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Domingo, 18 de agosto de 2019 - 13h18
 

Idades marcantes da cultura japonesa

O povo japonês, com toda sua tradição e cultura milenares, preserva uma série de idades marcantes com espécies de rituais de passagem durante a vida
 

Ao completarem sete anos, as meninas recebem pela primeira vez o obi do quimono

(Arquivo NippoBrasil)

Ao traçar um paralelo com a cultura brasileira, dificilmente conseguimos encontrar tantas idades consideradas marcantes quanto é possível verificar na tradição japonesa. Com exceção dos 15 anos, que marca a entrada da jovem à vida adulta e a realização da famosa festa de debutantes, e das tradicionais comemorações relacionadas à duração do casamento como as Bodas de Papel, Prata, Ouro e Diamante, as idades ditas marcantes são escassas.

Já o povo japonês, com toda sua tradição e cultura milenares, preserva uma série de idades marcantes com espécies de rituais de passagem durante a vida. Já ao 7o dia de nascimento do bebê, acontece uma das primeiras celebrações. Em tempos mais precários e antigos, como a probabilidade de se criar uma criança saudável era baixa, comemorava-se o 3º, 5º, 7º e 9º dias de vida.

Os japoneses também costumam levar suas crianças recém-nascidas aos templos – meninos no 30º dia de vida e meninas, no 31º– para apresentá-las aos kami (deuses) e assim se tornar ujiko (afilhados), ganhando proteção das divindades Ujigami e Ubusuma.

Bem mais para frente há as chamadas idades críticas (Yakudoshi), que merecem uma atenção especial dos acometidos, já que infortúnios podem surgir no período. O Zashi traz a seguir algumas das principais idades comemoradas no Japão.


Cinco e sete anos

Fora a celebração do 7º dia de nascimento e da primeira visita a um templo xintoísta, uma outra data marcante que é comemorada pelas crianças é a do cinco anos, no caso dos meninos, e dos sete anos, meninas.

Antigamente, meninos da classe nobre (samurai) eram oficialmente apresentados aos senhores feudais ao completarem cinco anos. O motivo envolve misticismo e superstição: a idade de quatro anos, corresponde a “shi”, em japonês; e na palavra “shinu” (morte) há a presença do mesmo prefixo “shi”. A apresentação não poderia ser feita antes desse período, considerado nefasto. Na cerimônia, os meninos trajam pela primeira vez o hakama (quimono masculino).

Já as meninas, aos sete anos, recebem pela primeira vez o obi (faixa que prende o quimono), em substituição a tira de pano solta e simples. O obi representa o ingresso delas na primeira etapa da vida adulta.


Festival das Crianças (Shiti-Go-San)

Comemorado no dia 15 de novembro, nesse dia meninos e meninas de sete, cinco e três anos de idade, vestidos com elegantes trajes, são levados pelos pais a templos para agradecer pelas graças recebidas e rogar por nova proteção na vida adulta. Desde o tempo dos samurais, acredita-se que divindades protetoras (Ujigami e Ubusuma) protegem e zelam pela saúde e crescimento das crianças.

Após a visita ao templo onde estão o Ujigami e Ubusuma são realizadas festas para as crianças, que recebem presentes de amigos e parentes. O amê (balas, doces embrulhados em pacotes multicoloridos) é distribuído pela mãe or toda vizinhança para atrair sorte.


Pessoa do Ano (Toshi Otoko e Toshi Onna)

Na tradição japonesa, os nativos do signo regente do ano são chamados de toshi otoko (homem do ano) e toshi onna (mulher do ano). Em 2019, os homens e mulheres do ano são os nativos do signo do Javali, e segundo a crença, essas pessoas passam energias positivas para os outros durante todo o ano. Isso significa que além de um período positivo em suas vidas, a convivência amigável com os nativos desse signo este ano é uma boa pedida.



