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Sekisho, os Postos de Fiscalização

Todos os viajantes precisavam do salvo-conduto para passar pela fiscalização
 
Fotos: Divulgação / Arquivo NB

Com o carnaval, muitos turistas estrangeiros de todo o mundo vieram ao Brasil. Em toda viagem ao exterior, precisamos, ao entrar nos países, apresentar o passaporte ao departamento de controle de imigrantes. Antigamente, no Japão, viajar para outros feudos era como se viajássemos hoje para outros países. Tanto na entrada como na saída era necessário apresentar nos postos de fiscalização, chamados de sekisho, um salvo-conduto chamado tsuukoo tegata. Atravessar essa barreira sem tal documento era considerado um crime grave, sendo os infratores condenados à crucifixação.

Por que eram necessários os Postos de Fiscalização?

Os postos de fiscalização eram em total de 53 em todo o país, incluindo os das 5 principais estradas e demais vias. Cada feudo estabelecia suas barreiras e cobravam pedágios. O foco de atenção do governo feudal de Tokugawa nessas fiscalizações era resumido em “irideppoo to deonna”, ou seja, a entrada de armamentos em Edo e a saída desautorizada das esposas de daimiôs. Em outras palavras, esposas de daimiôs eram uma espécie de reféns para que os feudos não promovessem rebeliões. Especificamente em casos de mulheres, entravam em ação as inspetoras chamadas aratame baba para averiguá-las, e havendo suspeitas verificavam até dentro dos penteados ou despiam-nas. Obviamente existiam também as gorjetas.

De acordo com o livro “De que forma viajou Bashoo?” (Editora Shobunsha) de autoria da pesquisadora de Literatura Japonesa Kanamori Atsuko, na época, por funcionar o princípio da auto-suficiência, era rigorasamente controlado e proibido sair do próprio feudo levando produtos locais para comercializá-los em outros feudos, ou taxavam tais produtos. Provavelmente o intuito era o de proteger o know-how de cada feudo.

Ao chegar num posto de fiscalização de outro feudo, um indivíduo era obrigado a apresentar o salvo-conduto, seus pertences eram verificados e era-lhe entregue, mediante pagamento de taxa, uma autorização onde constavam o nome, identificação, finalidade da viagem e o período de permanência. Em casos de visitas a templos de Ise ou peregrinações, eram obrigados a apresentar também o dinheiro que possuíam. A finalidade disto era para utilizar em casos de doença ou morte. Caso não possuísse essa autorização, não podiam nem hospedar-se. Ao sair do feudo a autorização era devolvida. Desta forma, não era possível viajar à mercê da vontade própria.

Salvo-Conduto


Todos os viajantes precisavam do salvo-conduto para passar pela fiscalização

Os salvo-condutos continham entre outros dados o nome, local de nascimento, a finalidade da viagem e o termo de solicitação que diz não se tratar de pessoa suspeita, portanto que permitisse seguir a viagem. Dizem que também continham termos como: “no caso de morte por acidentes ou por outro motivo durante o percurso, não há necessidade de avisar à terra de origem; por não ser cristão, gostaria que sepultasse no templo da região”.


Os postos checavam a saída de armanentos dos feudos

Esses salvo-condutos eram certificados, em casos de samurais, por um alto servidor responsável pelo feudo; em casos de agricultores, por antigas prefeituras do bairro ou da vila e os moradores de Edo, pelos proprietários de terrenos. As mulheres precisavam apresentar além do salvo-conduto convencional o salvo-conduto feminino (onna sekisho tegata). Portanto, mulheres não podiam viajar despreocupadamente.

Vias ocultas de acesso

Como em qualquer época sempre existiu formas de burlar a lei, também havia um meio de passar por estradas de escape por onde não haviam postos de fiscalização. Em casos de esquecimento do salvo-conduto, ao invés de retornar para buscar o documento, era mais conveniente procurar por profissionais especialistas em liberar tais pessoas. Esta operação custava caro. Mas nem todos os 53 postos de fiscalização e barreiras eram rigorosos com os comerciantes e agricultores. Havia aqueles que nem mesmo exigiam a apresentação dos salvo-condutos.

Hoje em dia é muito mais fácil viajar pelo mundo, basta ter em mãos o passaporte.


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