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Arquivo NippoBrasil - Edição 023 - 15 a 21 de outubro de 1999
 
Quimonos de Edo
O padrão de estampas adotado pelos antigos samurais
exibe a meticulosa e refinada estética japonesa.

(Fotos: Reprodução/Divulgação)

Os quimonos sempre se constituíram em um dos principais ícones da cultura nipônica e como tal espelharam com singular fidelidade os padrões estéticos instituídos no Japão através das épocas. Observar de perto todo o refinamento, variedade e beleza do desenho komom é viajar rumo ao passado, já que a estampa representa um dos mais tradicionais designs tipicamente japonês, através das próprias peças de diferentes épocas.

O estilo komom é elaborado com detalhes muito pequenos e meticulosos, constituídos principalmente por pontilhados e listras, formando ilustrações diversas, abstratas ou figurativas. De longe não se percebem as minúcias e até parece que o tecido não possui nenhum adorno, mas ao se aproximar descobre-se “um mundo de infinitesimal beleza”.

Katagami é a técnica de pintura em tecido através de moldes e teve sua origem no período Nara (710~784). As ilustrações eram entalhadas em alto relevo na madeira e depois carimbadas no pano. Processo esse semelhante à xilogravura. Contudo, esse método não satisfazia os artesãos da época, que buscavam meios de conseguir um desenho mais delineado. Ainda demoraria um pouco o seu aprimoramento porque esse tipo de estampa não era muito apreciado naqueles anos e não havia demanda. O que estava em voga eram os desenhos influenciados pela cultura chinesa, bem definidos e vistosos, geralmente figuras de elementos da natureza. Somente no período Kamakura (1185~1333) é que surgiu o molde feito em papel. Descobriu-se uma maneira de beneficiar o washi (papel japonês) com tanino de caqui verde para dar-lhe resistência.

Vale citar que do mesmo modo confeccionam-se os célebres guarda-chuvas de papel com armação de bambu, hoje um dos principais artigos comprados como souvenires pelos turistas ocidentais que visitam o Japão. Essa técnica foi fundamental, pois permitiu recortar no papel as finíssimas listras, os minúsculos pontos e outros detalhes que destinguem o komon. A região de Ise, atual província de Mie, tornou-se um importante centro na confecção desse refinado artesanato, em grande parte devido ao incentivo e apoio do clã Kishu, chefe daquele feudo.

Entre os samurais

O komon primeiramente foi adotado entre a classe dos samurais, sendo usado principalmente no quimono kamishimo, um conjunto de duas peças cuja parte superior, à guisa de colete, possuía ombreiras largas, e a inferior, contituída de uma espécie de saia-calça.

O kamishimo era uma roupa para uso em ocasiões formais e pode-se vê-lo freqüentemente nos filmes e novelas de época transmitidos na tevê. Quando os samurais passaram a dominar o Japão, a partir da época Kamakura, o komon também passou a ser cada vez mais usado e não só em roupas formais. É interessante saber que além do quimono, existiam algumas peças do vestuário que eram usadas por baixo das armaduras com o komon – estas, bem caracterizadas.

Conforme iam se firmando no poder, os samurais passaram a exibir, orgulhosos, uma estética própria e a moda têxtil com desenho tingido ficou mais popular do que o do desenho tecido. Contudo, entre as mulheres a realidade foi outra. Elas ainda preferiam os adornos tridimensionais e sólidos e não os de apenas duas dimensões e ausentes de perspectivas típicas do estilo komon.

A partir de meados da era Edo, o modelo de estampa preferido dos samurais gradativamente se popularizou. Se as mulheres nobres não aceitaram o komon, o contrário aconteceu entre a ala feminina do que seria hoje a classe média da época, formada por comerciantes e artesãos especializados, e depois adotada sem restrições também por ambos os sexos da classe baixa. Foi assim que surgiu um senso estético bastante peculiar do povo da cidade de Edo, antiga Tóquio, batizado de iki, que por vezes é traduzido por elegância, mas que na verdade denota um padrão de beleza em que, por trás de uma aparência comedida, se deixa entrever detalhes diametralmente opostos.

Depois do período Meiji (1868~1912) até os dias de hoje, o estilo ocidental de se vestir, bem como suas técnicas de confecção e estampagem, que foram introduzidos no Japão, praticamente extinguiu as oficinas artesanais do precioso komon, restando atualmente apenas algumas dezenas de profissionais que dominam a difícil técnica de preparação dos moldes e tingimento.

O mais impressionante, e que poucos japoneses sabem, é que os primeiros estrangeiros que se depararam com o komon, por ocasião da reabertura das relações internacionais, na era Meiji, levaram para seus países exemplares de roupas desse estilo e até muitos moldes, o que veio a influenciar a arte têxtil ocidental.

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