas das quais rodeadas de musgo. Essas pedras estão colocadas em dois grupos: o primeiro de 5, 2 e o segundo de 3, 2, 3, com o grupo maior perto da entrada. Em síntese é uma toalha de areia branca de onde emergem cinco grupos de pedras pardas. Na areia, uns riscos paralelos como que desenham as vagas regulares do mar - deformam-se ao rodear cada grupo de pedras, semelhando a espuma da água ao bater contra as ilhotas e os recifes.

O jardim está enquadrado entre edifícios do mosteiro e uma muralha. Fala-se em duas interpretações possíveis para as pedras: ou representam um tigre fêmea guiando seus filhotes através de um rio (o tigre, imagem de nossa vontade suprema de despojamento e de pureza feroz, implacável, essa vontade que nos leva para além do rio da impermanência,) ou os picos das montanhas a surgirem das nuvens (a permanência do espírito puro defronte o turbilhão do mar impermanente. Contraste entre a pedra, que confunde os séculos, e a areia movediça incessantemente é uma imagem da nossa relatividade, deste mundo efêmero). Provavelmente é mais sensato não aceitar qualquer tipo de explicação, mas procurar, como é próprio dos ensinamentos Zen, a nossa interpretação própria segundo a intuição.

A concepção desta obra despojada foi atribuída ao mestre Soami. Segundo a lenda em torno do Ryoanji, no dia da inauguração o jardim tinha 16 pedras, divididas em dois grupos de oito, pois os japoneses consideram o 8 um número da sorte. O generalíssimo Ashikaga Yoshimasa era um amante das artes, e quando foi convidado pelo daimyô Hosokawa para a inauguração do jardim Zen, achou por bem chamar Sua Majestade o Imperador, para prestigiar esse grande evento.

O imperador ficou encantado com o jardim e fez uma observação cortês:
- Sem dúvida nenhuma este é o mais lindo jardim de todo o Japão. E aquela a mais bela pedra do jardim.

Ouvindo o comentário do imperador, Soami tirou a pedra que o imperador havia elogiado e a jogou fora. Todos os presentes ficaram pasmos com o tamanho atrevimento do mestre Zen e sua grande falta de respeito com o divino imperador.

-Ah! Agora o jardim está perfeito – observou Sua Majestade. – Não há nenhuma pedra mais bonita que as outras e o jardim pode ser visto em toda sua plenitude. Um jardim, assim como a vida, precisa de ser apreciada por inteiro. Se fixarmos nossos olhos na beleza de um detalhe, todo o resto, corre o risco de ser ignorado.

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