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Arquivo NippoBrasil - Edição 069 - 7 a 13 de setembro de 2000
 
Pré-história do Japão - 4
Ninigui, o Augusto Neto Celeste,
e Konohana Sakuya Hime, a princesa florescer

(Por Claudio Seto)

Quando chegava a primavera os antigos sabiam que as plantas anunciavam a presença da princesa Konohana

Certa ocasião Amaterassu Omikami, a Augusta Deusa Sol, enviou da Alta Planície Celeste (Takama no Hara) uma expedição exploradora chefiado pelo deus-guerreiro Ameno Hoohi no Mikoto para verificar como estava o país que mais tarde se chamaria Japão. Na época, esse país era chamado de Achi Hara no Mizuho no Kuni (País dos Campos de Juncos e Espiga de Arroz) e era habitado por nativos.

A expedição de Ameno Hoohi, retornou tempos depois e este contou o quanto era lindo o país e que ele e seus guerreiros haviam enfrentado e submetido à obediência os nativos que não reconheciam a autoridade da deusa-Sol.

Amaterassu resolveu então, mandar um herdeiro para reinar Mizuho no Kuni. Encarregou seu filho Massaka Akatsu Katsu Hayabi Ameno Akishiho no Kami (Divindade Espiga de Arroz Luxuriante do Céu) da missão, mas este que adorava a Alta Planície Celeste sugeriu que fosse seu filho Ninigui no Mikoto (Augusto Neto Celeste):

“Então ela dirigiu-se ao seu Augusto Neto e ordenou-lhe: “Esta fértil planície de juncos será a região onde os meus descendentes serão senhores. E tu Ninigui, vai para lá e governa-a. Vai e talvez a prosperidade favoreça a tua dinastia, e faz com que, tal como o Céu e a Terra, ela seja eterna” (Nihon Shoki – Crônica do Japão).

A expedição que acompanhou Ninigui, o neto de Amaterassu, aportou no sul da ilha de Kyushu e o Augusto Neto Celeste trouxe com ele as três insígnias sagradas, símbolos de sua autoridade real (hoje tesouro da família imperial): o espelho, a espada sagrada e uma jóia (bola de cristal). Comandando os guerreiros que faziam a guarda de segurança de Ninigui, veio Katami Musubi, que dominou os habitantes do monte Takachihô, na ilha de Kyushu, onde inicialmente se estabeleceram.

Consta também que quando a expedição vinda de Takama no Hara (Alta Planície Celeste) chegou em Mizuho, encontrou um forte chefe nativo de nome Saruta Hiko, que seria um grande obstáculo para conquista da região, pois ele tinha um físico avantajado e era mais forte que um touro. Na luta era invencível, porém foi seduzido pela beleza da deusa Ameno Uzume no Mikoto, por quem se apaixonou perdidamente e permitiu à comitiva de Ninigui, instalar-se no monte Takachihô.

Nesta época, na costa oeste da ilha Honshu (principal ilha do arquipélago japonês), em Izumo, moravam os descendentes de Suzano-o no Mikoto, o irmão rebelde de Amaterassu .

Kono Hana Sakuya Hime

No país de Mizuho (Japão), Minigui se apaixonou pôr Konohana Sakuya Hime, a princesa Florescer ou deusa da Primavera, bela donzela que com seus gestos mágicos fazia flores surgirem nas árvores. Ela espalhava pétalas no rio e todo vale ficava florido.

O pai da princesa, Ôyama Tsumimi no Kami, o Grande Possessor da Montanha, tinha também uma filha mais velha, Iwanaga Hime, “princesa Rochas Extensa”.

Ao Augusto Neto Celeste, foi oferecido a mão de uma das princesas e Ninigui escolheu Konohana. O fato magoou profundamente Iwanaga, pois era a mais velha das duas e por tradição deveria ser a noiva. Porém, nem mesmo Ôyama tinha autoridade para contestar a decisão do neto da Augusta Deusa Sol. Então a princesa Iwanaga passou a viver uma longa tristeza, tal qual as rochas beira-mar que vivem umedecidas de lágrimas, pois ela também queria se casar com Ninigui.

Com o coração partido, Iwanaga rogou uma praga, dizendo que os descendentes da deusa-Sol, a partir dos filhos de Ninigui e Konohana, floresceriam na vida e depois murchariam como acontece com as flores depois da primavera (ou seja, que os membros da família imperial teriam vida curta). Daí porque o antigo escudo do exército imperial era um cerejeira florescendo, simbolizando a glória da vida curta dedicada à obrigação. Não só a cerejeira como outras plantas ganharam representatividade simbólica a partir dessa época. O bambu era um símbolo da sorte e representava tenacidade e coragem. O bambu se curvaria ao vento mas não se quebraria. Era uma planta que cresceria abundantemente no pais e seria admirada por sua beleza e por seu simbolismo. Era usual tanto nos festivais quanto nos enfeites usar variáveis formas como escudo.

Flores são muito importante no heráldico do Japão. E a flora, antes da fauna, que predomina nos escudos das famílias antigas. Seus jardins mostram que os japoneses estão atentos a beleza das zonas rurais. Montanhas, vales fundos, campos, quedas d’água e pedras. Todas encontram seus locais nestes sempre pequenos mas jardins de exatas proporções. Eles têm paisagem em miniatura. A planta vive e a terra, na qual cresce é peculiaridade japonesa como os misticismos que crescem no país.

Para compensar a praga lançada pela princesa Iwanaga, a princesa Konohana resolveu viajar e fazer florir todos os lugares por onde ela passasse, enchendo o mundo de flores. Então quando os campos, vales e as montanhas ficavam repletas de flores os antigos sabiam da presença da Konohana Sakuya Hime. E quando as pessoas estavam tristes por falta da amor, invocavam em orações a princesa Konohana para fazer florescer belas pétalas em seu coração solitário.

Com o casamento de Ninigui no Mikoto e Konohana Sakuya Hime, uma princesa nativa, a dinastia da Augusta Deusa Sol ficou definitivamente instalada em terras japonesas, pois o neto desse casal tornou-se mais tarde, o primeiro imperador do Japão com o nome de Jimmu Tennô.

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