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Arquivo NippoBrasil - Edição 054 - 25 a 31 de maio de 2000
 
Takeda Shinguen e Uesugui Kenshin
Os senhores da guerra – Parte 2
Acompanhe o final da mais famosa rivalidade da história antiga japonesa.
Dois generais contemporâneos que seguiam a filosofia zen na arte de guerrear e que duelaram suas estratégias e conhecimentos durante décadas
 

(Por Claudio Seto)

A Caminho do
Segundo Combate
Seis anos se passaram até um novo embate entre os samurais de Shinguen e Kenshin. Nesse intervalo, Uesugui Kenshin invadiu o feudo de Etyu (atual província de Toyama) e Takeda Shinguen guerreou contra o feudo de Shimano. Ambos saíram vitoriosos e aumentaram de modo considerável seus territórios, assim como seus exércitos.

Em agosto de 1561, Kenshin voltou a região da ilha fluvial (Kawanagajima) com um exército de 13 mil homens. Montou seu acampamento no monte Sadyo e ficou tocando kotô (instrumento musical de corda) enquanto esperava seu adversário.

Shinguen trazendo um exército de 20 mil homens se instalou no monte Tyaussu, de onde ficou observando a grande ilha fluvial. Dias depois, construiu um forte e começou a traçar estratégias de combate, baseada na posição e acidentes geográficos do local.

Depois de muito estudo ficou pronto o plano de combate que consistia basicamente em dividir o exército em dois batalhões. O primeiro de 12 mil homens que daria a volta e invadiria por trás o acampamento de Kenshin, obrigando seu exército descer em retirada para a ilha fluvial. Nessa ocasião, o segundo batalhão com 8 mil homens, que já estaria posicionado na ilha, faria a barreira, encurralando o inimigo.

O jogo de paciência
A experiência do primeiro confronto e a observação das conquistas de seu adversário ensinaram a Uesugui Kenshin que “não adianta tentar remover a montanha”. Takeda Shinguen vencia suas guerras sempre no contra-ataque. Praticante dos tratados de Sonshi, Shinguen havia criado fama de ser firme e imóvel como a montanha.

Kenshin então, resolveu agir exatamente ao contrário do primeiro confronto. Ficou a espera da iniciativa do adversário. Para preencher o tempo, meditava tocando kotô praticamente todos os dias.

O tempo foi passando e Keshin não demonstrava nenhuma pressa. Seus subordinados acostumados à pratica de ataques ferozes e fulminantes, começaram a ficar preocupados com a falta de ação. Chegaram a propor ataque imediato com alegação de que a ração só daria para mais dez dias.

A resposta zen de Kenshin foi tocar kotô e dizer calmamente: “vamos espera a montanha se mover”.

Uesugui Kenshin na verdade estava praticando sua arte da guerra. Posicionou-se no monte e desafiou Shinguen para o combate exatamente naquele verão, porque sabia que seu adversário não podia ficar por muito tempo acampado deixando desguarnecido seu castelo.

Então Shinguen que sempre jogou na retaguarda se viu obrigado a tomar a iniciativa do combate. Conforme o plano traçado, um batalhão de 12 mil homens deixou o forte em direção do monte Sadyo para atingir a retaguarda do exército de Kenshin. Três dias depois, quando esse batalhão chegou ao acampamento dos adversários, ao invés de encontrá-los pronto para o combate estava abandonado.

Aconteceu que Kenshin quando soube através de seus batedores, que o exército de Shinguen estava se movimentando, ordenou: “Preparem-se para a luta. A montanha se moveu!” Em seguida desceu com seus 13 mil homens, protegidos da visão dos Takeda por uma densa neblina. Chegaram a ilha fluvial um dia antes dos inimigos.

Quando Takeda chegou à ilha com seu segundo batalhão de 8 mil homens, e estavam se posicionando para esperar o retirante exército adversário, foi surpreendido pelo ataque em massa dos samurais de Kenshin, que saíram do nevoeiro, como raios e trovões que rasgavam impetuosamente as nuvens.

