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Arquivo NippoBrasil - Edição 053 - 18 a 24 de maio de 2000
 
Takeda Shinguen e Uesugui Kenshin
Os senhores da guerra – Parte 1

(Por Claudio Seto)

Durante muitos anos os mais temidos comandantes militares japoneses foram Takeda Harunobu, daimyô (feudatário) de Kai, e provavelmente um dos mais ferozes generais do sangrento Sengoku Jidai (Período dos Países em Guerra 1573 a 1576), em que o Japão virou um campo de batalha entre feudos que compunham a nação. Aos trinta anos, Takeda Harunobu raspou a cabeça, tornou-se um monge zen, intitulando-se “Arcebispo Shinguen” . Estudante dedicado e pensador, foi um mestre do ludíbrio e um excelente general de campanha. Não dava qualquer lugar a ética na sua luta pelo poder, considerando o assassinato como um processo perfeitamente legítimo para se livrar dos rivais.

Takeda Shinguen, o incrível arcebispo, cujo equipamento de campanha incluía três panelões, onde cozia criminosos, mandara bordar os seus estandartes de combate com frases de Sonshi (veja nota), o famoso Furinkazan:

Célere como o vento
Majestosamente calmo como a floresta
Saqueador como o fogo
Firme como a montanha.

O seu contemporâneo e freqüente antagonista, Uesugui Kenshin, feudatário de Echigo, era também um monge zen, que cedo aprendera os clássicos militares chineses. Parafraseando Sonshi, recomendava aos seus seguidores:

Quem se agarra à vida, morre; quem desafia a morte, vive.
Aquele que hesita em dar a vida abraçando a morte não são guerreiros autênticos.

A preferência de Shinguen e Kenshin pela diferentes frases de Sonshi revelava o caráter e o modo de agir de cada um. Takeda Shinguen agia como o vento (fu), a floresta (rin) e o fogo (ka), mas na base se mantinha imóvel como a montanha (zan). Uesugui Kenshin desafiava a morte e seu estilo preferido era atacar o inimigo de modo fulminante.

Batalha de Kawanagajima

O rio Tikuma nasce em Kobushi Dake, uma grande serra que avança por três territórios: Koshi, Bushi e Shinshi. Suas águas correm em direção a Shinshi (atual província de Nagano) onde o rio se bifurca formando uma grande ilha fluvial (Kawanagajima). Esse local seria mais uma ilha entre tantas outras que existem no Japão, não fosse as famosas batalhas travadas no período Sengoku entre dois grandes generais: Takeda Shinguen e Uesugui Kenshin.

Em 22 de julho de 1555 (55 anos depois do descobrimento do Brasil), houve o primeiro confronto entre esses dois feudatários em Kawanagajima. Kenshin acampou com sua tropa de 8 mil homens em uma das margens, enquanto que Shinguen, ficou na outra com 20 mil homens. Foram 27 dias de observação mútua no jogo de guerra, de uma guerra ainda não declarada, cujas manobras de tropas, de ambos os lados, eram demonstrações de forças e ameaças mútuas de ataque.

No vigésimo sétimo dia de observação, Kenshin mandou um mensageiro atravessar a ilha levando seu recado:

- “Ficar só observando não dá graça. Proponho um confronto de forças para decidir o impasse”.
- “Se quer uma decisão, ataque!” respondeu Shinguen, imóvel como uma montanha.

Dito e feito. Uesugui Kenshin atacou com um grupo de samurais iniciando uma batalha de estratégias. Nenhum dos dois enviava todo seu contigente, mas dividiam em pequenos grupos de investidas sucessivas e a ilha fluvial virou um tabuleiro de lutas, onde ataques e conta-ataques aconteciam de todos os lados.

Era um jogo de guerra em que as partes esperavam o enfraquecimento do adversário, para no momento exato atacar em massa. Porém como os dois generais se guiavam pelo Sonshi, a situação se alastrou e não chegava o momento oportuno e decisivo por eles almejado.

Um terceiro feudatário, general Imagawa Yoshimoto, posicionou sua poderosa tropa num monte das proximidade e se deliciava observando as manobras guerreiras - como um “perú” que assiste o jogo de shogui (xadrez japonês). A certa altura dos acontecimentos, o general Yoshimoto resolveu interferir na luta, sugerindo que cessassem as hostilidades, porque não ia dar em nada, já que as forças e as estratégias estavam muito equilibradas.

Imagawa Yoshimoto era parente do shogun Ashikaga, que na época governava o Japão, portanto, além de suas posses e contingente militar, tinha as “costas quentes” capaz de reunir em pouco tempo, o apoio de um fabuloso exército.

Shinguen e Kenshin sabiam que Imagawa, na verdade, procurava motivo para acabar com os dois e tomar posse de seus feudos. Estava claro que naquela batalha, Shinguen ou Kenshin, qualquer um que vencesse, seria esmagado por Imagawa, que aproveitando-se do cansaço e baixas das tropas combatentes, atacaria impiedosamente com seu exército, alegando-se ofendido por não darem ouvidos ao seu conselho.

Porém, para surpresa de Imagawa, os comandantes Shinguen e Kenshin aceitaram o termo “batalha empatada” sugerida por ele, e retiraram suas tropas.

 
Acompanhe na próxima edição, como aconteceu a
segunda batalha entre Shinguen e Kenshin.
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