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Arquivo NippoBrasil - Edição 084 - 21 de dezembro de 2000 a 3 de janeiro de 2001
 
Kaguya Hime - Parte 1

(Por Claudio Seto)

Na era Heian (794 a 1192), quando a capital do Japão era Heian-kyo (hoje Kyoto), chamada carinhosamente pelo povo de Kyo no Miyako, havia um casal de velhinhos que vivia na periferia da cidade. O velhinho era Taketori, um colhedor de bambu – profissão muito respeitada na época, porque dependendo da planta que era retirada do bambuzal, as mais novas poderiam crescer vigorosas e retas. Portanto cortar bambu era uma arte e o profissional que se dedicava a esse trabalho, embora não fosse uma profissão rentável, vinha de anos no aprendizado e dedicação. O objetivo principal era o de ser útil ao próximo, pois naquele tempo o bambu fornecia matéria-prima para os principais artefatos domésticos, que iam desde portas, mesinhas, armários, garrafas, cestas, peneiras até pequenos objetos como pentes, cálices, anzóis, agulhas, pincéis e centenas de utensílios caseiros. Também o broto de bambu era um alimento apreciado até na corte imperial.

Certo dia o velhinho Taketori foi colher um pé de bambu maduro para fazer um cesto que lhe haviam encomendado. Andando pelo bambuzal notou que um toco de bambu cortado emitia um brilho fascinante. Passado o susto inicial, o velhinho se aproximou movido pela curiosidade e levou um susto ainda maior. Havia uma menina pequenina, mas tão pequenina que cabia na palma da mão, acomodada no corte do bambu.

Taketori e sua esposa formavam um casal de idade avançada. Durante anos e anos desejaram ter uma criança para cuidar, mas nunca conseguiram ter um filho ou adotar uma criança. Ao ver aquela pequena menina abandonada no bambuzal, entendeu o bom velhinho, que Deus havia ouvido suas preces. Feliz como nunca sentira, pegou a menina nas palmas das mãos e a levou para casa.

Sua mulher ao ver a criança ficou felicíssima e, com todo carinho, pegou um cesto e improvisou uma caminha e rapidamente costurou um acolchoado. O casal não se cansava de apreciar aquela linda criaturinha.

-Seu nome será Kaguya Hime, que significa Princesa Cintilante. Pois você nasceu de um bambu do brilho fascinante- decidiu o casal.

A partir daquele dia, um estranho fenômeno começou a ocorrer todas as vezes que Taketori ia ao bambuzal. Um gomo de bambu começava a brilhar e ele cortava para ver se não havia outra criancinha, e encontrava algumas moedas de ouro. Assim, em pouco tempo eles ficaram ricos.
-Não precisamos mais fazer cestos para sobreviver. Deve ser nossa princesinha que trouxe tanta sorte. Comentou a velhinha.

A menina cresceu rapidamente e tornou-se uma linda mocinha. Sua beleza chamou a atenção da vizinhança. Os rapazes da aldeia viviam passando em frente da casa para poder vê-la. A beleza ganhou fama e até o pessoal da capital começaram a dirigir para o vilarejo movido pela curiosidade. O casal de velhinhos passava o dia inteiro atendendo pessoas que queriam ver a “Princesa Cintilante”, a todo custo. A princesa ficava acanhada diante de estranhos e se escondia no quarto dos fundos e não atendia ninguém. Quanto mais ela se escondia, mais aguçava a curiosidade dos visitantes. Algumas pessoas ficavam de plantão em frente da casa na esperança de ver a linda princesinha.

Muitos jovens ficaram apaixonados pela beleza de Kaguya Hime, inclusive cinco poderosos príncipes. Os cinco foram a casa de Taketori e pediram para ver a princesa, pois todos alegavam que estavam na idade de casar.

-Pai, eu não quero casar com ninguém, peça para irem embora, por favor.
-Filha, eu não posso mandá-los embora sem mais nem menos. Eles são filhos de poderosos senhores da corte imperial, pelo menos deixe que eles a vejam.

Kaguya Hime foi apresentada aos cinco príncipes e todos eles suspiraram diante da beleza dela. Imediatamente eles se mostraram apaixonados e teceram mil elogios à sua formosura. Nos dias que se seguiram, todos os cinco enviaram cartas ao velho Taketori pedindo formalmente a mão da princesa. Para ela enviaram poemas de amor e ricos presentes. Porém ela não respondia os poemas, como era de costume na época.

Como os príncipes vinham diariamente cobrar resposta do pedido de casamento, Taketori tentava convencê-los de que ela não podia se casar, porque nascera de uma cápsula de bambu e portanto não era humana. Mesmo assim eles não desistiam, cada vez ficavam mais apaixonados e Taketori não sabia mais o que fazer.

-Hime, temos um grande amor por você, gostaria que morasse conosco para o resto da vida, porém, achamos justo que você se case e forme uma família. Por outro lado, estamos muito preocupados com os príncipes que você está recusando. Temos medo que eles fiquem ofendidos e despejem suas fúrias sobre nós e nosso vilarejo. Aí todos os moradores vão sofrer sem culpa de nada.

