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Arquivo Edição 240 - 14 a 20 de janeiro de 2004 - Especial - Portal NippoBrasil

Samurais modernos

Assim como os guerreiros retratados no filme estrelado por Tom Cruise, eles buscam muito mais que o manejo de uma espada


Cena do filme “O Último Samurai”, onde Tom Cruise treina o kenjutsu

Arquivo NippoBrasil - Fotos: Divulgação

Jorge Kishikawa que fundou uma escola de samurais no País

“O Último Samurai”, que estréia nos cinemas no dia 16, traz Tom Cruise no papel de um mercenário a serviço do exército imperial japonês que enfrentava samurais contrários a abertura do Japão. Na história, ele é aprisionado e descobre no universo dos samurais uma grandeza que não existe mais no mundo de onde veio. Muda de lado e se transforma, ele próprio, num samurai.

Os valores e o estilo de vida que encantam o personagem de Cruise no filme continuam fazendo adeptos até hoje. O que mais atrai, principalmente os ocidentais, é o Bushido - o caminho do guerreiro, que é o código de ética dos samurais. No Bushido, o samurai se propunha a servir seu senhor com o máximo empenho, lealdade, bravura e, se preciso fosse, segui-lo até a morte.

De acordo com o Instituto Niten, que ensina e divulga o estilo de vida dos samurais no Brasil, as virtudes pregadas no Bushido são justiça (gi), coragem (yuu), benevolência (jin), educação (rei), sinceridade (makoto), honra (meiyo) e lealdade (chuugi). Esses valores tiveram origem em três correntes principais, o budismo, o xintoísmo e o confuncionismo.

Do budismo, o Bushido herdou o desapego pela vida e a coragem de encarar a morte. A relação com a sociedade e a importância do nome da família vem do confuncionismo. Já do xintoísmo trouxe a lealdade, tão importante para o samurai.

Ensinamentos

Entre os 400 alunos que o Instituto Niten possui no Brasil todo encontram-se pessoas de todos os tipos, como estudantes, empresários e donas de casa. E, assim como os samurais do passado, que eram educados de acordo com o BumBuRyoDo, ou a pena e a espada caminhando juntos, no Niten eles aprendem também filosofia, história e cultura japonesa.

“Nossas aulas são 70% práticas e 30% eventos culturais, filosóficos e audiovisuais. Além disso, temos os ‘15 minutos de ouro’ onde ensino não só a estratégia para vencer os combates como também minha experiência pessoal do uso desse aprendizado no dia-a-dia”, explica o fundador do Niten, Jorge Kishikawa, que duas vezes por ano vai ao Japão para estudar com os mestres nipônicos.

“No Japão, os mestres do kenjutsu (arte da espada samurai) são considerados ‘tesouros nacionais vivos’. Isto por causa do conhecimento, cultura e da arte passada de pai para os filhos que eles mantêm”, explica sobre esse legado deixado pelos samurais. Segundo ele, depois da Segunda Guerra Mundial, a prática do kenjutsu foi proibida, mas ela não desapareceu, continuou secreta, passando de pai para filho. (Em 1955 surge oficialmente o kendo, que é uma simplificação do kenjutsu para ser praticado como esporte e se assemelhar mais a esgrima européia).


Renan, de 7 anos, se apaixonou pela arte samurai através do desenho animado do guerreiro Kenshin

Wenzel Böhn, que estuda a arte desde 95, exemplifica como esses ensinamentos influenciam a vida das pessoas. “Na hora do combate você não pode esperar nada de ninguém, a luta é iniciativa, você tem que decidir, conquistar. As pessoas são educadas a esperar dos pais, do governo, da empresa. Você aprende a transpor isso para a vida e passa a tomar iniciativa e não ficar cobrando de outras pessoas, esperando... Muda radicalmente a postura de cobrança para ação.”

De pequeno

Fã do desenho animado do samurai Kenshin, Renan Emílio Almgrem, de 7 anos, não descansou até que o pai o matriculasse na escola de samurais. E, há três meses freqüentando as aulas, junto com os adultos, ele não se intimida: “Ainda não luto como o Kenshin”, fala.

