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Arquivo NippoBrasil - Edição 107 - 7 a 13 de junho de 2001
 
Mushiba Yobou Day - Dia da Prevenção das Cáries

Ohaguro - dente preto

On irebadokoro - Consultório odontológico

(Fotos: Fundação Japão / Divulgação)

Dia 4 de junho no Japão é o Dia de Prevenção das Cáries. A data não foi escolhida aleatoriamente, pois 6 lê-se mu e 4, shi, e juntos formam a palavra mushi, que significa inseto, verme. A alimentação mudou radicalmente, e a ingestão de gêneros alimentícios que contêm açúcar, tal como biscoitos e doces, e de refrigerantes em geral, tem feito com que o número de cáries aumente. Ainda há a hipótese de que a preferência por alimentos mais maleáveis esteja contribuindo na proliferação da cárie. Nesse dia, todas as crianças, da primeira à sexta série do Ensino Fundamental, recebem orientações sobre a importância da higiene bucal, da correta escovação dental e de uma alimentação saudável. Além disso, em cada cidade de cada província, os idosos de asilos recebem a visita de um dentista.

A empresa Lion, uma das maiores fabricantes de produtos de higiene bucal, realizou uma pesquisa, em abril deste ano, com homens na faixa dos 30 a 40 anos, nas cidades de Tóquio e de Nova Iorque. A esmagadora maioria considerou que uma dentição saudável traz vantagens num ambiente de trabalho, mas quando indagados se tinham confiança em seus dentes, o resultado foi outro. Sessenta e nove por cento dos homens de negócio de Nova Iorque disseram ser confiantes, e 2 % disseram não ter confiança nenhuma. Já em Tóquio, 8% confiam em sua dentição, contra 46% que não demonstram confiança. Os japoneses mostraram uma grande preocupação com o hálito, com o enfileiramento dos dentes e com as manchas. A média de escovação diária quase não apresentou diferenças; 2,1 dos americanos contra 2,4 dos japoneses. No entanto, 74% dos nova-iorquinos visitam o dentista mais de uma vez por ano, contra 24% em Tóquio, um número relativamente inferior. No país há cerca de 85.518 dentistas, uma média de 6,8 dentistas para cada cem mil habitantes (dados de 1996, segundo a Associação de Odontologia do Japão). Já o número de consultórios era de 61.615, cerca de 48,8 para cada cem mil japoneses (dados de 1998 da mesma associação).

O número de tratamentos e correções dentárias no Brasil é bem superior ao do Japão. Pode-se dizer que os dentes hoje fazem parte da moda a nível mundial.

No Japão antigo, um dos quesitos de beleza feminina era o ohaguro, que consistia em tingir os dentes de preto. Na Corte Imperial essa atividade era conhecida como Fushi no Mizu, entre os nobres e samurais era chamada de ohaguro e entre a plebe de kanetsuke ou tsukegane. Registros sobre o Japão, encontrados na China, revelam que esse costume já era praticado nos séculos III e IV. Já no século VIII era comum entre a nobreza esse tingimento dos dentes, para homens e mulheres.

Durante o Seijinshiki (cerimônia em que se celebra o ingresso para maturidade) era comum que as garotas usassem o ohaguro. Na Era Edo, o costume chegou aos populares e um conjunto de apetrechos para o ohaguro era um dos itens básicos no enxoval das noivas. Era básico para as mulheres casadas. Os samurais deixaram o costume mas permanecia entre os nobres e na Corte Imperial. Na Era Meiji, muitos países ocidentais criticavam o costume que acabou sendo proibido. Mesmo assim continuou até o ano 20 da Era Meiji (1945).

Nos dias de hoje causaria estranheza os dentes tingidos de preto, mas cada época tem o seu padrão de beleza. Para os antigos, talvez tingir os dentes de preto ressaltasse a beleza da face e pele branca como a neve.

Havia uma vantagem nesse costume. Os componentes usados, principalmente o óxido de ferro, ajudam na prevenção das cáries. A tinta era feita usando um vaso onde eram colocados saquê, chá, vinagre, bala, misturados com água. Depois agulhas, pregos velhos e outros pedaços de metais eram aquecidos no fogo até ficarem vermelhos e então emergidos na substância para fermentar. Após dez dias, fervia-se o líquido preto devido à ferrugem. Passava-se o líquido então uma vez ao dia ou uma vez por semana.

A extração de dentes devido às cáries é hoje um procedimento raro, mas no passado não havia outra maneira a não ser arrancar e substituir por um postiço. Nos séculos V e IV a.C., os habitantes da Antiga Etruria usavam dentes bovinos. As dentaduras e pontes só surgiram no séc. XVI. Estas feitas com ossos de animais e presas de elefantes. No Japão os dentes postiços surgiram somente no meio do século XVII.

Os ambulantes foram os primeiros a comercializar esses dentes e rodaram o país com suas malas para suprir a demanda. Na mesma época começaram a surgir em Edo, Osaka e Kioto lojas conhecidas como On Irebadokoro, consultórios odontológicos primitivos. Havia ainda o kishougishi, que usavam o tsuge, um tipo de madeira condensada, esses mestres só existiram no Japão. Atualmente se prefere um método chamado de “implantation” aos dentes postiços.

 
Kanji

*Esta página foi elaborada pelos professores da Aliança Cultural Brasil-Japão,
especialmente para o NIPPO-BRASIL.
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