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Plantando, tudo dá, mas...

(Por Reimei Yoshioka*)

Aproveitando o feriado de Tiradentes (21 de abril) emendei, juntamente com um casal amigo, um giro ao interior paulista. Começamos por Pompeia, para atender ao convite formulado pelo empresário Shunji Nishimura, para conhecer a fundação que leva seu nome e a Empresa Jacto, que ele próprio criou.

Depois de Pompeia, rumei para Terceira Aliança, no município de Mirandópolis. Ali é a minha terra natal, onde tenho muitos amigos que se dedicam à agricultura há mais de 60 anos.

Saindo da Rodovia Marechal Rondon, na altura do km 610, fomos percebendo as novidades: a diminuição de nipo-brasileiros nos chamados “chuoku”, o núcleo patrimonial de cada uma das Alianças. Da Primeira Aliança em direção à Terceira, avistamos barracas, indicando a ocupação pelos sem-terra.

Já na casa do amigo, morador do local há mais de 70 anos, fui informado da realidade atual. As ocupações vêm ocorrendo, inicialmente no Pontal do Paranapanema, atingindo Alta Paulista e, mais recentemente, a região de Andradina e, agora, as Alianças. Esses ocupantes montam suas barracas, mas, na verdade, não moram nelas. Entretanto, na condição de sem-terra, eles recebem cesta básica, bolsa-família, etc. Ficam a perambular nas redondezas e há quem afirme que cresceu o número de furtos de implementos agrícolas e de outros objetos de valor.

Sem assistência de autoridades, os produtores da região, na verdade, fazem milagres. Vão à procura de cultivos adequados, lutam contra pragas, doenças e, ultimamente, a proliferação de aves que, em bandos, fazem estragos nas plantações prestes a serem colhidas, sem falar das capivaras, antas e queixadas, que estragam o milharal, a plantação de mandiocas e os arrozais.

Essa é a triste sina de muitos agricultores familiares, que, apesar de todas essas dificuldades, enviam seus produtos às Ceasas e aos supermercados, contribuindo para a nossa subsistência.




*É doutor em Geografia Humana pela USP e presidente do Instituto de Solidariedade Educacional e Cultural (Isec)
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