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Arquivo NippoBrasil - Edição 086 - 11 a 17 de janeiro de 2001
 
Kaguya Hime - Parte 3

(Por Claudio Seto)

A LUZ DO LUAR
E assim passaram quatro anos desde que Hime foi encontrado no toco de bambu. As propostas de casamento continuaram chegando mas ela continuou recusando, dizendo estar muito feliz em companhia do casal de velhinhos. Porém a partir do dia de seu quarto aniversário, a mocinha teve uma visível transformação comportamental. Ela foi deixando de ser uma garota espontânea e alegre, para dar lugar a um ar melancólico. Nas noites de luar ela ficava horas e horas olhando pensativa para a lua.

Percebendo que a lua causava estranha atração na filha, a velhinha perguntou:
-Você está bem? Parece preocupada...
-Não é nada mamãe... logo estarei bem.

Hime tentou disfarçar sua aflição para não deixar seus pais preocupados. Porém, quando chegou a lua cheia, ela não conseguiu segurar mais e desabou em choro.
-Filha o que foi?

-Estou muito triste porque vou ter que me separar de vocês, na próxima lua cheia que será no dia 15 de agosto. Sou uma habitante da lua que recebeu permissão para passar um tempo aqui na terra. Mas no próximo mês termina o prazo que me concederam e tenho de voltar para a lua.
-Mas filha você precisa mesmo ir?

-Sim, eles virão me buscar num grande carro. O tempo que passei aqui fui tão feliz pelo carinho e amor que me deram. Gostaria até de ficar morando aqui para sempre, mas não posso porque vim na condição de que voltaria passado quatro anos e não posso quebrar esse acordo. Eu estava triste porque não tinha coragem de contar isso a vocês, pois sei que ficarão muito tristes.

Os velhinhos ficaram inconsoláveis com a notícia. Isso despertou a atenção dos moradores do vilarejo e a notícia acabou chegando no palácio imperial. O imperador mandou o ministro conselheiro para descobrir se era verdadeira a notícia de que no dia 15 de agosto a princesa partiria para o céu.

O velhinho suplicou ao ministro para que não deixassem os habitantes do céu levar sua filha. O Imperador também ficou muito triste e prometeu mandar seus melhores guerreiros para proteger a casa contra os que viriam buscar a Princesa Cintilante.

Um mês depois, quando começou a anoitecer, dois mil guerreiros cercaram a casa dos velhinhos. Haviam pessoas armadas de lanças, arcos e flechas por toda parte; dentro e fora da casa, e até sobre o telhado, dispostos a expulsar os homens do céu que viessem buscar a Princesa Cintilante. Vendo os mais famosos guerreiros do Japão de prontidão para proteger Hime, todos comentavam:
-Ninguém atreverá a se aproximar da princesinha com tantos bravos à postos.

CARRUAGEM CELESTE
O momento fatídico se aproximava. A lua cheia apareceu enorme e brilhante por de trás da montanha e foi subindo. Um silêncio mortal tomou conta da multidão de guerreiros e curiosos que cercavam a casa dos velhinhos. Com olhos estalados todos olham na mesma direção: a lua. As horas foram passando e nada acontecia. E eis que à meia-noite em ponto, “uma nuvem brilhante vem descendo do céu e pára sobre a casa de Kaguya Hime.” Uma fresta se abre na nuvem e um feixe luminoso de luz é projetado sobre a casa. Os guerreiros apontaram suas flechas, lanças e espadas para o alto. Nisso o feixe de luz ficou tão intenso irradiando um clarão misterioso e todos ficaram paralisados na posição em que se encontravam.

Embora imobilizados, todos puderam observar que dentro da nuvem luminosa havia um carro celeste. De seu interior sugiram vários tennin (habitante do céu) com roupas brilhantes e suntuosas. Eram lindas ninfas celestes parecidas com Kaguya Hime. Desceram flutuando até o interior da casa, onde a princesa estava junto do casal de velhinhos.

-Faz tempo que alteza está sob os cuidados desse bondoso casal, é chegada a hora de retornar para seu reino. Princesa suba na carruagem celeste por favor. É seu dever – disse uma das ninfas.

