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Arquivo NippoBrasil - Edição 072 - 28 de setembro a 4 de outubro de 2000
 
Pré-história do Japão - 5 - Parte 2
Ookuni Nushi no Mikoto - O Grande Mestre da Terra

(Por Claudio Seto)

SOB O SIGNO DO RATO
Na terceira prova, o deus -Tempestade levou o jovem para um imenso campo. Lá chegando, Suzano-o vergou seu poderoso arco e atirou a flecha bem distante, ordenando a Ookuni que fosse buscá-la. Ele correu em direção para onde a flecha foi arremessada, porém como o campo era repleto de alto capinzal, a dificuldade de encontrar era enorme. Enquanto Ookuni procurava, inesperadamente como um raio, o deus-Tempestade ateou fogo no capim. Uma grande labareda levantou e propagou o fogo ajudado pelo forte vento assoprado pelo deus-Tempestade. Em fração de segundos Ookuni se viu rodeado pelas chamas que vinha fechando em círculo. Correu de um lado para outro mas não havia como sair.

Nesse momento de desespero um rato chegou junto ao seus pés e recitou uma advinhação: - O que é, o que é ? : Por fora é quente, por dentro é morno.

Embora o círculo de fogo já estivesse bem perto, Ookuni ficou intrigado com a pergunta e tentou pensar numa resposta. Vendo que o rato tinha desaparecido, pisou com força no montinho de terra fofa onde o animalzinho estava. O chão cedeu e Ookuni caiu numa caverna. Nesse instante o fogo passou sobre a superfície e o jovem pode até sentir o calor, sem se queimar.

Enquanto se recuperava do susto, apareceu o rato com a flecha na boca e disse:
- Parabéns, você matou a charada. Seu prêmio é uma flecha.

No palácio a princesa Susseri estava chorando certo de que seu amado fora dizimado pelo fogo. Suzano-o no Mikoto tentava consolar a filha, dizendo que se ele não conseguiu escapar daquela prova era sinal de que não era digno de ser seu marido. Nisso, Ookuni entrou folgadamente pela porta com a flecha na mão e entregou para o deus-Tempestade.
Suzano-o reconheceu. - És um grande homem!

SOB O SIGNO DO MACACO
Ookuni e Susseri ficaram satisfeitos pensando que estavam terminadas as provas. Porém foram surpreendidos com a ordem de Suzano-o, que disse que ia tirar uma soneca e que Ookuni deveria, enquanto isso, matar uns bichinhos que estavam se criando em sua longa cabeleira. Era mais um desafio, pois os tais bichinhos nada mais era que os insetos nojentos chamado mukade (lacraias).

Enquanto Suzano-o dirigia-se para seu quarto para dormir, a princesa Susseri, confidenciou ao seu amado, que seu pai já não o estava submetendo a provas. O deus-Tempestade pensava ter encontrado alguém a sua altura e estava iniciando o “jogo do macaco”. De agora em diante, a coragem não era levado em conta, só a astúcia contava. Assim, Susseri entregou a Ookuni uma fruta de muku (a palavra faz um trocadilho com o nome da fruta) e um pouco de barro vermelho, explicando que ele deveria morder a fruta e cuspir junto com o barro vermelho que pareceria sangue, fazendo seu pai pensar que ele estava mordendo o nojento mukade.

Suzano-o estava fingindo que dormia e Ookuni mexia seu cabelo com um pau e dava uma mordida na fruta e cuspia o barro vermelho. O deus-Tempestade ficou satisfeito com o estratagema, e se divertia pois não existia nenhum mukade na sua cabeça. Considerou que o “jogo do macaco” começou de forma interessante e ardilosa: quem pensava que estava enganando estava sendo enganado. Assim, acabou pegando no sono pensando em um novo truque para o seu jogo no dia seguinte.

Assim que Suzano-o começou a roncar Ookuni pensou com seus botões:
-Se o bicho é venenoso como dizem, porque ele não se preocupa que morda a sua cabeça?
-Assim percebeu que estava sendo enganado e resolveu dar o troco iniciando ele um novo jogo. Amarrou os longos e desalinhados cabelos de Suzano-o num pilar e resolveu fugir com sua filha e seus tesouros celestes.

Apanhou o arco e a flecha e a harpa sagrada (koto) que Suzano-o tinha ganhado da deusa-Sol (Amaterassu Omikami). A noite estava mais escura que outras noites. Quando o casal deixava sorrateiramente o palácio, a corda da harpa encostou no canto da porta e despertou o deus-Tempestade. Tentou levantar com um só impulso mas caiu sentado devido as amaras do cabelo. Teve que reconhecer mais uma vez a astúcia do jovem Ookuni.

Desvencilhou-se das amarras e deu com a porta que não abria porque o casal tinha encostado uma enorme pedra. Quando finalmente conseguiu sair, ordenou ao vento que lhe trouxesse o som harpa provocado pela correria do casal.

Quando avistou o casal, eles já estavam no morro que fazia divisa com o território vizinho. Surpreendido com a astúcia de tão queridas criaturas foi generoso e permitiu que o par mantivesse o tesouro furtado, abençoando a união. Ainda por cima deu ao genro o direito de governar uma província. Assim Okuni passou a ser chamado Okuni Nushi no Mikoto e tornaria-se o sucessor de Suzano-o.

 

Comentário
Existem várias passagens sobre Okuni Nushi no Mikoto, como no capitulo 35 de Kojiki (o mais antigo documento histórico do Japão) onde fala de seu encontro com dois deuses na praia de Isana, em Izumo no Kuni, quando ele estava sendo pressionado a entregar suas terras e “os deuses visitantes desembainharam uma espada de dez palmos de comprimento, e colocaram-na apontada para cima sobre a crista das ondas, em seguida, sentaram-se de pernas cruzadas sobre a ponta da espada”.

Outra passagem é de quando ele se tornou poderoso, foi auxiliado pelas artes de um deus anão chamado Sukuna Biko (Pequeno Homem Ilustre). Os dois se encontraram pela primeira vez quando o anão desembarcou em Izumo numa pequena balsa. Ele tinha asas de inseto e minúsculas pernas no corpo. O anão era filho da deusa Divina Criação e tinha conhecimento extraordinário sobre medicina. Okuni Nushi e Sukuna Biko juntos se tornaram famosos como curadores de Izumo. O Pequeno Homem ilustre desapareceu quando escalava pé de kibi (milhete - espécie de milho). A planta se curvou e ele foi lançado para o céu. Dizem os superticiosos que o pequeno e afetuoso deus aparece às pessoas humildes para levá-las às fontes de água quente.

Também é conhecido a passagem do encontro de Ookuni Nushi no Mikoto com Ninigui no Mikoto, neto da deusa-Sol, que veio para dominar a Terra. Juntos fizeram um acordo. Ninigui reinaria o mundo visível e Okuni Nushi o mundo invisível.

 

Sob o signo do Coelho
Existem passagens com outras mulheres, além de Susseri Hime, com quem Ookuni se casou e muitas lendas a seu respeito. Mas, a mais famosa lenda que o cerca é a de Inaba no Shirousagui (Coelho Branco de Inaba), narrada no capítulo 21 de Kojiki.

Daikoku
Ookuni Nushi é associado a Daikoku, o deus das riquezas, uma das divindades do grupo “Sete deuses da fortuna e da sorte”, porque os ideogramas que compõe o nome Okuni também podem ser pronunciados Daikoku.

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