Portal NippoBrasil - OnLine - 19 anos
Terça-feira, 22 de setembro de 2020 - 7h30
Arquivo Edição 233 - 19 a 25 de novembro de 2003 - Especial - Portal NippoBrasil

MEMÓRIA
Tomie Ohtake


Criada para ser esposa e mãe, na rígida educação japonesa, ela fez isso
e ainda se tornou uma das maiores artistas plásticas do Brasil

 

Tomie Ohtake apesar de reservada abriu uma exceção e contou resumidamente sua trajetória de vida.

Nascida em Quioto, no Japão, foi lá que Tomie deu os primeiros passos na arte. Estudou shodô (arte da caligrafia japonesa) e sumiê (pintura à tinta nanquim). “Como moça japonesa, era uma exigência da minha mãe por causa do casamento. Era uma preparação para o casamento. Hoje esqueci tudo!”, conta.

Aos 23 anos ela veio ao Brasil visitar o irmão, e mesmo nunca tendo pensado em morar fora do Japão, por causa da Segunda Guerra Mundial, acabou se instalando em São Paulo. Casou com o engenheiro agrônomo japonês Ishio Ohtake. Formou família e durante 15 anos só se dedicou à ela. “Mesmo antes de casar eu queria ser artista, pintora, mas achava o casamento muito importante, a família é muito importante. Decidi seguir meu caminho”, enfatiza.

A vontade da artista

Com os filhos crescidos, em 1952, ela retomou seu antigo desejo de ser pintora e teve algumas aulas com o artista japonês Keisuke Sugano. Seis anos depois, já fazia sua primeira mostra individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Desde essa primeira exposição foi aplaudida pela crítica: “Fiquei assustada com o sucesso. O crítico Geraldo Ferraz, do Estado de São Paulo, escreveu maravilhosamente!”, lembra Tomie.

Ela também se recorda do incentivo que teve: “Naquele tempo eu conheci duas pessoas que me incentivaram muito. O ex-diretor do Goethe ,que morreu há pouco tempo e o médico Ozório César (que foi casado com a pintora Tarsila do Amaral)”.

Em 1968 Tomie se naturalizou brasileira. “Naquela época, o governo não ajudava os estrangeiros, só os artistas brasileiros. Havia ajuda de custo para exposições, transporte e estadia... Agora, nem sendo brasileiro...”, critica.

Mas o amor pelo país que consagrou o seu trabalho é forte. “Hoje em dia gosto mais do Brasil. Nunca vou esquecer o Japão, mas atualmente gosto mais daqui!”, revela.


Maquete da escultura de Tomie Ohtake,
Praça Pedro Melo - Pampulha - Belo Horizonte, feita em aço com 40 metros de comprimento.

O país natal

Traços de seu país natal na sua obra, segundo Tomie Ohtake, são reflexo de sua formação: “Essa influência se verifica na procura de síntese: poucos elementos devem dizer muita coisa. Na poesia haikai, por exemplo, fala-se do mundo em 17 sílabas. Sendo poucos os elementos, eles devem ser muito precisos, tanto na forma quanto nas cores e nas relações”, define.

Mas assim como sua obra é ocidental, a artista também é brasileira e conta que ficou muito triste ao saber que no Japão, quando alguns dekasseguis entravam em lojas e anunciava-se no alto falante para que as pessoas tomassem cuidado: “É uma coisa muito ruim, uma vergonha! Por causa de alguns todos brasileiros terem que passar por isso!”

A família e o trabalho

A rígida educação japonesa que recebeu, a mãe Tomie não repassou aos filhos. “Tive muita sorte com minha família. Acho que a gente não pode ser muito exigente nem deixar os filhos totalmente livres, principalmente por causa das drogas”, diz a última frase em voz mais baixa, como qualquer mãe preocupada.

Perguntada sobre sua influência na escolha profissional dos filhos, os arquitetos Ruy e Ricardo, ela garante que não teve participação direta: “Nunca disse para fazerem isso ou aquilo. Cada um tem sua idéia, sua liberdade de pensar”.

O projeto do Instituto Tomie Ohtake foi realizado pelos dois e Ricardo atualmente é o presidente: “Eles conseguiram construir um espaço totalmente dedicado à arte, foi pensado para isso. Foi uma vitória para meus filhos”, se orgulha.

Sobre o que ainda pretende realizar, a artista diz não pensar nisso, só quer continuar trabalhando... (Quando nos desculpamos por tomar tanto tempo, garantiu que nos desculpou, mas disse, gentilmente, que precisa voltar ao trabalho!)

