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Arquivo Edição 223 - 3 a 9 de setembro de 2003 - Especial - Portal NippoBrasil

Butô

Dança contemporânea japonesa, que mistura elementos do teatro e da mímica, é impossível de ser definida, nas palavras de um de seus próprios criadores, Kazuo Ohno


A dança é marcada por corpos pintados de branco, cabeças raspadas e posturas distorcidas

O butô nasceu de forma marginal no Japão, no período do pós-guerra, com Kazuo Ohno e Tatsumi Hijikata. Nessa época o país sofria uma invasão cultural por parte do ocidente e essa nova forma de expressão, chamada a princípio de danças das trevas- Ankoku butô - retomou antigas tradições japonesas. Segundo Kazuo Ono, o butô é uma das formas mais arrojadas de dança que expressa ao mesmo tempo tantas idéias, o que faz com que seja impossível defini-la: “Ela somente choca e surpreende”.

Sobre os mestres, Akira Kasai, que trabalhou com os dois, afirma: “O Kazuo Ohno liga sua própria experiência à dança, como se fosse uma autobiografia e usa bastante a improvisação. Já o Tatsumi Hijikata, mais do que com a coreografia ele se preocupa com a forma intrínseca do ser. Se existe espaço e tempo na dança, o mestre Ohno constrói uma imagem dentro do fluxo temporal e o Hijikata trabalha com a parte espacial”.

Yoshito Ohno, filho de Kazuo, que esteve no espetáculo Kinjiki de Hijikata - primeira apresentação de butô em 1959 - acrescenta: “A arte deve estar ligada à vida. Eu penso naquilo que é importante para a vida assim como para a morte, na dignidade da morte. Como dançarino de butô acredito que devemos conversar sobre a importância da vida e sobre o que o homem é”.

Para Mitsuru Sasaki, radicado na Alemanha, a dança deve ser pensada como um todo. “Existe um caminho livre entre cotidiano e não cotidiano e deve existir algo que extrapole o cotidiano, a fantasia, como na minha apresentação de Rubicão”. O espetáculo é uma dança-documentário sobre os japoneses comuns que vivem entre a comédia e a tragédia, no mergulho da economia da bolha rumo a recessão.

Renovaçôes e transformações

Mas o butô, que é marcado por corpos pintados de branco, movimentos lentos, postura contorcida e cabeças raspadas, passa por transformações e renovações que puderam ser apreciadas pelo público paulistano no evento “Vestígios do Butô” (veja mais apresentações no quadro da página ao lado).

Yukio Waguri, considerado o último discípulo de Hijikata, fala sobre as mudanças: “A nossa geração já começou com o butô, não havia a desconstrução. Nos anos 60 os artistas se rebelaram contra a dança moderna, já nos anos 70, mais do que destruir era importante construir”.

Yoshito Ohno também afirma que seu trabalho passa por mudanças: “Agora estou com a cabeça raspada e para as apresentações no Brasil vou pintar meu corpo de branco, mas estou pensando em mudar de cor. Talvez pinte de uma cor só, como uma estátua budista de madeira”.

De acordo com ele, o branco simboliza a morte, porque no Japão quando a pessoa morre é vestida de branco. “A idéia é se colocar ao lado da morte e ver o mundo. Esse foi o caminho traçado pelo Hijikata. O branco é profundo e importante, mas parece que só a forma fica em evidência, mas, na verdade, é a essência que é importante”, conclui Yoshito.


A Cia Tamanduá vai participar da Bienal de Quioto

No Brasil
Takao Kusuno, falecido em 2001, que foi o responsável pela introdução do butô no Brasil não gostava de rótulos, dizia que fazia dança-teatro. Aqui procurou trabalhar com nossa realidade. “Ele não veio trazer a filosofia do butô, mas veio observar as pessoas daqui.”, conta Ismael Ivo que se considera filho artístico de Kusuno.

Na época, ele conta que usava o cabelo no estilo black power e Kusuno sugeriu que ele cortasse: “Não foi um pedido, só uma sugestão. Mas não era uma preocupação estética, através desse processo descobri um novo Ismael. Foi como nos rituais de passagem. Foi um batismo que me fez descobrir um outro corpo, um outro movimento”, conta.

Ivo, que é radicado na Alemanha há mais de 20 anos, acredita no butô como universalização da linguagem do corpo: “O Takao Kusuno nunca disse que eu deveria dançar butô e sim que eu tinha que entender meu corpo e meu movimento que vinha de uma força interior”.

Para a mostra Vestígios do Butô, Ivo remontou o espetáculo As galinhas, do qual participou há 23 anos. “Foi o meu batismo artístico. Kusuno fala da inveja que uma galinha sente das outras aves por não poder voar, uma metáfora dos homens reprimidos”, explica o dançarino.

 

Direto para o Japão

Em outubro, a Cia. Tamanduá, fundada por Takao Kusuno, em 1995, vai participar como convidada da Bienal de Quioto. “Apesar de sermos um grupo grande, doze pessoas, estamos tranqüilos no que diz respeito à apresentação no Japão”, conta Emilie Sugai, uma das integrantes do grupo.

Um pouquinho do Brasil será mostrado no terra do butô: “O Takao ensinou cada um dos dançarinos a olhar para seu próprio universo. Nos incentivou a procurar nossas origens, a olhar para o Brasil, para sua realidade. Vamos mostrar isso lá”, conta Emilie

Eles vão apresentar os dois últimos espetáculos dirigidos por Kusuno: O Olho do Tamanduá e Quimera - O Anjo Vai Voando. O primeiro fala sobre a população indígena e o Quimera, segundo Emilie, é um questionamento sobre a vida, trata da condição do homem numa situação limite, da fragilidade do homem em face à vida.

 
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