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Adensamento de plantio de melancia

Por Geraldo Milanez*

Em tese, bastaria ao agricultor aumentar a quantidade de plantas de melancia cultivadas em determinada área para obter maior colheita. E na verdade, nas espécies de cucurbitáceas, dentre as quais está a melancia, o plantio em altas densidades resulta na colheita de um maior número de frutos. Contudo, em geral, são frutos com tamanho e peso reduzidos que, a depender de demandas do mercado, podem ser considerados refugos de baixo valor comercial.

Determinar com precisão qual seria a relação ideal entre a quantidade de plantas por área cultivada é um recurso técnico importante para maximizar as safras e elevar a produtividade dessa espécie. Isso porque, quanto mais plantas em uma determinada área, maior é a competição por fatores como nutrientes do solo, luz e água, além de ficarem expostos à maior incidência de doenças.

O adensamento maior ou menor do cultivo é uma decisão que o agricultor deve estabelecer de olho nas preferências de consumo que prevalecem nos diversos mercados. Hoje, no mercado interno, os frutos maiores, com peso acima de 7 quilogramas, são os mais comercializados. A colheita desses frutos acontece, principalmente, em situações de cultivo nas quais as sementes são semeadas em covas mais separadas uma das outras.

Tendências mais recentes observadas no negócio da melancia constatam a crescente predileção, nos mercados interno e externo, por frutos de menor peso, abaixo de 6 quilogramas. Para o agricultor, estas informações são preciosas para quando ele, lá na sua propriedade, for fazer o plantio. E não há dúvida da intrínseca relação entre tipo de adensamento e tamanho de fruto.

No Brasil, os espaçamentos mais utilizados nos plantios de melancia irrigados por aspersão variam de 2 m x 2 m, para cultivares de frutos cilíndricos, a 2 m x 1,5 m, para aquelas de frutos redondos. Nos plantios por sulco ou gotejamento, a distância entre as plantas fica entre 2,5 m a 3 m entre as linhas do plantio e de 0,7 m a 1 m entre as plantas. A produtividade média obtida nessas condições é de 19 toneladas por hectare.

A alteração no adensamento, combinada à adequada adubação e tratos fitossanitários, pode fazer a produtividade na cultura mais que duplicar. Em testes com vários espaçamentos realizados em campo experimental da Embrapa Semi-Árido, chegou-se a obter colheitas de 42 a 45 toneladas por hectare. São quantidades capazes de impulsionar a já expressiva participação (51%) dos agricultores nordestinos no conjunto da produção brasileira de melancia.

Nos testes, foram utilizadas a cultivar Crimson Sweet. Em cada cova, os pesquisadores semearam de três a quatro sementes e, após 15 dias, fizeram o desbaste e deixaram apenas uma planta. Os espaçamentos avaliados foram de 2,5 m e 3 m por linha e 0,40 m, 0,60 m e 0,80 m entre as covas. Na distância de 3 m combinada com 0,60 e 0,80 foi a que resultou nas elevadas produtividades e com frutos menores, de peso abaixo de 6 quilogramas. Os refugos foram maiores na área onde o espaçamento foi menor (2,5 m).

Outro espaçamento que pode ser interessante do ponto de vista comercial para o agricultor é o seguinte: o cultivo na linha tanto de 3 m ou 2,5 m mas mantendo 0,80 m no espaço entre as plantas. Os frutos colhidos deverão pesar, em média, mais de 8 quilogramas. Neste espaçamento mais ampliado, a quantidade de frutos por planta também é maior: 1,23.

Para as condições de plantio registradas no Vale do São Francisco, o cultivo entre 3 m x 0,60 m e 3 m x 0,80 são muito apropriados. Os frutos colhidos nessas condições serão maiores, o que é valorizado atualmente no mercado nacional. Entretanto, com vistas nas mudanças pelas quais passa o segmento do consumo, optar por plantios mais adensados, entre 3 m x o,40 m, é outra opção a considerar.

O espaçamento é um fator crítico na tecnologia de produção de melancia. Em função da demanda do mercado para o qual se destina a produção, torna-se necessário um manejo com maior ou menor densidade de plantas. Assim, o agricultor terá um maior retorno econômico e maximização da produção e da qualidade do fruto.

(* Pesquisador da Embrapa Semi-Árido)

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