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Arquivo NippoBrasil - Edição 058 - 22 a 28 de junho de 2000
 
A vingança dos quarenta e sete samurais
Parte 2

(Por Claudio Seto)

No século XVIII, na era Guenroku, governado por Tokugawa Tsunayoshi, aconteceu um incidente envolvendo vingança e seppuku que tornaria famoso como o caso dos shijushiti-shi (47 guerreiros). Um daimyo (feudatário), Asano no Kami Naganori, havia sido escolhido para recepcionar o shogun e como o cerimonial era muito complexo, pediu ajuda para um dos mais altos funcionários, Kira Kozukenossuke Yoshinaka, o grande mestre de cerimônia do shogunato.

Mas o ganancioso Kira propositalmente ridicularizou e humilhou Asano em público. Asano, segundo os métodos de conduta dos samurais (bushi) atacou Kira para tentar restabelecer sua honra, mas não teve sucesso. Julgado, o daimyo foi condenado ao seppuku pelo shogunato. Kira, muito bem visto na corte, não foi nem sequer repreendido.

Cinco dias depois essas notícias chegaram ao feudo de Ako. Uma assembléia geral dos trezentos vassalos foi convocada pelo capitão Oishi. Deliberaram sobre “submissão às ordens do shogunato ou rebelião.”

A maioria achou mais prudente acatar as ordens no shogunato e o feudo foi confiscado sem resistência ao exército de ocupação do shogun Tokugawa Tsunayoshi. Como samurais eles não podiam fazer nada contra o shogunato, pois seria ato de lesa-autoridade. O daimiado (feudo) de Ako foi entregue a uma outra família, seus vassalos tornaram-se portanto ronin, guerreiros sem amo, desempregados.

Os dias se passaram e foi convocada outra reunião. Os vassalos tomaram conhecimento do poema terminal de Asano e entenderam que o amo morreu inconformado. Então, descontentes com a sentença da corte shogunal que obrigou o amo Asano a cometer o harakiri injustamente, os ronins queriam fazer o kanshi8 (morte voluntária de protesto). Seria um modo, um tanto radical é verdade, de demonstrar o protesto deles contra a sentença do bakufu.

Dos trezentos vassalos apenas uns cinqüenta compareceram à reunião comandada pelo capitão Oishi. Tendo em pauta a morte voluntária, a maioria preferiu ausentar-se, mesmo porque já não tinham amo para garantir o sustento de suas famílias. Sob o ponto de vista dos presentes, foi uma triagem voluntária que permitiu escolher os mais decididos. Naquela reunião, o comandante Oishi revelou seu projeto de vingança: acabar com a vida de Kira Kozukenossuke, que ficou impune do insulto a Asano. Só assim a alma do amo poderia descansar em paz.

Como samurais, não podiam reagir contra a decisão do shogunato, mas como ronin podiam fazer. Um pacto de sangue com cortes nos dedos reuniu quarenta e sete ronins conjurados nessa missão voluntária. Eles sabiam que não seria fácil. O sucesso de um golpe armado não era uma coisa simples numa sociedade de lei marcial tão bem controlada. Teriam que enganar os ninjas espiões do bakufu de Tokugawa e a vigilância de Kira e seus vassalos desconfiados.

Conforme o plano traçado por Oishi, a primeira tarefa seria despistar Kira, fazendo crer que a idéia de vingança do amo estava descartada. Dispersaram-se, simulando terem caído na completa desonra. O capitão Oishi, o mais fiscalizado, passou a freqüentar a mais baratas tabernas e envolver-se em indecorosas brigas de bêbados.

Agindo como homem que trilha o caminho da perdição, Oishi, divorciou-se da esposa, tornado-se alvo de comentários maldosos. Embora muito criticado, a medida era inteiramente justificável para um japonês prestes a infringir a lei, já que isso impediria no final, que a esposa e filhos fossem incriminados junto com ele. A esposa de Oishi separou-se dele com grande pesar, entretanto, o filho (Oishi Tikara) de 17 anos, reuniu-se aos ronins leais.

A população de Edo (atualmente Tóquio) especulava sobre a possível vingança. Todos os que respeitavam os ronin, sem dúvida, estavam convencidos de que os mesmos iriam tentar matar Kira. Contudo, os quarenta e sete sempre negaram tal intenção. Fingiram ser homens que “não conheciam o guiri”. Seu sogros ofendidos com essa conduta desonrosa, expulsara-os de suas casas e dissolveram seus casamentos. Os amigos ridicularizaram-nos.

Certo dia, um amigo muito próximo, encontrou Oishi embriagado numa farra com mulheres, chegando a negar até mesmo a ele o guiri para com seu senhor. “Vingança?, reagiu ele, é bobagem. Devemos gozar a vida. Nada melhor do que beber sake e divertir-se com mulheres”. O amigo que não acreditou nele e puxou da bainha a espada de Oishi, esperando que seu brilho refutasse o que o dono dissera. Mas a lâmina estava enferrujada. Viu-se forçado, então, a acreditar e em plena rua desferiu pontapés e cuspiu sobre o bêbado Oishi.

Assim o tempo foi passando e ninguém mais, o inimigo, as autoridades e o povo, acreditava que os vassalos de Asano quisessem vingança. Cada um dos quarenta e sete ronins viveu uma história de dificuldades. E a história de cada um dos quarenta e sete, dariam quarenta e sete trágicos romances. Desempregados que estavam, faltava de tudo em casa. Consta que um dos ronins, precisando de dinheiro para cobrir sua parte na vingança, vendeu a esposa para um bordel. Seu irmão, também um dos ronins, descobriu que chegara até ela o conhecimento da vingança e propôs matá-la com a própria espada, alegando que, com aquela prova de lealdade, Oishi o admitiria entre os vingadores.

Outro ronin mandou a irmã servir de criada e concubina ao próprio Kira, a fim de poder ter informações do interior do palacete a respeito de quando atacar. Tal ato tornava inevitável que ela se suicidasse, uma vez consumada a vingança, pois teria de purificar-se pela morte da culpa de haver simulado estar ao lado de Kira.

 
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