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Arquivo NippoBrasil - Edição 096 - 15 a 21 de março de 2001
 
Haruyama e Akiyama - Parte Final
O mito de Haruyama e Akiyama

(Por Claudio Seto)

A DISPUTA
Em muitas ocasiões os três se divertiam cantando e dançando animadamente. Às vezes um sentia ciúme do outro e começavam a discutir. Quando chegou o inverno a Donzela do Lago estava muito preocupada porque a discussão entre os dois deuses tornara-se constante e um já não suportava a presença do outro as margens do lago. Ela com sua vez não conseguia decidir com quem ficar, pois gostava de ambos, cada um por sua maneira de ser. Amava Akiyama pelo seu coração puro e bondoso e sua refinada educação. E amava Haruyama por sua valentia e seu modo impetuoso e aventureiro de viver.

As discussões tornaram-se empurrões e, finalmente, resolveram duelar e o vencedor ficaria com o amor da Donzela do Lago. O combate foi anunciado porque Haruyama cantava aos quatro ventos sua possível vitória e a conquista definitiva de seu amor.

No dia marcado vários deuses que habitavam na região compareceram para assistir o grande embate e se instalaram no alto do monte Iwaki, de onde se tinha visão privilegiada. A assistência estava dividida em duas nítidas torcidas. Akiyama apareceu com uma grande manada de alces e Haruyama montado em quatro dragões.

Era uma manhã escura de inverno. Ventos cortantes assobiavam entre as árvores e levantavam ondas altas no lago Towada. Tremores de terra e uma tempestade com raios e trovoadas tornavam o clima medonho. A atmosfera estava do jeito que os torcedores barulhentos de Haruyama adoravam. Um bando de rudes guerreiros, indisciplinados que pulavam e gritavam a qualquer movimento de seu duelante preferido. Os valentões pularam tanto que o lado direito do monte Iwaki onde eles estavam desmoronou (por isso até hoje o lado direito é mais baixo que o esquerdo).

Foi um duelo de titãs. Os deuses lutaram bravamente sem parar e era difícil dizer se algum deles estava levando vantagem. Mas a medida que o tempo ia decorrendo, Haruyama que era mais violento, começou ganhar terreno. Com golpes certeiros de sua espada, foi liquidando os alces que protegiam Akiyama. O embate com espadas entre os dois demorou bom tempo, porém quando Akiyama começou mostrar cansaço, Haruyama o atingiu gravemente.

Sangrando muito, Akiyama fugiu para a península de Oga, manchando a terra de sangue. Assim a luta terminou tendo Haruyama como vencedor. Este levantou a espada e de cima dos dragões festejou sua vitória voando cada vez mais alto.

Depois, quando voltou a calmaria e a paisagem ficou linda como sempre, Haruyama desceu para as margens do lago para se encontrar com sua amada. Seu grande prêmio pela vitória. Procurou por toda parte e não a encontrou. Então o deus do lago que tinha assistido a tudo, disse:

-Não adianta procurar pela donzela, ela ficou preocupada com o ferimento de Akiyama e foi atrás dele na península de Oga. Você venceu a luta, mas perdeu o prêmio.

Haruyama ficou muito abatido quando soube que sua amada foi atrás de seu rival. Inconsolável saiu andando para Tsugaru de cabeça baixa, como se toda canseira da batalha manifestasse de uma só vez. Quando chegou em Tsugaru, havia neve por toda parte. Ele chorou ao sentir que passaria um pesado inverno sozinho e numa explosão de ira, gritou com todos os pulmões para descarregar o peso em seu coração. Seu grito foi tão intenso que a vibração causou um grande terremoto. A terra rachou na ilha principal do Japão, separando Hokkaido. Na parte em que rachou o mar avançou criando o estreito de Tsuruga.

Haruyama no Kasumi no Mikoto (Príncipe da Névoa da Montanha da Primavera) passou a ser então um deus triste e calmo. Por isso, atualmente quando surge a névoa na primavera, existe um clima de calma com certa melancolia.

Já Akiyama no Shitabi no Mikoto (Príncipe da Montanha Rubra de Outono) e a Donzela do Lago Towada, casaram-se e foram felizes para sempre. Por isso, quando a folhas avermelham no outono, existe no ar um certo clima de romantismo.

Fim

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