-Não quero que nada de mal aconteça à vocês meus pais, nem ao povo da vizinhança. Portanto concordo em me casar. Como a escolha é difícil, para cada um dos cinco farei um pedido. Aquele que conseguir atender meu pedido, será meu esposo.

Na manhã seguinte quando os pretendentes chegaram à casa de Hime, o velho Taketori sorteou um número para cada príncipe e leu os pedidos que lhe coube, lembrando que aquele que cumprisse a tarefa seria esposo da filha dele. Os príncipes imediatamente partiram para executar a missão.

O VASO QUE PERTENCEU AO BUDA

Ao príncipe nº 1 foi dado a missão de viajar para a Índia e trazer um vaso que pertenceu ao grande Buda. Consultando os marinheiros ele percebeu que era uma missão quase impossível. Era longe demais para ir de navio, e não havia nenhuma segurança atravessar o oceano pertencente aos dragões. Por terra teria que atravessar o grande continente chinês e isso levaria anos e anos.

A Índia ficava tão longe e mesmo que chegasse lá, não saberia por onde começar, como e onde procurar esse objeto sagrado. Resolveu então procurar mesmo no Japão, algo que pudesse passar pelo vaso que pertenceu ao Buda. Andou com seus servos em vários templos budistas que estavam começando a ser implantados no País, em um deles deparou com um velho vaso de pedra jogado num jardim. Mandou recolher e embrulhou em tecido de seda e levou para a casa de Hime.

-Trouxe da Índia o vaso que pertenceu ao grande Buda!
Quando o príncipe nº 1 desembrulhou o vaso, Kaguya Hime fez uma observação.
-Esse é um vaso antigo mas não tem brilho. Consta que o vaso do Buda tem brilho encantador. Alteza deve ter-se enganado.
Constrangido e envergonhado, o príncipe nº 1 foi embora e saiu do páreo.

A ÁRVORE COM FRUTOS DE PÉROLAS

Ao príncipe nº 2 coube a tarefa de ir ao monte Horai, e fazer um yamadori (busca e coleta de planta nativa) para um bonsai de takará no ki (árvore do tesouro). Segundo a lenda essa árvore tem o tronco de prata, folhas de ouro e que dá frutos de pérolas.

-Partirei imediatamente - disse o príncipe e reuniu seus guerreiros, dirigindo ao porto de Osaka. Embarcou no navio e mandou rumar para o mar do leste. Porém, no porto seguinte, desembarcou secretamente reuniu alguns dos melhores artesãos da região.

-Quero que confeccionem uma árvore anã com essas especificações- disse o príncipe entregando um papel aos mestres do artesanato. Os homens trabalharam dia e noite para fazer uma árvore perfeita. Assim que ficou pronta, os servos levaram o “bonsai” cuidadosamente para a casa da Princesa Cintilante.
-Veja a bela árvore que você pediu, minha linda princesa – disse orgulhosamente o príncipe nº 2.

Realmente era uma obra de arte. Não só o velho Taketori e sua esposa como a Princesa Cintilante ficaram maravilhados com a pequena árvore de ouro, prata e pérolas. Percebendo que todos estavam visivelmente maravilhados com a árvore artificial, que parecia natural, o príncipe começou a contar vantagens, na tentativa de demonstrar sua bravura para ganhar admiração.

-Não foi fácil trazer essa jóia da natureza. Para início de conversa, ninguém sabia dizer exatamente em que ilha fica o monte Horai. Depois de navegar dias por mares revoltos, minha intuição guiou -nos até uma ilha distante. Caminhamos por uma floresta fechada e cheia de animais selvagens. Somente dias depois atingimos o pé do monte. A escalada então, foi ainda mais difícil. Mas não desistimos e lutamos bravamente até conseguir chegar no ponto mais alto do monte. De lá pudemos avistar o takara no ki (planta tesouro) em um penhasco íngreme. E com um esforço sobre-humano, conseguimos colher essa maravilha e plantar na bandeja de bonsai.

-Puxa quanta bravura ! admirou o velho Taketori – Se mais ninguém conseguir cumprir a tarefa, sua Alteza será o escolhido.

Nesse momento o diálogo foi interrompido por um grupo de artesãos que confeccionaram a árvore do tesouro. Eles alegavam que ainda não haviam recebido o pagamento prometido e exigiam que o príncipe tomasse providências.

Descoberta a farsa, o príncipe saiu correndo superenvergonhado. Então, Hime pediu que seu pai pagasse o trabalho dos artesãos. Assim o segundo concorrente à mão da princesa foi eliminado.

Kaguya Hime, continua e será divida em 3 partes

História do Japão
Arquivo Nippo - Edição 324
Era Meiji (Parte 5) - Gakumon no susume Era Meiji (Convite ao saber)
Arquivo Nippo - Edição 322
Era Meiji (Parte 4) - Trabalho e sociedade
Arquivo Nippo - Edição 320
Era Meiji (Parte 3) - Coréia: muralha de proteção
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Era Meiji (Parte 2) - O despertar da modernidade
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Era Edo (Parte 7) - Os revolucionários e a queda do xogunato Tokugawa
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