Os velhinhos queriam pedir para que não levassem Kaguya Hime, mas estavam paralisados como os demais e nada puderam fazer. Vendo as lágrimas brotar do rosto imobilizado de sua mãe, A princesa disse chorando:

-Mamãe, papai, quero agradecer por tudo que fizeram por mim. Gostaria de ficar aqui para sempre em companhia de vocês, porém, isso está acima de minha vontade.

As ninfas celestes começaram a flutuar para o alto, em direção ao carro cósmico e Kaguya Hime, aos prantos, as seguiu. Assim que ela estava bem no alto, todos em volta da casa recuperaram os movimentos mas já era tarde demais. O casal Taketori correu para o quintal e viu por alguns segundos, Kaguya Hime embarcando na carruagem celeste. Em seguida, as luzes foram ficando distantes até confundir com as estrelas.

O ELIXIR DA VIDA ETERNA
O pequeno vilarejo nos arredores de Heian-kyo voltou a calma costumeira. Uma sensação de vazio imenso tomou conta da casa do casal de velhinhos. Os dois passavam quase o dia inteiro no quarto de Hime, apreciando as roupas e objetos que um dia pertenceram a ela. Entre os objetos encontraram duas cartas. Uma dirigida ao casal e outra ao Imperador do Japão. Também havia um pequeno embrulho junto as cartas.

-Papai e mamãe, minha gratidão por vocês é infinita. Muito obrigado pelo amor e carinho que deram a mim. Deixo para vocês um frasco de Fussi (imortalidade), o elixir da longa vida, para que vivam felizes por muitos e muitos anos.

O casal resolveu dar a poção mágica, da vida eterna, ao imperador, já que ele era a pessoa mais importante do Japão e poderia fazer melhor uso. Enviou então o frasco junto a carta.
A carta do Imperador continha uma poesia waka, no formato tanka ( 37 sílabas), que ao ler ele chorou de emoção, pois dizia:

Kimi ga yowa
tiyoni yati yoni
Sazare ishi-no
Iwa oto narite
Koke-no mussu made

Uma poesia que assim como o elixir da vida eterna, que fala (kimi ga yowa) sobre a vida familiar, social, regional, nacional e de toda terra. Infinitamente por mais de mil ou oito gerações (tiyoni yati yoni). Pedriscos que com o passar dos tempos tornam-se rochas (sazare ishi-no ), significa harmonizar-se e tornar-se Uno (Iwa oto narite). Nesta rocha até que formem a nova vida –musgos- durante a convivência harmoniosa durante a vida (koke-no mussu made).

O imperador pegou o elixir da vida eterna chamado Fussi e mandou queimar na cratera vulcânica de um bonito monte sem nome que existia no Japão, dizendo:

-Não quero viver eternamente num mundo onde não existe mais, Kaguya Hime. A poesia que ela mandou terá vida eterna, pois será cantada de gerações em gerações.

Dizem que quando atiraram o frasco do elixir no alto do monte, em uma cratera vulcânica em atividade, uma fumaça azul subiu ao céu na mesma direção em que foi Kaguya Hime. O imperador havia escolhido jogar no alto aquele monte, porque era o lugar mais próximo do céu de todo Japão. A partir dessa data, todas as vezes que o povo se referia ao monte dizia:

-Lá no monte onde queimaram o Fussi. E de tanto repetirem o nome Fussi, o monte passou a ser chamado de Fuji. Dizem que ainda hoje é possível ver uma fumacinha azul subindo para o céu.

 

Comentário
Taketori Monogatari, A História do Colhedor de Bambu, de autor desconhecido, foi escrito nos meados do século IX e tido como a mais antiga obra do gênero literário monogatari (inclui contos e poesias, romances, relatórios históricos etc). A extraterrestre Kaguya Hime ou Princesa Cintilante é a principal personagem desta obra que ficou popular no período Heian (794 a 1192). Taketori Monogatari é contemporânea de outra obra bastante conhecida: Ise Monogatari (Contos de Ise), que tem como personagem principal, o poeta cortesão Arihara no Narihira – 823-880).

Essa lenda é um prato cheio para os ufólogos japoneses. Eles garantem que a história de Kaguya Hime é uma prova de que no início do II Milênio, o Japão foi visitado por seres extraterrestres. Na região onde dizem que a história aconteceu, existiam pagodes de cinco andares, adornado com um objeto de forma estranha, cuja função é até hoje desconhecida, porém, os ufólogos garantem que eram, na verdade, antenas para captar sinais do espaço.

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