E o interesse do menino pelos samurais acabou trazendo mais adeptos para a arte. Há um mês o pai começou a frequentar as aulas e até a irmã mais velha Hannah acabou aderindo. “Só minha mãe não vem”, conta Renan.

“Ele já havia feito judô e karatê, participado e até tido bons resultados em competições, mas não como agora. Até o desempenho dele na escola, o convívio com os amigos melhorou”, conta Roberto, o pai, orgulhoso.

E, para quem acha que o garoto é pequeno para aprender a lutar com uma espada, o professor Jorge, que também é médico do esporte, tranqüiliza. “Dos 4 aos 70 anos de idade não há problema algum.”

 

“Kill Bill”, que tem Uma Thurman com uma espada samurai, Ao lado dela, Barbara que luta com duas espadas, no estilo Musashi

Mulheres

Outra pessoa que não se intimida durante os treinamentos é Barbara Guimarães Weiss, 17 anos. “Quando entrei era a mais perdida da turma, tinha 14 anos, todos eram maiores. Mas eu queria tanto aprender... Hoje sou a única mulher que luta com duas espadas no País”, conta, entusiasmada, falando sobre o método desenvolvido pelo mais famoso samurai, Musashi (veja quadro abaixo).

Assim como Renan, o interesse dela surgiu através do personagem Kenshin, só que em mangá. “Tenho pilhas de mangás, todos em japonês, não consigo entender nada... mas sempre adorei mangá, animê... Quando encontrei a escola tive que brigar com minha mãe para poder estudar, ela achava muito estranho, uma filha samurai”, revela.

No Niten, hoje 25% do público é feminino. “As mulheres têm jeito com a espada. Num combate a estratégia é mais importante do que a força física. Não há necessidade de força, não estimulo o desenvolvimento de massa muscular”, explica o professor Jorge.

E, seguindo essa onda samurai, em março entra em cartaz “Kill Bill”, estrelado por Uma Thurman com uma espada na mão. Na trama ela é uma assassina profissional que decide levar uma vida normal, mas é impedida pelo antigo chefe Bill. Depois de passar um bom tempo em coma no hospital, ela vai se vingar do ex-patrão e das outras ex-companheiras como Lucy Liu.

Nas empresas

Nos ultimos três anos o Instituto Niten cresceu 500%, aplicando os conceitos que ensina principalmente quando faz treinamentos para empresas. Segundo seu fundador, são qualidades como determinação, disciplina, concentração e trabalho em grupo, valores associados à alta produtividade e eficiência.

“Já se dizia antes que os japoneses são samurais modernos por causa da dedicação integral à empresa. Apesar de se falar que o emprego vitalício no Japão está deixando de existir, essa dedicação continua. São mil anos de história dos samurais, isso não desaparece de um dia para outro”, diz Jorge.

O Go Rin No Sho, o livro dos cinco círculos, escrito por Miyamoto Musashi, é usado até hoje por executivos para traçar estratégias de mercado e ética nos negócios. Na obra, o samurai compilou seus conhecimentos nas artes das espada e da estratégia.


Musashi

Miyamoto Musashi é o mais famoso samurai japonês, que viveu presumivelmente entre 1584 e 1645. Desde criança, mostrava habilidades acima da média, além de um físico bem desenvolvido. Seu primeiro duelo foi aos treze anos, quando derrotou um adulto. Aos dezesseis partiu em perigrinação guerreira, durante a qual venceu mais de 60 duelos. Seu estilo é o Niten Ichi Ryu, com duas espadas, que é ensinado no Instituto Niten.

Dois anos antes de morrer, Musashi se isolou numa caverna onde escreveu o Go Rin No Sho, compilando seus conhecimentos nas artes da espada e da estratégia.

No Japão, o livro Musashi, que conta a vida do guerreiro, já vendeu mais de 120 milhões de exemplares. No cinema e TV foram, cerca de 15 obras sobre o samurai.

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