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Especial - 20/04/2010
 
Japão incentiva projetos agroflorestais
Sistema torna a terra mais produtiva, diversifica a produção e preserva a natureza
 

Sistema Agroflorestal: produção diversificada é uma opção para os agricultores familiares

Uso da terra combina cultivo de árvores lenhosas ou frutíferas, de hortaliças e criação de animais

(Fotos: Assessoria de Comunicação/Incaper)

O trabalho com Sistemas Agroflorestais (SAFs) desenvolvido pela Embrapa Roraima deve ganhar um importante reforço. A coordenadora de projetos da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), Kiyomi Muramoto, esteve nas propriedades da região do Apiaú, em Mucajaí-RR, para conhecer de perto a experiência local com SAFs. Sistema Agroflorestal é uma forma de uso da terra na qual se combinam espécies arbóreas lenhosas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos agrícolas e/ou criação de animais, de forma simultânea ou em sequência temporal. É uma opção estratégica para produtores familiares, graças à diversificação da produção e rentabilidade. Um aspecto que determina a sustentabilidade desses sistemas é a presença das árvores, que têm a capacidade de capturar nutrientes de camadas mais profundas do solo, reciclando-os de forma eficiente.

A visita de Kiyomi faz parte da negociação para que o projeto receba cooperação japonesa dentro do programa Issom Ippin, que significa “uma vila, um produto”. O aval da coordenadora é fundamental para que a agência japonesa decida investir no projeto roraimense. “Estou emocionada com os sonhos destas pessoas. Elas têm um amor enorme pela natureza, tratam as árvores como se fossem filhos. Querem produzir, mas sem destruir o meio ambiente”, comenta ela.

De acordo com Kiyomi, a Jica mantém parceria na área agrícola em mais de 70 países e, em cada região, apoia um tipo de cultura, agregando sua imagem àquele produto específico. Dessa forma, a agência japonesa tem ajudado milhares de famílias a sair de situação de pobreza e a garantir renda. “Nossa ajuda vem por meio de bolsistas que, durante dois anos, articulam com a comunidade escolhida as melhores formas de desenvolver a agricultura local”, explica.

A parceria entre a Embrapa e a Jica também envolve o Sebrae e a Associação Nipo-Brasileira de Roraima. “O representante designado pela agência virá do Japão e usará a estrutura da Embrapa Roraima durante os dois anos de trabalho aqui, dando suporte para o desenvolvimento desse sistema de consórcio”, explica o chefe geral da unidade, Francisco Joaci de Freitas.

O projeto visitado pela coordenadora concilia espécies madeiráveis e frutíferas, com grãos e hortaliças, mas sempre utilizando a terra de forma racional e sustentável. É assim que os pequenos produtores da Vila do Apiaú planejam as culturas com épocas distintas de colheita, de maneira que nunca fiquem sem produção e renda. “Eles fazem tudo isso sem utilizar o método de derrubada e sem apelar para as queimadas que tanto fazem mal à nossa Amazônia”, enfatiza Freitas.

Valor agregado

Em sua visita a Vila do Apiaú, Kiyomi também teve a oportunidade de conhecer a agroindústria de polpas de frutas, instalada pela Cooperativa de Produtores da região com apoio da Embrapa, Sebrae, Senai e Ministério do Meio Ambiente. Na fábrica, com capacidade para 200 quilos/hora, os agricultores podem beneficiar frutas típicas da região como cupuaçu, graviola e açaí que fazem muito sucesso em forma de sucos e sorvetes.

A agroindústria garantiu destino certo para as frutas, que, antes, costumavam estragar enquanto esperavam a venda. Agora, transformadas em polpa, elas podem ser armazenadas por mais tempo e alcançam um preço melhor no mercado. Com a chegada do apoio da Jica, previsto para este ano, a cooperativa pretende expandir seu mercado e até chegar aos supermercados japoneses, como já acontece com frutas produzidas no município de Tomé-Açu (PA), que também utiliza Sistemas Agroflorestais.

 
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