As idades de 33 anos (mulheres) e 42 anos (homens) são consideradas especiais

Yakuire e Yakubarai

Os japoneses costumam organizar festas no período anterior (yakuire) e posterior (yakubarai) ao Yakudoshi, como forma de reunir energias positivas para enfrentar o período. Yakuire é a festa que familiares e amigos oferecem à mulher aniversariante que completa 33 anos e ao homem, na comemoração dos 42. Na ocasião, o aniversariante tem que usar trajes do sexo oposto para “enganar o azar”. Segundo o folclore, a entidade malevolente Ushitora no Konjin vem para “encostar” no aniversariante de Yakudoshi, mas vai embora já que não consegue identificar o homenageado.

De acordo com a seita Zenchi, é perigoso comemorar o Yakuire em ano errado, com risco do homem ficar impotente num prazo de sete anos. Para reverter isso, seria preciso fazer sete anos de yakubarai (festa de agradecimento) ou uma grande prece.


33 e 42 anos (Yakudoshi)

Infortúnios, acidentes, período de azar, inferno astral. Dá um frio na espinha só de pensar, não? Pois para aqueles que estão nas idades consideradas críticas (yakudoshi), todo cuidado é pouco. Essas idades variam um pouco conforme a região, mas normalmente para os homens são os 25 e 42 anos, e para as mulheres, 19 e 33 anos.

Os homens devem tomar um cuidado maior com os 42 anos, idade conhecida como “Taiyaku” ou “Hon`yaku” (mais perigosa), cuja leitura em japonês dos números 4 e 2 (shi e ni), juntos formam a palavra morte. Já as mulheres têm que redobrar a atenção aos 33 anos, já que os números 3 e 3 (sanzan) remetem às dificuldades. Grande sofrimento acometerá o sexo feminino aos 19 anos, se depender da junção dos números 1 e 9 (juuku).

O ano anterior ao Yakudoshi, chamado Maeyaku, e o posterior, Atoyaku, também são considerados perigosos. Para a contagem da idade crítica, deve-se considerar o “kazoedoshi”, isto é, um ano acrescido à idade da pessoa. Por exemplo, um homem que tem 41 anos, nesta contagem que leva em conta também o ano do nascimento – daí a adição de um ano – já está no Yakudoshi.

No dia 1o de fevereiro (a data pode variar conforme a região), nas casas com pessoas em Yakudoshi, comemora-se novamente o Ano Novo, com a intenção de afastar a má sorte da idade e fazer de conta que o ano já passou.

O Yakudoshi pelo mundo

• Inglaterra: Cada região tem sua versão, mas normalmente para os homens são as idades que terminam em 4 e para as mulheres, aquelas com final 7. Para espantar o azar, pega-se avelãs em número correspondente à idade crítica da pessoa, deixando-as expostas ao ar livre por 3 dias e 3 noites. Depois, deve-se queimá-las num jardim próximo. Quanto mais pessoas visitarem esse jardim, maior é a eficácia.

• Espanha: Muito similar ao Japão. Para as mulheres as idades críticas são 14 e 34 anos, e homens, 24 e 44 anos. A receita para espantar o mau agouro é um tanto exótica: tanto o homem como a mulher em idade crítica devem comer pedaços de carne de cavalo em número correspondente à idade, na presença de amigos e parentes. Após a “degustação”, deve-se passar horas – vale até varar a noite – cantando e dançando para espantar os maus fluidos.

• Egito: Variando conforme a religião e a região, as idades mais conhecidas como críticas tanto para homens como para mulheres são contadas a partir de 4 anos de idade e de 4 em 4 anos até a casa dos 50 anos. Costuma-se confeccionar uma veste com retalhos recolhidos nas casas de idosos da vizinhança como antídoto contra a fase ruim. Segundo a tradição, ao vestir esse traje, tira-se o mau agouro da idade.


60 anos (Kanreki - Honkegaeri)

Uma grande festa denominada Kanreki ou Honkegaeri, cujo significado tem a ver com “o aniversariante que renasceu”, é feita àqueles que completam 60 anos com objetivo de somar energias para que eles encarem o novo ciclo de vida. No Horóscopo Oriental, há o chamado “Ciclo dos 60 anos”, que corresponde a um período completo.

Nessa festa, realizada por parentes e amigos, o aniversariante veste roupa vermelha de criança, com babador e rendinhas, tendo ainda que tomar saquê ou cerveja na mamadeira e colocar chupetas durante o “parabéns a você”.

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