 Busca
 Especial
Especial - Nippo-Brasil - 23/12/2019
• Pavetones de pote deixam o Fim de Ano mais bonito e gostoso
Especial - Nippo-Brasil - 02/03/2019
• A partir de 1º de maio de 2019 começa a era REIWA no Japão
Especial - Nippo-Brasil - 14/05/2018
• Escola OEN, fiel à filosofia japonesa desde a sua origem
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 311
• Gairaigo: as palavras estrangeiras na língua japonesa
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 304
• Provérbios do Japão:
sabedoria através dos tempos
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 302
• Hanami, uma bela tradição japonesa
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 301
• Simbologia japonesa: os animais
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 300
• Simbologia japonesa:
as flores e as árvores
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 281
• Você sabe o que significa seu sobrenome?
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 279
• Oriente-se para fazer ginástica!
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 271
• Bonsai, a natureza em miniatura
Especial - Nippo-Brasil - Arquivo Edição 253
• Desvendando os
seres da mitologia japonesa
Especial - Nippo-Brasil 234
• Orquídeas: Paixão dos japoneses
Especial - Nippo-Brasil 233
• Tomie Ohtake
Especial - Nippo-Brasil 230
• Naomi Munakata: Uma regente em “estado de alfa”
Especial - Nippo-Brasil 229
• Relíquias com histórias pra contar
Especial - Nippo-Brasil 227
• Brinquedos tradicionais japoneses
Especial - Nippo-Brasil 226
• Hashi: o talher oriental
Especial - Nippo-Brasil 225
• Michie Akama
Especial - Nippo-Brasil 223
• Butô
Especial - Nippo-Brasil 222
• As formas e cores de Ruy Ohtake
Especial - Nippo-Brasil 215
• Kataná: a preciosa lâmina samurai
Especial - Nippo-Brasil 213
• Noborigama
Especial - Nippo-Brasil 212
• Terapias Alternativas
Especial - Nippo-Brasil 211
• Sakura
Especial - Nippo-Brasil 208
• Viagem pela fé
Especial - Nippo-Brasil 199
• Longe da poluição e do estresse da cidade grande
Especial - Nippo-Brasil 198
• Idades marcantes da cultura japonesa
Especial - Nippo-Brasil 194
• Por dentro das datas comemorativas no Japão
Especial - Nippo-Brasil 192
• Compradores compulsivos
Especial - Nippo-Brasil 187
• Rituais de Ano Novo Japonês
Especial - Nippo-Brasil 186
• Bonenkai - Fechar o ano com chave de ouro
Especial - Nippo-Brasil 180
• Danças Japonesas
Especial - Nippo-Brasil 177
• Viciados em Jogos
Especial - Nippo-Brasil 171
• Jardim Japonês: Um cantinho para meditar
Especial - Nippo-Brasil 170
• Alimentos: eles curam?
Especial - Nippo-Brasil 169
• Wadaiko: o estilo japonês de tocar taiko
Especial - Nippo-Brasil 168
• Saque: A bebida milenar japonesa
Especial - Nippo-Brasil 167
• Que bicho é seu pai no Horóscopo Oriental?
Especial - Nippo-Brasil 163
• Watsu uma terapia de lavar a alma
Especial - Nippo-Brasil 161
• Kumon, o método japonês de ensino individualizado: lições para a vida toda
Especial - Nippo-Brasil 155
• Banho de Ofurô: cores e sabores de um ritual milenar
Especial - Nippo-Brasil 154
• Agrade à sua mãe
Especial - Nippo-Brasil 150
• Jogos Japoneses: Shogui e Gô
Especial - Nippo-Brasil
• + 10 Provérbios Japoneses
Especial - Nippo-Brasil
• Kaburimono (literalmente, aquilo que se põe na cabeça)
Especial - Nippo-Brasil
• Conheça alguns amuletos e preces orientais
Especial - Nippo-Brasil
• Shichifukujin, as sete divindades
Especial - Nippo-Brasil
• Daruma: sinônimo de sucesso
Especial - Nippo-Brasil
• A história da Hello Kitty
Especial - Nippo-Brasil
• A história e a tradição do Maneki Nekô no Japão


A empresa responsável pela publicação da mídia eletrônica www.nippo.com.br não é detentora de nenhuma agência de turismo e/ou de contratação de decasségui, escolas de línguas/informática, fábricas ou produtos diversos com nomes similares e/ou de outros segmentos.

O conteúdo dos anúncios é de responsabilidade exclusiva do anunciante. Antes de fechar qualquer negócio ou compra, verifique antes a sua idoneidade. Veja algumas dicas aqui.

© Copyright 1992 - 2020 - NippoBrasil - Todos os direitos reservados