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Arquivo NippoBrasil - Edição 093 - 1º a 7 de março de 2001
 
O chapéu ouvidor
A lenda do mago Shamon e a fé por Zenchi no Mikoto - o deus da Graça

(Por Claudio Seto)

Há muito tempo vivia no Japão um jovem iniciado na religião Shintô que era devoto de Zenchi no Mikoto – o deus da Graça. Pelo fato dele gostar de peixe tinha como desejo fazer muitas oferendas de yakizakaná (peixe assado na brasa) à divindade. Porém, como era desprovido de recursos, lamentavelmente não conseguia comprar os peixes. Assim, todas as vezes que ia ao bosque sagrado confidenciava com as árvores, confessando sua boa intenção e lamentando sua impossibilidade.

Um dia, enquanto falava com as árvores, ouviu a voz da divindade Zenchi no Mikoto:
-Ora meu bom amigo, não se preocupe em me oferecer peixes. Sei que não tem dinheiro, mas tem algo muito mais precioso do que isso, que é o seu bom coração. Sei que você costuma conversar com as árvores e, muitas vezes, não ouve a resposta delas porque o canto dos pássaros, às vezes atrapalha. Por isso, vou lhe dar um chapéu que ao usá-lo poderá ouvir o que os pássaros estão dizendo.

Assim que a voz se calou, o moço viu no galho a sua frente um chapéu pendurado. Fazendo reverências à divindade que deveria estar junto a árvore, o jovem apanhou o chapéu de forma cônica com todo cuidado e deixou o bosque sagrado em direção da aldeia onde morava. Durante o percurso ao ver uma árvore seca e corvos pousados em seus galhos, parou porque lembrou um haiku (haikai) de Bashô:

kare eda ni
karassu no tomarikeri
aki no kure

corvos pousados
em galhos secos:
entardecer de outono

Como o homem estava usando o chapéu em forma de cone, conforme lhe dissera o deus Zenchi no Mikoto, passou a ouvir a conversa dos pássaros. Entre muito bate-papo, falando de frutas gostosas, uma narrativa chamou a atenção do jovem:

- Pois é, se ninguém fizer nada, a filha do milionário da aldeia vai morrer.
- O que é uma pena, uma menina tão boazinha. Mas porque ela ficou tão doente?
- Você não sabe? Olha, quando o milionário mandou construir novos aposentos em sua mansão, o carpinteiro, sem perceber que havia uma cobra escondida, pregou-a junto as tábuas do assoalho. Assim a cobra ficou pregada ali, sem se mover. Sua companheira é que leva comida todos os dias para sua sobrevivência. Acontece que cada vez mais a cobra está ficando debilitada e vai acabar morrendo.

- Ah, já entendi, disse o outro pássaro, a filha do milionário dorme no aposento onde debaixo do assoalho está a cobra pregada. Sem que ela saiba, está captando as vibrações de sofrimento da cobra ferida. Por isso está doente e debilitada a ponto de não mais poder levantar do leito.
- Em suma, se a cobra morrer, ela também não resistirá.

Ao ouvir a conversa dos pássaros, o homem foi em direção da aldeia muito preocupado. Queria salvar a menina, porém desconfiava que, sendo um pobretão, sequer seria ouvido pelo pessoal da mansão do milionário. Precisava achar um meio de entrar na mansão para contar tudo o que sabia.

Nisso lhe ocorreu uma idéia. Cortou as pontas do rabo de um cavalo branco e improvisou uma enorme barba postiça. Como já estava com o chapéu cônico, bastou apanhar um galho de base curvada para fazer de cajado e ficou com o aspecto perfeito de um velho asceta da montanha. Assim rumou para o portão da mansão e começou a gritar:
- Olha o vidente! Venham ler a sorte e saber do seu futuro com o grande Ubasoku (mago).

Movido pela preocupação da persistente e misteriosa doença da filha, assim que ouviu os gritos, o homem rico imediatamente mandou chamar o vidente. Assim que o mago entrou, o milionário tentou explicar porque ia precisar de seus serviços, porém, o vidente foi logo dizendo:
- Não precisa dizer nada, leve-me por favor, ao aposento da sua filha e chame imediatamente o carpinteiro.

No quarto da linda e enferma mocinha, o “velhinho” começou a rezar para que seu protetor indicasse o local onde estava a cobra pregada, repetindo seguidamente o mantra Zenchi On no Mikoto, Zenchi On no Mikoto, Zenchi On no Mikoto...
Assim que o carpinteiro chegou, o mago ordenou:
- Levante aquela tábua, existe uma cobra presa entre ela e a viga de sustentação.

Dito e feito. Arrancado a tábua, lá estava a cobra pregada. Com todo cuidado o prego foi retirado do seu corpo e passaram medicamento no ferimento. No dia seguinte, a cobra já parecia bem melhor e foi solta no mato. Milagrosamente a garota também começou a melhorar e em pouco tempo já estava restabelecida, voltando a ser a mesma mocinha cheia de vida.

Agradecido o milionário presenteou o homem com muito, mas muito dinheiro. O mago que ficou conhecido com o nome de Shamon, precisava de dinheiro somente para comprar peixe e fazer yakissakaná para oferecer a Zenchi no Mikoto. Mandou construir um santuário no bosque para que mais pessoas pudessem receber as graças da divindade Zenchi.

Outra versão mais romântica desta história conta que, mais tarde, Shamon se casou com a bela filha do milionário e foram felizes para sempre.

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