Um floco de neve sobre fogão quente
Uesugui Kenshin e Takeda Shinguen, ambos seguidores do zen, embora estivessem em campos opostos, mostraram um nível surpreendente de cavalheirismo e cortesia um com o outro.

Kenshin vestido com a armadura preta e um capacete preto ornado com uma estrela, e coberta com pano branco de monge-guerreiro, atravessou o cerco montado num vistoso cavalo malhado, o campo de batalha, gritando enquanto brania ferozmente sua espada:

“Onde está você Shinguen?”
Shinguen estava calmamente sentado numa banqueta cercado por 30 homens, vestido uma túnica vermelha de monge, um capacete ornado com chifres estilizados e pelos de kiku, animal do Tibete de vistosa pele.

Kenshin furou o cerco e avançou com seu cavalo para cima de Shinguen e pronto para desferir um forte golpe vertical sobre a cabeça do arcebispo, exclamando: “O que você me diz agora?”

Shinguen calmamente respondeu, enquanto desviava a espada com sua ventarola de ferro (gunpai), usada para comandar batalhas: “Um floco de neve sobre o fogão quente.”
Kenshin investiu rapidamente um novo golpe de espada.

Shinguen tornou a se defender com o gunpai, que quebrou ao aparar o segundo golpe e atingiu seu ombro. A impressão que Kenshin teve foi de que tinha atingido o adversário em cheio. Realmente o golpe teria sido fatal se no exato momento da investida de Kenshin, o oficial Hara Ossumi no Kami (literalmente Hara o superior de Ossumi), não tivesse espetado com a lança o traseiro do cavalo. O animal empinou ao ser atingido, tirando a eficiência do golpe da espada de Kenshin. Na seqüência, o cavalo ferido pulou para dentro do rio, poupando assim a vida do Arcebispo Shinguen.

A sangrenta batalha durou até o início da tarde. Shinguen tinha dividido sua tropa em 12 pelotões de ataques alternados, porém 10 grupos foram sumariamente derrotados pelo bloco de 13 mil homens de Kenshin. No total 3 mil homens de Takeda Shinguen morreram no campo de batalha, inclusive seu irmão Takeda Nobushigue.

Derrotados e carregando seus feridos, a tropa de Shinguen recuou para o castelo de Kai. Uesugui Kenshin saiu gritando vitória, certo de que exterminara os adversários. Porém, Shinguen, ainda tinha 12 mil homens do primeiro batalhão que ficaram procurando os inimigos no monte Sadyo. Todos estavam certos de que haveria um novo confronto. Takeda Shinguen visava a ocupar a capital Quioto, a fim de assumir as rédeas do governo militar do Japão. Seu exército chegou a entrar na capital após destruir diversos adversários ou competidores com o mesmo objetivo. Mas antes de derrubar o shogun Ashikaga, em abril de 1573, morreu repentinamente de ataque cardíaco. Existem versões que diz que Shinguen foi atingido por arma de fogo. Dois poderosos senhores de guerra, Oda Nobunaga e Tokugawa Ieyassu, tinham se aliado para derrotar Takeda.

Sua morte foi ocultada por vários dias, pelo conselho feudal, que usaram um kagemusha (sósia) para que Oda Nobunaga não soubesse do ocorrido.

Porém, seu filho Takeda Katsuyori acabou assumindo o poder e atacou Oda Nobunaga, esquecendo-se da lição do pai de que “a montanha não se move”. Na batalha de Nagashino, Oda empregou contra a cavalaria dos Takeda, uma nova tática revolucionária. Soldados armados com mosquetes em cerca de 3.500 bocas de fogo, inaugurando um novo sistema de guerra, no qual a arma de fogo desempenha papel decisivo. Foi o fim do clã Takeda.

Cinco ano depois, Uesugui Kenshin também morreu, terminado uma das maiores rivalidades da história japonesa.

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