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Guaraçaí: capital do abacaxi

Por Reimei Yoshioka*

A convite do sr. Kazoshi Shiraishi, presidente da Federação das Associações Nipo-brasileiras da Noroeste, estivemos, no domingo, dia 7 de junho, no município de Guaraçaí, próximo a Andradina, para participar do 37º Estudo Agronômico da Noroeste. Para o evento, convidamos os engenheiros agrônomos Isidoro Yamanaka e Kunio Nagai, que levaram suas contribuições aos 115 participantes da região Noroeste (Lins a Andradina).

Pela manhã, divididos em dois grupos visitamos, alternadamente, a propriedade do sr. Shoji Korin, produtora de abacaxi e a Fazenda Modelo, dedicada à pecuária. Após o almoço, preparado pelas senhoras do “fujinkai”, na sede da Associação Nipo-brasileira, foram feitas as palestras sobre a agricultura do município; exposição de vídeo do Laticínio Tânia produtor de queijo; e sobre a imigração japonesa em Guaraçaí. Prestigiava o evento o prefeito do município, sr. Alceu Candido.

Guaraçaí e municípios vizinhos são grandes produtores de abacaxi, variedade Smoth Cayene, abrangendo 81,06% da área do Estado dedicada a essa cultura. No entanto, o seu cultivo exige rotação de área, alternando no caso da propriedade visitada, com a pastagem. Além disso, é importante o cultivo em curva de nível, a utilização de adubos e defensivos adequados e a proteção do fruto em crescimento. É importante que o consumidor da cidade saiba o trabalho embutido na sua produção e a pequena margem de lucro obtido pelo produtor.

Na visita à Fazenda Modelo do sr. Ângelo Lito, os participantes puderam sentir a dedicação do seu proprietário, que tem o máximo cuidado com o solo, o meio ambiente e o aproveitamento racional das sobras, evitando o desperdício. O gado é mantido em sistema de semiconfinamento, alimentado inclusive com as cascas e os talos de abacaxi. A ordenha é mecânica, com o máximo cuidado higiênico, a limpeza do estábulo com a coleta e o aproveitamento do dejeto para adubação da pastagem. Com esses cuidados, ele consegue produzir mais na entressafra, o que resulta em maior ganho. A sua afirmação é contundente: “Para o agricultor, o mais importante é cuidar do solo, dar ao solo o que queremos obter dele”.

Na palestra, o engenheiro da Casa da Agricultura mostrou o perfil da agricultura de Guaraçaí com os dados estatísticos e o sr. Jorge Nakaguma falou sobre o histórico da imigração japonesa no município.

O sr. Isidoro Yamanaka abordou a importância da economia globalizada e a estratégia de produzir de acordo com as exigência do mercado exterior. O sr. Kunio Nagai reforçou a importância de se preservar o solo, evitando o excesso de adubação e de defensivos químicos. Por fim, falei rapidamente sobre a existência de uma árvore da castanha-do-pará produzindo na propriedade da Comunidade Shinsei naquele município

No passado, tivemos um tour de palestra do sr. Yokomori falando sobre o estrato pirolenhoso e, agora, essa nova atuação do Bunkyo rural será de suma importância para reanimar a agricultura brasileira.




*É mestre e doutor pela USP e Presidente do Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural (Isec).
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