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Brasileiros mantêm pesca como hobby no Japão

Competição no Pesqueiro Denpachi, em Nato, reuniu 75 pescadores


Mário Saito fisgou um hamati de 5 kg pela cauda

 


Para Eduardo Kauroki, pescaria é divertido como beisebol


Hiroshi Furuga e o filho Thiago exibem o peixe da honra

Arquivo NB / Antônio José do Carmo / Divulgação

Um campeonato de pesca realizado no final de maio, em Nanto, distrito de Watarai (Mie), comprovou que a pesca continua em alta entre os brasileiros. A competição reuniu nada menos que 75 participantes no pesqueiro Denpachi.

Mais do que uma aventura que começa na boca da madrugada, o evento é uma revelação de que o máximo dos exageros das histórias de pescadores pode ser pouco quando o objetivo é desvendar as razões que provocam a paixão pela modalidade. Acredite quem quiser, mas o campeonato comprovou que nem todo peixe morre pela boca. E, surpreendentemente, que há seres aquáticos com tendência vegetariana, fissurados em tomates.

Pescador desde os 12 anos de idade, Mário Saito, 33, que mora na cidade de Yokkaichi (Mie), conseguiu uma proeza inédita. Ele pegou um hamati de 5 kg pela cauda. “Já fisguei pela barriga, mas pelo rabo foi a primeira vez”, conta. A façanha, contudo, deixou o brasileiro envergonhado. “É triste, dolorido, incluir a experiência em meu currículo, porque considero que foi apenas um golpe de sorte e não domínio de técnica.”

Saito acredita que o peixe estava atrás da isca, virou de repente e acabou prendendo a cauda no anzol. “É mais difícil ter o controle de um peixe fisgado por trás. Pela boca, embora ele perca um pouco da força, a disputa é mais emocionante. É preciso vencê-lo pelo cansaço e pelo conhecimento técnico”, diz. Entre todos, Saito pescou a maior amostra, porém, não competiu por que era integrante da equipe organizadora.

O inusitado teve direito a repeteco com Seijo Massani Kuwahara, 34, de Suzuka (Mie). Com um hamati de 4,85 kg, pescado pela traseira, conquistou o título de campeão, na categoria Peixe Maior. O pescador assina outra façanha curiosa. Ele é o único que utiliza tomates cerejas como isca e por isso ganhou o apelido de Tomateiro. “Vi um pé de tomate no estacionamento do pesqueiro. Apanhei alguns e comecei a utilizar como isca e a coisa funcionou. Eu, que nunca conseguia nada com a isca de dango (massa), peguei sete grandes Tais naquele dia”, conta.

Os amigos, diz Kuwahara, não param com a gozação sobre os peixes vegetarianos. “Acho que eles são atraídos pela cor vermelha dos tomates, a mesma da isca de massa. O único inconveniente é que os frutos são moles e, algumas vezes, a presa escapa”, esclarece.

O brasileiro descobriu o hobby só há seis meses, por intermédio de um amigo que o convidou para conhecer um dos muitos pesqueiros de Mie. Só para matar a curiosidade, ele explicou que a ostentação aurífera não se trata de mandinga de pescador calouro, mas o hábito de nunca se separar do investimento conquistado com o prêmio de loteria.

A multiplicação dos peixes não foi igual para todos. Thiago Makimoto, 17, de Kuwana (Mie), saiu com o saldo de zero peixe. Para outros desencantados, não voltar para casa boozu (carecas de peixe) foi uma questão de honra.

Caso de Hitoshi Furuga, o Chicão, 49, de Yokkaichi, pescador veterano, mas em água doce. “Costumo pescar no lago Biwa (Shiga) e nos rios de Suzuka, porque considero que os peixes fluviais são mais saborosos. As técnicas de pesca para mar e rio são bem diferentes. Aqui, não estou conseguindo encontrar a isca certa”, diz.

Furuga conseguiu salvar a honra quase no final da competição. Seu colega, Marcos Imoto, 34, passou pelo mesmo apuro. Quando pegou, não conteve a emoção. “Olha, Gabi, o peixe que o papai conseguiu pegar”, disse o brasileiro, ao exibir como criança o troféu à filha Gabriela.


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